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Parceria histórica garante bons resultados na conservação do mico-leão-dourado

Compartilhe:     |  17 de dezembro de 2014

Na década de 1980, estimou-se que haviam apenas 200 micos-leões-dourados na natureza. O trabalho para evitar a extinção desse simpático primata foi uma das primeiras ações da rede WWF no Brasil. “Hoje, segundo o último censo publicado pela Associação Mico Leão Dourado (AMLD), podemos apresentar uma contagem 16 vezes maior do que foi constatado 30 anos atrás, cerca de 3200 indivíduos”, comenta Anna Carolina Lobo, coordenadora do Programa Mata Atlântica do WWF-Brasil.

Essa marca é fruto de vários projetos desenvolvidos em prol da espécie. Um deles é uma parceria entre o WWF-Brasil e a Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD) retomada em 2012. Juntas, elas executam ações conservacionistas, projetos de educação ambiental com formação de professores e multiplicadores nos municípios do entorno do habitat da espécie, campanhas e atividades de mobilização.

Centro de Visitantes no Rio de Janeiro

Hoje (16), foi reinaugurado o Centro Educativo da Reserva Biológica de Poço das Antas/ICMBio, em Silva Jardim. O objetivo é ter um espaço no coração da Mata Atlântica fluminense – morada natural do primata – para exposições interativas com mapas, imagens, vídeos e textos informativos que acrescentem à experiência e à consciência ambiental do visitante.

O local contará também com uma mostra permanente, realizada com apoio da ONG Garupa e do WWF-Brasil, chamada “A Mata Atlântica e o mico-leão-dourado”, com fotografias de Haroldo Palo Junior. “A realização da exposição faz parte do conjunto de ações do Programa Mata Atlântica com conservação de espécies, que além do mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), trabalha pela conservação do muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) e da onça pintada (Panthera onca), com apoio da empresa Ferrero Rocher”, destaca Daniel Venturi, analista do Programa Mata Atlântica do WWF-Brasil.

Engajamento e educação ambiental à distância

Nos últimos anos, outra atividade desenvolvida por essa parceria foi a capacitação de mais de 40 professores e multiplicadores nos municípios do entorno onde o primata habita, pelo projeto “Redescobrindo a Mata Atlântica”. Essa iniciativa fortaleceu as ações de educação ambiental no bioma e permitiu semear informações sobre a floresta tropical do outro lado do oceano.

“Estamos escrevendo para lhes pedir para tentar salvar a floresta tropical”. O pedido foi feito por alunos de educação primária da Inglaterra para o WWF-Brasil. Mudança climática, desmatamento e povos tradicionais desalojados foram as preocupações dos alunos, que enviaram nove cartas ao WWF-Brasil. “Estamos zangados por estarem destruindo as florestas tropicais”, dizia um dos alunos.

Os problemas ambientais foram trabalhados na escola Warren Road Primary School, com a participação de crianças de sete a oito anos. “As cartas foram encaminhadas para a Associação Mico-Leão-Dourado, ONG parceira do WWF-Brasil, a fim de serem usadas em um projeto de educação ambiental na Escola Municipal Patrick Marchon Portal, no município Casimiro de Abreu (RJ). Lá, as crianças leram as cartas traduzidas e escreveram aos alunos ingleses. “Olá, querida Hannah, pois é, o Brasil está realmente sendo desmatado (…), mas ainda existem muitas árvores em extinção e animais, mico-leão-dourado, ararajuba, arara-azul”, escreveu uma das alunas.

A professora Cintia Muzy Brito que coordenou as respostas enviadas pelos estudantes brasileiros foi capacitada pelo projeto “Redescobrindo a Mata Atlântica”. Ela também escreveu uma carta à professora inglesa, com informações sobre a flora brasileira e sua formação na área de educação ambiental. “O homem é a maior ameaça à natureza no mundo, não raciocinando seus atos e sendo imprudente a todo momento, visando somente a realização do hoje, deixando de pensar no amanhã, pois se soubessem utilizar os recursos da natureza sem destrui-la e também repondo a ela o que retiram, seria um desenvolvimento sustentável”, explica.

Nos últimos anos, o WWF-Brasil apoiou projetos de educação ambiental da AMLD e, para Venturi, essa parceria permite formar multiplicadores locais para incentivar os adultos e jovens a valorizarem a Mata Atlântica e aparticiparem de ações para a proteção da floresta cada vez mais. “Esse trabalho em rede e ações de engajamento da sociedade proporcionam o ‘pensar globalmente e agir localmente’, essencial para a proteção e a conservação do planeta e das futuras gerações”, conclui.



Fonte: WWF Brasil



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