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Parque na Mongólia abriga os últimos cavalos selvagens do planeta

Compartilhe:     |  7 de junho de 2014

A capital da Mongólia, Ulan Bator, tem 1,4 milhão de habitantes. Como muitas outras cidades, é barulhenta e confusa. Mas fora dali, a Mongólia é diferente de tudo: é o país menos populoso do mundo, não chega a três milhões de habitantes.

Mas ocupa uma vastidão de estepes onde há oito mil anos o cavalo é domesticado. Homem e animal, em uma parceria imbatível.

Gengis Kahn, o fundador do império mongol, é até hoje o herói nacional. Está à frente do palácio do governo e domina o campo em uma estátua de aço de 40 metros de altura.

Quase sempre os guerreiros de Gengis Kahn lutavam em menor número contra exércitos considerados mais poderosos. Mas eles conseguiam a vantagem da surpresa. Isso porque antes do uso da pólvora nas batalhas, os mongóis dominaram como nenhum outro povo do planeta a máquina de guerra mais poderosa: o cavalo.

Sobre as quatro patas mais bem treinadas da época, os arqueiros tinham as mãos livres para atirar flechas. Um mensageiro cavalgava até 600 km por dia, trocando várias vezes de animal. No campo de batalha, guerreiros e cavalos fingiam de mortos. No momento certo, emergiam e atacavam o inimigo.

Como no Ocidente as pessoas expõem a foto de um diploma ou de um casamento, na Mongólia a foto mais importante para eles é a foto com o cavalo. É o cavalo da família.

Soldados do exército montam como se flutuassem. Exageram, tocam o chão sem aterrissar. É de tirar o chapéu. A montaria vira a cabeça deles. Parecem meninos. E é assim que começam. A competição de hoje é para crianças de oito a 12 anos. A ansiedade toma conta dos participantes, como a menina Monkh Chimeg.

Alguns usam capacete, outros vão sem sela e sem sapato, para reduzir o peso. Aumentam a expectativa. Da saída, só vemos um risco de poeira: um percursos de oito quilômetros. Os primeiros chegam. Monkh Chimeg está contente com o nono lugar.

Mas o que dizer de Monkh Tuchig, de um ano e quatro meses? Ela mesma ainda não fala, mas em cima do cavalo deixa qualquer um de boca aberta. Monta a pelo. Mal começou a andar e já se mistura aos outros. Se o cavalo empaca, ela sabe o que fazer. Sem violência, o anjinho conquista o respeito do grandão, 30 vezes maior. Mas a convivência entre homem e cavalo nem sempre foi de amizade.

Os cavalos da raça prezewalski, conhecida na Mongólia como takhi, são sobreviventes de uma história fascinante. No século XIX, cientistas concluíram que os cavalos selvagens estavam extintos no mundo inteiro. Mas o naturalista russo, Nikolai Prezewalski, descobriu remanescentes do takhi. Alguns animais, que receberam o nome do descobridor, foram levados para reservas da Europa. Anos mais tarde, eles desapareceram de verdade das estepes. Mas em 1992, 16 deles voltaram para a Mongólia em uma grande operação.

Chegamos ao parque Hustai. O alojamento tem um museu e um biólogo. Pergunto por que o cavalo prezewalski é tão importante. Ele responde: “Eles são os últimos. Se os nossos animais se perderem, não haverá mais cavalos selvagens no mundo”. Mas este é o lugar onde a esperança vive.

Nossa busca vai fundo nos vales e além de onde o carro chega. Zhol descobre movimentos. Finalmente encontramos. É um macho. Ele está irritado, tenta nos afastar. A atitude é de proteção. O bicho entra na mata, e só aí entendemos a braveza. Do outro lado, está o bando inteiro.

O macho dominante comanda um harém. Fêmeas e filhotes. E mais surpresas: outros bandos. Descobrimos o vale dos cavalos selvagens.

Quando o Przevalski ouviu falar da existência de cavalos indomáveis na Mongólia, se apressou em viajar com a intenção de não desistir da busca. Em 1882, encontrou o que procurava. Mais de 130 anos depois o Globo Repórter fez a mesma viagem para descobrir um magnífico exemplo de conservação. Estamos diante de uma raridade do século XXI, os últimos cavalos selvagens do planeta.

O prezewalski é baixo, o pescoço largo e curto, crina espetada. O comportamento é de bicho na natureza. Às vezes, os cavalos se distraem e os bandos se misturam, mas o líder está atento e não permite. Cerca, separa e toca. A ação dos pastores é essencial para a segurança dos bandos.

O Hustai já tem 300 cavalos selvagens. A cada ano, nascem, em média, 40 novos potros. As imagens das famílias nos dá a sensação de missão cumprida. Nas estepes da Mongólia, a esperança se reproduz outra vez.



Fonte: Globo Repórter



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