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Para evitar risco ao meio ambiente, suinocultores tentam reduzir impactos pela produção de dejetos

Compartilhe:     |  13 de maio de 2016

Os suinocultores de Mato Grosso tem um grande desafio em mãos: reduzir os impactos ambientais e sanitários gerados pela produção de dejetos. A proposta é equacionar essa problemática e aliar o manejo correto do dejeto à conservação ambiental. Por conta disto, um grupo de pesquisadores, técnicos da área, empresários e gestores públicos estiveram reunidos na manhã de terça-feira (11) em Cuiabá, durante um workshop realizado em parceria pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e a Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat).

Se despejados em um corpo hídrico sem o adequado tratamento, os dejetos podem causar a morte de peixes, contaminação da água por organismos de risco para a saúde pública e dos animais e a sobrecarga de minerais. “O dejeto é um recurso que não pode ser simplesmente jogado fora, ele causa sérios impactos, às vezes irreversíveis ao meio ambiente, e o nosso objetivo é reformular os procedimentos do licenciamento para que o produtor se adeque a um modelo sustentável de manejo”, disse a superintendente de Infraestrutura, Mineração, Indústria e Serviços da Sema, Lilian Ferreira dos Santos Faria.

A superintendente ainda acrescenta que quando manejados adequadamente, os efluentes podem ser transformados em fertilizantes o que fará com que o produtor diminua o uso de produtos químicos. Sendo assim, o dejeto de suínos, que era visto como vilão, poderá ser um grande aliado econômico e ambiental.

Os dejetos são ricos em nutrientes como o nitrogênio, fósforo e potássio. “A aplicação desordenada do fósforo no solo, por exemplo, pode gerar acúmulo, atingir o corpo hídrico e causar poluição. Por isso o dejeto não pode ser manejado de qualquer maneira”, comenta o pesquisador e gestor do núcleo temático de meio ambiente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Rodrigo da Silva Nicoloso.

Uma das alternativas ao uso dos dejetos citadas por Rodrigo é a fertilização das plantas. Ao optar por associar a atividade de suinocultura com agricultura, o produtor garantirá mais produtividade e alavancará a economia, além de contribuir com o meio ambiente. “O produtor vai dar uma destinação adequada para o dejeto, incrementar sua renda com a plantação e diminuir os gastos com fertilizantes químicos”.

A biodigestão seria outra forma de utilizar estes dejetos. Nesse processo o dejeto produz o gás metano que pode ser usado como fonte de energia reduzindo a emissão de gás na atmosfera. “O biogás, por meio da captação de energia, pode alimentar outras coisas dentro da propriedade como geradores e maquinas. E assim o dejeto passa de poluidor para potencial gerador de renda para o produtor”, disse Rodrigo.

O pesquisador em água residuária na fertirrigação e engenheiro agrônomo da Universidade Federal de Viçosa (MG), Luís César Dias, explica que a composição química e o volume dos desejos são fatores de grande importância para o estabelecimento dos sistemas de manejo armazenagem, tratamento, distribuição e utilização desses dejetos visando a máxima redução do poder poluente. Ele pontua alguns tratamentos dos dejetos suínos no Brasil, como as lagoas de decantação e os biodigestores. Ele destaca também a proposta da reutilização da água residuária na fertirrigação para transformar os resíduos em insumo.



Fonte: Olhar Direto



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