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Peixes famosos estão contaminados por mercúrio do garimpo no Amapá

Compartilhe:     |  21 de agosto de 2020

As quatro espécies de peixe mais consumidas por indígenas e ribeirinhos do Amapá, tucunaré, pirapucu, trairão e mandubé, são justamente as que contêm maiores concentrações de mercúrio utilizado no garimpo e por isso são um risco para a população.

Segundo reportagem do jornal Mangabay, um estudo, feito em parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz, WWF-Brasil, Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (IEPA) e o Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé),  publicado na Revista Internacional de Pesquisa Ambiental e Saúde Pública, apontou que, por culpa do garimpo, os peixes mais consumidos pela comunidade local e, também aqueles peixes mais comuns na região, apresentam concentração de mercúrio 4 vezes maior do que o limite estabelecido pela OMS. 

No estudo, foram analisadas 428 amostras de peixes entre os anos de 2017 e 2018, em 5 rios do Amapá e em todas elas foram encontradas a presença de mercúrio e, em cerca de 30% delas, o metal estava acima do limite da OMS.

No topo da cadeia

Os pesquisadores destacam que não foi surpresa descobrir que as 4 espécies de peixes mais contaminadas sejam as maiores, as que geralmente ocupam o topo da cadeia alimentar. Isso porque eles se alimentam de peixes menores que, por sua vez, já consumiram algas contaminadas e assim sucessivamente, ao final, a concentração de mercúrio terá se acumulado.

Isso explica por que em peixes onívoros (que se alimentam de carne e plantas) a concentração de mercúrio é menor do que naqueles carnívoros, que se alimentam só de outros peixes.

Segundo Décio Yokota, coordenador executivo adjunto do Iepé, indígenas de pelo menos quatro territórios, Wajãpi, Uaçá, Juminã e Galibi têm como fonte principal de proteína o consumo de peixe e, se alimentam daqueles que vivem na área do estudo, portanto, que estão contaminados.

Consequências para a saúde

É muito grave o que está acontecendo nessa região. Para a maioria destas populações, o peixe é a principal fonte de proteína e o estudo apontou que as consequências são piores para as crianças, e mais danoso ainda para aquelas que ainda nem nasceram, que estão sendo gestadas, podendo ter prejuízos no coeficiente de inteligência que vão se arrastar por toda a vida. Em casos mais graves, o bebê pode nascer com malformações.

Já para os adultos, a ingestão de mercúrio pode levar a problemas motores, como dificuldades para caminhar e tremores nas mãos, alterações na audição, visão e até demência.

Para evitar riscos à saúde, nestas condições, recomenda-se o consumo máximo de 200 gramas de peixes carnívoros por semana e no caso do tucunaré, pirarucu, trairão e mandubé, o consumo ficaria restrito a uma vez por mês!!!

Melhor acabar com o garimpo, sem dúvida.

Como isso infelizmente está fora de questão, os pesquisadores informaram que estão orientando a população indígena e ribeirinha a favorecer o consumo de peixes herbívoros, que apresentam um grau de contaminação menor.

Os pesquisadores ressaltam a importância do desenvolvimento de pesquisas sobre o impacto do garimpo e do mercúrio no bioma local e demais regiões, principalmente no Pará, onde a quantidade de garimpos é enorme, inclusive de forma ilegal.



Fonte: GreenMe - Juliane Isler



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