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Paraíba irá desenvolver polo da ovinocaprinocultura e organizar cadeia produtiva

Compartilhe:     |  7 de junho de 2014

A Paraíba deverá alavancar o Polo de Desenvolvimento da Ovinocaprinocultura, neste ano de 2014, reativando o frigorífico de caprinos na cidade de Mulungu, no Brejo paraibano, e organizando a cadeia produtiva desta atividade, para que se torne mais rentável. Nesta quinta-feira (5), foi apresentado o Estudo do Complexo da Ovinocaprinocultura no Brasil, em João Pessoa, que mostrou que, apesar do país ter um dos maiores rebanhos, 90% do abate dos animais acontece em condições sanitárias impróprias e de forma clandestina, o que diminui a oferta de produtos de qualidade nos mercados consumidores.

Segundo dados do IBGE, o Brasil possui um rebanho de aproximadamente 18 milhões de caprinos e ovinos. Mais da metade desses animais estão na região Nordeste, cerca de 10 milhões. Na Paraíba, são cerca de 800 mil animais, sendo em torno de 500 mil caprinos e 300 mil ovinos. “A partir do estudo apresentado, fruto de um trabalho longo de pesquisa e de benchmarking com cinco países, iremos traçar as diretrizes das ações. Vamos agora colocar na prática o que foi sugerido no estudo”, ressaltou o coordenador do estudo e analista do Sebrae Paraíba, Jucieux Palmeira.

De acordo com o diretor técnico da Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa), Vandrick Hauss de Sousa, a Paraíba possui todos os elementos para alavancar a atividade e gerar rentabilidade para os produtores. A reativação do frigorífico de Mulungu é uma das ações previstas. “Há uma demanda do mercado consumidor e temos um acervo de conhecimento técnico e tecnológico. Para que o polo de desenvolvimento da ovinocaprinocultura avance precisamos envolver todo os atores da cadeia produtiva. É preciso colocar em prática o que já sabemos, envolvendo produtores, entidades públicas e privadas”, disse.

Para o superintendente técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Caprinos, Felipe Adelino de Lima, a Paraíba tem potencial para desenvolver o abate de caprinos e tornar esta atividade rentável, assim como acontece com o leite de cabra. “O nosso grande problema é a organização da cadeia produtiva. É preciso um trabalho em conjunto para produzirmos com eficiência e custo mais baixo”, afirmou Felipe Adelino.

A informalidade da atividade é, inclusive, um dos grandes entraves apontados pelo Estudo e pelos profissionais que participaram do evento. “O abate informal, em locais sem certificação, inspeção ou fiscalização, com a figura do atravessador, que leva a carne para os mercados públicos, atrapalha muito a organização da cadeia. Por isso é preciso envolver todos os órgãos, como Ministério Público e Vigilância Sanitária, para que a atividade seja valorizada no mercado”, acrescentou Vandrick Hauss.

Seminário do Complexo da Ovinocaprinocultura

O Estudo foi apresentado durante o Seminário do Complexo da Ovinocaprinocultura no Brasil, realizado pelo Sebrae Paraíba, em João Pessoa, nesta quinta-feira (5). Segundo Jucieux Palmeira, a apresentação do estudo é a primeira parte do projeto, que pretende alavancar a atividade na Paraíba e no Nordeste.“Após as discussões sobre a apresentação do estudo vamos publicar um livro com todas as considerações. Em um segundo momento pretendemos firmar um novo convênio com o Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC) para chamarmos os atores e autores envolvidos neste trabalho para as ações práticas”, disse.

A diretora de Agronegócios do MDIC, Rita Milagres, que também participou do Seminário, destacou a satisfação em participar do evento e da oportunidade em reunir os envolvidos na atividade da ovinocaprinocultura. “O Estudo mostrou quais são os entraves e como superá-los. Agora temos que saber como agir daqui para frente. O MDIC está atento a este setor e à disposição para trabalhar junto com o Sebrae e demais instituições”, afirmou Rita.

O diretor técnico do Sebrae Paraíba, João Alberto Leite, destacou que este é um momento importante para a ovinocaprinocultura do país. “O projeto Aprisco Nordeste foi o ponta pé inicial para fortalecermos diversas ações. Agora estamos em um momento novo, um marco para a atividade. Com as informações que dispomos desse Estudo, vamos estabelecer estratégias”, disse.

Experiência de outros países

O Estudo do Complexo da Ovinocaprinocultura apresentou uma análise comparativa da cadeia produtiva do Brasil e de cinco países visitados pelos pesquisadores (Reino Unido, Espanha, Uruguai, Austrália e Nova Zelândia). “Fizemos um trabalho de benchmarking internacional para conhecer a cadeia produtiva de sucesso desses países. Por que não podemos adotar esses modelos aqui também? Parte da Espanha, por exemplo, tem o clima muito parecido com o do Nordeste brasileiro”, completou Jucieux.

O professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Carlos Frederico Lacerda, apresentou esta análise, em conjunto com os pesquisadores Bruno Santos, Breno Guerra, Eduardo Amadeu e Daniel Benitz. “O Brasil possui um grande mercado consumidor de carne de ovinos e caprinos. Muitos países estão de olho neste mercado. Apesar de termos um rebanho de 18 milhões de animais, importamos ovinos do Uruguai”, disse Carlos Lacerda.

Ele mostrou que a Nova Zelândia, por exemplo, possui um rebanho de 31,2 milhões de caprinos e ovinos, abate 23 milhões e exporta cerca de 92%, ficando apenas 8% para o mercado interno, já que sua população é de aproximadamente 3 milhões de habitantes. Já o Uruguai, possui um rebanho de 8,2 milhões de caprinos e ovinos, menos da metade do Brasil, e ainda assim vende sua carne para o Brasil.

De acordo com o Estudo apresentado por Carlos Lacerda, a cadeia produtiva desses cinco países visitados são extremamente organizadas, o que lhes confere a rentabilidade da atividade. A indústria frigorífica tem elevada participação nesse desenvolvimento. São 20 frigoríficos operando no abate de ovino na Espanha, 21 no Uruguai, 17 na Nova Zelândia, países com área e população inferior a 5% do Brasil. No Reino Unido são 162 frigoríficos e 97 processadores de carne de ovino na Austrália. No Brasil, no entanto, a indústria frigorífica tem baixa participação, são apenas três frigoríficos na região Nordeste que possuem SIF (Serviço de Inspeção Federal) e se dedicam prioritariamente a esta atividade.



Fonte: Wscom - com Assessoria



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