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Pediatra explica o que pode estar levando ao aumento de casos de roséola

Compartilhe:     |  16 de abril de 2021

Em 2020, o pediatra Flávio Melo relatou, em suas redes sociais, que parecia estar diagnosticando mais casos de roséola do que as médias registradas em anos anteriores. O suposto surto, à época, não foi comprovado cientificamente, mas um estudo publicado este mês, feito no Japão ao longo do ano passado, aponta que, de fato, houve um aumento no número de casos da doença nos meses de isolamento, por conta da pandemia.

De acordo com o levantamento, os números de internações pela doença não apresentaram alterações significativas entre abril e maio de 2020 e abril e maio de 2015 a 2019. No entanto, de junho a dezembro de 2020, o número de admissões hospitalares aumentou significativamente em comparação com o mesmo período de 2015 a 2019.

O crescimento, ainda segundo os especialistas, pode estar associado ao aumento do contato intrafamiliar pelo trabalho mais frequente em casa. “É sabido que são essencialmente mães, pais e cuidadores que transmitem o herpesvírus 6B ou 7 para os seus bebês, então a principal causa seria exatamente o maior contato domiciliar entre os familiares e bebês”, explica o pediatra Flávio Melo, especializado pelo IMIP/Recife e autor do perfil @flaviopediatra no Instagram.

Roseola infantum – ou exantema súbito – é uma doença infecciosa viral, normalmente benigna. A causa mais frequente para seu surgimento é o vírus do herpes humano tipo 6, mas outros também podem causá-la, como vírus do herpes humano tipo 7, enterovirus, coxsackie vírus A e B, adenovírus e parainfluenza tipo 1. A doença pode afetar qualquer bebê ou crianças, sendo mais comum entre 6 meses e 2 anos de idade.

De acordo com Flávio, a transmissão da roséola ocorre através de gotículas da saliva, normalmente de um dos pais ou cuidadores assintomáticos para o bebê. Os principais sintomas são febre alta, irritabilidade, às vezes diarreia e irritação na garganta por 3 a 4 dias e, depois que a febre desaparece, surgem manchas avermelhadas pela pele.

O pequeno Luca, 10 meses, diagnosticado com roséola há alguns dias, teve como primeiro sintoma da doença uma febre repentina de 38 graus. “Levamos ao médico e nada de inflamação aparente. Ouvido e garganta estavam limpos. Ele ficou três dias com febre alta, e na terceira noite, apareceram manchas no rosto e nuca. Na manhã seguinte, todo o corpo estava manchado – costas, pernas, braço, barriga e cabeça, tudo… Retornamos ao médico e só aí veio o diagnóstico”, conta à CRESCER a mãe do menino, a produtora de eventos Veruska Dondé, de 33 anos.

A família está em isolamento, com os dois pais trabalhando de casa, e acredita que o contágio ocorreu no parquinho do prédio.

Além da febre, Luca ficou irritado, sem apetite e choroso. E não há muito o que fazer para enfrentar a roséola. Segundo o pediatra, o tratamento da doença é feito com medicações para dor e febre, e bastantes líquidos para evitar desidratação, principalmente o leite materno, para bebês que ainda mamam no peito.

Medo em meio à pandemia

Veruska conta que teve receio de levar o filho ao médico, quando apresentou o primeiro episódio de febre, por conta do medo da covid-19. “Estamos saindo quase nada, não faço mercado, não vou a lojas, nem restaurante, nada de farmácia, nem padaria, é tudo delivery…. Saí 30 vezes desde o ano passado, metade consulta e metade vacina do Luca, só. Estou fazendo as “consultas mensais” espaçadas, inclusive”, afirma a mãe. “Foi muito desafiador. Três dias de febre, sem sabermos o que estava acontecendo, e sentindo muita insegurança de ir ao hospital.”

Segundo o pediatra Flávio Melo, não é preciso – necessariamente – correr para o hospital ao sinal de roséola. “Se o bebê estiver aceitando líquidos, tomando direitinho o remédio para febre e sem outros sinais de alerta, pode ser acompanhando em casa. Caso tenha sinais de letargia, recusa de líquidos, recusa dos remédios, aí sim merece avaliação em pronto-atendimento pediátrico”, explica.

A produtora de eventos diz ainda que chegou a considerar que o filho pudesse ter sido contaminado com o coronavírus. “Achei que poderia, sim, ter sido contaminado, mesmo com os milhões de cuidados que estamos tendo… Ou ainda achei que fosse algo pós-covid, caso ele tivesse tido sem sintomas. E nesse caso fiquei ainda mais preocupada, pois tenho visto relatos de síndromes de inflamações respiratórias… E meu medo é que tudo isso é novo… Os procedimentos médicos estão sendo estabelecidos, ninguém sabe ao certo o que fazer, como curar, e isso para mim é apavorante.”

Sintomas de roséola x sintomas de covid-19

Em crianças, além da febre alta, a covid-19 também pode ocasionar manchas vermelhas na pele – inclusive esse pode ser um sinal de alerta para casos da síndrome inflamatória multissistêmica, doença que tem sido associada ao coronavírus e que pode causar sérias complicações a crianças e adultos.

Mas, então, como diferenciar as duas doenças?

Segundo o pediatra, geralmente, no bebê, a covid-19 causa síndrome gripal, com sinais respiratórios, como tosse, obstrução nasal e coriza e, eventualmente, sinais gastrointestinais, além da febre, que pode estar ausente. Já na roséola, geralmente o quadro inicial é somente a febre persistente.

“Outro ponto importante a considerar é que quase sempre o quadro em crianças é secundário a um adulto com sintomas da covid-19, precedendo ou concomitantemente.
Na roséola, só o bebê está doente”, destaca Flávio.



Fonte: Revista Crescer - NATHÁLIA ARMENDRO



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