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Paraíba tem mais de 30 espécies da fauna ameaçadas de extinção

Compartilhe:     |  19 de abril de 2015

O Sapajusflavius, famoso macaco-prego-galego, está entre as espécies que estão correndo perigo de extinção (Foto: Keoma Coutinho – Banco de Imagens do CPB/ICMBio)

Por Alexandre Nunes

As Listas das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, vigentes no país, revelam que, das 1.173 espécies avaliadas, mais de 30 espécies estão ameaçadas na Paraíba, desde mamíferos marinhos, como cetáceos, sirênios e quelônios, até peixes com distribuição restrita, além de 27 espécies de aves que também se encontram ameaçadas de extinção. Nas listas aparecem ainda duas espécies de primatas ameaçados, o Sapajus flavius, o famoso macaco-prego-galego, classificado como espécie em perigo, e o Alouatta belzebul, conhecido como guariba-de-mãos-ruivas, categorizado como espécie vulnerável.

Na opinião do biólogo Douglas Zeppelini não é possível afirmar, com precisão, quantas espécies da fauna paraibana estão ameaçadas de extinção. “A Paraíba não fez a avaliação das espécies ameaçadas no estado e, portanto, não tenho essa informação, mas há muitas espécies ameaçadas em todo o Brasil que ocorrem na Paraíba. Um exemplo é o das tartarugas marinhas, que apesar de estarem criticamente ameaçadas não dispõem de um apoio para conservação. Todos os trabalhos de conservação das tartarugas no estado são feitos por uma ONG de forma voluntária e sem a devida estrutura. Além de tartarugas marinhas, temos peixe-boi e aves migratórias, entre outras”, relatou.

Pesquisador da UEPB, Douglas Zeppelini (Foto: UEPB)

 

Zeppelini detalhou as causas que levam algumas espécies a entrarem num processo de ameaça de extinção. “Há alguns problemas locais que se tornam uma ameaça local. A destinação do lixo é um problema gravíssimo para os ecossistemas marinhos e estuarinos. A metodologia de represamento de águas em pequenos “barreiros” podem causar impactos graves no regime de sistemas de rios intermitentes e representar uma ameaça a determinadas espécies. Cabe ressaltar que as espécies ditas endêmicas – de distribuição restrita a uma única área – são as mais vulneráveis a alterações ambientais”, especificou.

Paraíba terá da lista vermelha estadual das espécies ameaçadas

O biólogo e mestre em zoologia Thiago Silva, que atua como membro no Plano Nacional de Espécies Ameaçadas, junto ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e trabalha na Secretaria Executiva de Meio Ambiente do Estado, na montagem das políticas estaduais de conservação, revelou que o Governo do Estado já trabalha na perspectiva de elaboração da lista vermelha estadual das espécies ameaçadas.

Biólogo Thiago César Farias da Silva, da Secretaria Executiva de Meio ambiente do Estado (Foto: Arquivo)

 

“A lista vermelha estadual é uma obrigação legal advinda da Lei Complementar 140, que é uma lei que complementou a Constituição Federal estabelecendo que os estados e municípios tivessem algumas atribuições que eram observadas apenas para a União. Uma dessas atribuições é a política de fauna, que já vem sendo estabelecida no âmbito da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema). A tendência é que esse trabalho avance, nos próximos anos, para uma lista vermelha estadual e também para que sejam adotadas políticas de conservação ainda mais focadas na fauna”, assegurou.

Já o secretário executivo de Meio Ambiente do Estado, Fabiano Lucena, acenou para a criação de uma unidade de conservação marinha no litoral da Paraíba, que vai envolver a proteção de corais, tartarugas e de várias espécies endêmicas. Ele informou que está ultimando o plano de manejo da Mata do Pau Ferro, em Areia, onde tem o pássaro pintor-verdadeiro, uma espécie ameaçada. “Todo o trabalho para preservar o pintor-verdadeiro é feito em conjunto com a Sudema. A ave tem no município de Areia, no Brejo Paraibano, um de seus últimos redutos no mundo. Além disso, a gente está estudando a possibilidade de recriação de uma grande unidade de conservação de Caatinga, na Serra de Santa Catarina, no Sertão, cuja área engloba cerca de 112,1 Km2, entre os municípios de Aguiar, Coremas, São José da Lagoa Tapada, Nazarezinho e Carrapateira. Em todas essas unidades, como a de conservação marinha, da Mata do Pau Ferro e do Sertão, são encontradas espécies ameaçadas”, garantiu.

Thiago Silva acrescentou que em nível de Paraíba foram criadas, no ano passado, duas unidades de conservação. Uma delas foi a Unidade de Proteção Integral Parque Estadual Trilhas dos Cinco Rios, uma área de Mata Atlântica que une essas bacias no entorno do Centro de Convenções, dentro do Polo Turístico do Cabo Branco, em João Pessoa. O parque tem área de 514 hectares, onde correm os rios Jacarapé, Cuiá, Aratu, Mangabeira e Mussuré, além dos riachos Estivas e Sanhauá. A Unidade de Conservação é o segundo maior fragmento de Floresta Atlântica da cidade de João Pessoa, depois da Mata do Buraquinho.

