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Paraíba produz 600 toneladas de mel por ano com tecnologias sociais e agroecológicas

Compartilhe:     |  20 de outubro de 2014

A produção de mel de abelha ainda resiste na Paraíba durante a seca devido às novas tecnologias social e de agroecologia. O Estado produz 600 toneladas de mel por ano e gera cerca de R$ 4 milhões, segundo a Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa) e o Banco do Nordeste. Os dados foram informados a cerca de 100 apicultores do Sertão paraibano nesta sexta-feira (17), durante o 8º Seminário de Apicultura e Meliponicultura, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFPB) de Sousa.

O evento faz parte da 2º Feira de Inovação dos Pequenos Negócios do Sertão Paraibano (Inova Sertão), que foi encerrada neste último domingo (19). Conforme o gestor do projeto de Agricultura Irrigada do Sebrae em Sousa, Fabrício Vitorino, as maiores produções do produto estão na região do Sertão, onde o evento promove a capacitação dos apicultores. A região de Catolé do Rocha, que abrange a cidade e mais dois municípios, é a que mais produz mel na Paraíba. A região de Sousa, com quatro cidades, não fica atrás e Cajazeiras, com mais quatro municípios, também se destacam. Depois vêm as produções do Curimataú, Cariri e Litoral, respectivamente.

Trabalhamos neste projeto do Sertão com nove associações e uma cooperativa, que já vende para os estados do Piauí, Rio Grande do Norte e Pernambuco. A luta contra a baixa produtividade tem o apoio das capacitações que destinamos aos grupos. Novas tecnologias estão se espalhando pelo Estado, como cultivar o mel com a agroecologia, ou seja, o plantio para a produção de pólen sem agrotóxico e a preservação do solo e da água”, esclareceu.

As tecnologias, geralmente, alcançam os apicultores até em suas propriedades rurais, quando há visitas técnicas. Mas o Seminário vem trazendo novidades a cada ano. Na 8ª edição, o evento apresentou quatro palestras e três clínicas tecnológicas. A primeira palestra foi “A apicultura e meliponicultura como agente de controle da degradação ambiental da Caatinga”, com o mestre do IFPB, Hugo Vieira.

Já a segunda explanação foi “Planejamento estratégico para a atividade apícola a frente dos desafios”, com o presidente da Unamel, José Xavier Leal Neto. Em seguida, o apicultor da cidade de Ceará Mirim no Rio Grande do Norte, Joaz Ferreira da Silva, mostrou a palestra “Diversificação da produção apícola”. A última palestra do Seminário foi com o apicultor e consultor da empresa Raad e Raad Consultoria, Robson Raad, chamada “Manejo para alta produtividade”. Para reforçar as explanações da manhã, no período da tarde, as clínicas oferecidas aos apicultores do Seminário foram “Apitoxina e Própolis”, “Manejo para alta produtividade” e “Programa alimentar apícola, focado em manutenção e produção de cera”.

Coletor – Joaz Ferreira contou como se deu a descoberta do Coletor de Apitoxina, o veneno da abelha. Ele produzia apenas mel em sua propriedade há seis anos. Achando pouco o que rendia a atividade, que girava em R$ 3 mil por ano, ele resolveu ir a uma visita de campo a Sergipe e Alagoas, promovida pelo Sebrae do seu Estado. “Foi aí que eu entendi que não dava para ficar produzindo só mel. Então, comecei a estudar. Já tinha lido sobre o método de retirada do veneno da abelha na Rússia, China e outros países, aí resolvi testar”, relembrou. Ele contou que a abelha guerreira, que busca o pólen, morre muito rápido por ferroar pessoas e animais para se defender. O ferrão da abelha fica na picada e elas não sobrevivem sem ele.

Muitas nem voltam ao apiário. Pesando em mantê-las vivas mais tempo, ele criou o aparelho no final de 2011, que é uma placa de plástico e aço, com eletrodos. A retirada do veneno é feita com um pequeno disparo elétrico, que deixa as guerreiras da colmeia irritadas, ferroando a placa, deixando o veneno, salvando o ferrão e o inseto. Com a tecnologia, que, por enquanto, só ele possui no Brasil, associada a outros produtos criados, como o favo com mel em compota, Joaz consegue faturar até R$ 50 mil por ano. Ele está difundindo o equipamento pelas palestras que ministra no país.

Quem quiser adquirir o Coletor, o apicultor vende o kit para a montagem por até R$ 1.600. A produtividade aumenta com o equipamento. O veneno coletado pelas placas também vira produto. Sem o Coletor, o apicultor disse que só se tirava um grama de apitoxina em 10 colmeias. “Com meu equipamento, consigo retirar essa quantidade de apenas uma colmeia mensalmente. Agora sou produtor de apitoxina também e já vendo para as indústrias farmacêuticas e de cosméticos”, falou.

 



Fonte: Sebrae/PB - Assessoria de Imprensa (Fotos: Alberi Pontes)



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