A segunda criada foi a Unidade de Conservação de Proteção Integral Mata do Buraquinho, um Refúgio de Vida Silvestre (RVS), que tem como objetivo proteger ambientes naturais onde se asseguram condições para a existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna residente ou migratória. “A Unidade Mata do Buraquinho e o Parque Estadual Trilha dos Cinco Rios, foram metas cumpridas pelo Plano de Ação Nacional e a Sudema, como signatária do plano, fez essa contribuição para que a gente alcançasse esses RVS”, concluiu.

Reflorestamento é alternativa para retorno de espécies

O processo de reflorestamento é fundamental e imprescindível para que a fauna volte ao seu habitat natural e se recomponha. É o que afirma a ambientalista Paula Frassinete Lins Duarte. Entre as ações de reflorestamento, ela destacou a recomposição das matas ciliares dos rios paraibanos. “Os rios daqui da Paraíba e os rios do país inteiro estão sem suas matas ciliares, que são compostas por plantas nativas necessárias para que a fauna se reinstale. A fauna só se reinstalará se forem feitos os reflorestamentos”, reforçou.

Ambientalista Paula Frassinete (Foto: Arquivo)

 

Paula Frassinete explicou que existem estudos sérios sobre a criação de corredores e áreas de passagens de animais silvestres, nas estradas brasileiras. Existem 189 unidades de conservação cortadas por estradas em todo o país. No total, são 15 mil quilômetros de rodovias cruzando áreas de proteção ambiental. De acordo com estatísticas do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas, são atropelados 475 milhões de animais selvagens por ano. “Os animais são mortos ao atravessarem de uma área para outra. Então, são feitos túneis e passagens aéreas. Essas são algumas das medidas necessárias para que esse problema dos animais em extinção seja minimizado”, explicou.

A bióloga comentou que o primeiro papel dos órgãos fiscalizadores e ambientais sobre a questão é o diagnóstico. “Detectada a ausência de algumas espécies, são avaliadas as condições ambientais daquele espaço, quer seja uma unidade de conservação, uma Mata Atlântica, ou mesmo áreas do semiárido. É quando se alcança as causas, que são desmatamento, uso de madeira como fonte energética e tráfico de animais que continua cada vez mais grave”, constatou.

Paula ressalvou que, apesar das dificuldades para chegar aos traficantes, o Batalhão Ambiental da Polícia Militar da Paraíba tem feito um grande trabalho. “O que se consegue apreender é o vendedor que está nas feiras vendendo os animais silvestres. Mas, de vez em quando, aparece um traficante de animais silvestres preso. Os animais apreendidos, são levados para uma área em que eles vão passar por um processo de readaptação, para depois serem soltos em áreas onde ainda existem matas, mas isso ainda é muito pouco”, avaliou a ambientalista.

Batalhão Ambiental combate o tráfico e a caça predatória na Paraíba

O major Tibério Pereira, comandante do Batalhão de Polícia Ambiental, ressaltou que a corporação tem atuado de forma preventiva e repressiva no combate à caça predatória e ao tráfico de animais silvestres, realizando fiscalizações em áreas de maior incidência desses tipos de crimes, como por exemplo, alguns municípios do interior (caça predatória) e feiras livres (tráfico de animais), além de fiscalização em locais onde há denúncia de animais silvestres em cativeiros. “Além dos crimes contra a fauna, o Batalhão Ambiental também atua no combate aos crimes contra a flora, a exemplo do desmatamento. As ocupações irregulares, como as invasões em bordas de matas possibilitam ocorrer esse tipo de crime, diminuindo assim o espaço dos animais em seu habitat, afugentando-os para o perímetro urbano”, analisou.

Só nas operações realizadas pelo Batalhão Ambiental, este ano, já foram apreendidos 596 animais silvestres, em sua maioria aves, oriundos de feiras livres, caça predatória e cativeiros. O Batalhão Ambiental também realiza ações em conjunto com os órgãos ambientais, quando solicitado, ou através de denúncias repassada pelos próprios órgãos.

Animais silvestres resgatados que apresentam sinais de ferimentos, são conduzidos à órgãos como o CETAS (Centro de Triagem de Animais Silvestres) do IBAMA e o Parque Arruda Câmara (BICA) para receberem os devidos cuidados. No caso de animais resgatados em condições sadias, os mesmos são reintroduzidos em seu habitat natural. O mesmo destino é dado aos animais silvestres apreendidos provenientes de crimes contra a fauna.

O tenente Aragão Wellington revelou que as aves são os animais de maior registro de ocorrência nas apreensões, destacando-se as espécies galo-de-campina, canário da terra, azulão e coleirinha. “Já em relação a animais resgatados, as espécies de maior ocorrência são as cobras, iguanas, preguiças, jabuti e timbu”, acrescentou.

Policiais militares ambientais resgatam animais silvestres durante uma operação (Foto: Secom-PB)

 

 



Fonte: Fonte: Jornal A União



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