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Pequenos produtores rurais de MT entregam embalagens de defensivos

Compartilhe:     |  9 de novembro de 2014

Com o objetivo de facilitar que o pequeno produtor devolva as embalagens de defensivos agrícolas vazias, o Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea/MT), o Instituto de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev) e representantes das revendas de defensivos agrícolas organizaram uma coelta itinerante para recolhê-las. O alerta é para o risco da reutilização desses materiais. A expectativa de recolhimento do sistema itinerante é chegar a mais de duas toneladas de embalagens na região Sudoeste do estado.

Mato Grosso é o maior receptor de embalagens vazias de agrotóxicos do país. Segundo dados do Inpev, até outubro desse ano, foram recolhidas mais de 8 mil toneladas no estado, o que é 5% maior que o mesmo período no ano passado. A expectativa é que esse número seja ainda maior até dezembro.

“Em torno de 94% de defensivos comercializados no mercado são devolvidos e o nosso objetivo é chegar a 100% das embalagens comercializadas e estarem sendo devolvidas nas centrais de recebimento do estado”, relata o coordenador técnicos do Cearpa/Inpev, Sidnei Schaffer.

Catarino José da Silva tem um sítio de 30 hectares no assentamento Antônio Conselheiro em Tangará da Serra (MT) e usa em torno de 20 litros de produto químico todos os anos para eliminar as plantas invasoras da horta. Mas, agora com 60 anos, não se sente mais disposto para controlar as plantas daninhas com a enxada. Prefere controlá-las com defensivos agrícolas.

Depois de lavar, ele guardou as embalagens vazias em um depósito nos últimos quatro anos. Como não tinha carro próprio, sempre teve dificuldades para levar o material até a cidade para entregar na central de descarte. “Porque eu colocar isso num saco e levar para a cidade por mais que lave ainda fica um mal cheiro e leva junto com as pessoas não tem como, às vezes até criança. Os ônibus daqui todos derrubados, então temos que ver a necessidade”, diz.

Mas ele conseguiu se livrar do material e fazer o descarte correto assim que soube que perto de casa teria um ponto de recolhimento das embalagens. “Aí ficamos com a consciência mais limpa porque jogar pelo terreiro não jogo”, afirma.

Em Mato Grosso, a legislação autoriza os produtores a armazenarem as embalagens vazias e lavadas em galpões na propriedade para a devolução posterior. A fiscalização é realizada pelo Indea.

A engenheira agrônoma do Indea, Vanusa Ribeiro, explica que há multa no caso de não cumprimento no descarte correto dessas embalagens. “A multa é bem pesada quando o assunto se trata de agrotóxico, então é por isso que estamos fazendo esse trabalho de orientação, tentando lembrar os produtores da importância da destinação correta dessas embalagens tanto para a saúde dele quanto para outras pessoas que estão envolvidas ali no meio da propriedade”, ressalta.

Segundo ela, a multa mínima depende do valor de Unidade Padrão Fiscal (UPF) do mês e gira em torno de R$ 10 mil por ocorrência.

Na propriedade de Luzia da Silva as embalagens ficavam jogadas ao ar livre, sem nenhuma organização. “Olha, aqui tem embalagem até de dois anos. Tem vidro de até dois anos que estavam nos barrancos por aí”, conta ela.

Com a notícia de que haveria um ponto de recolhimento ali perto de suas terras, juntou tudo e levou para dar o destino correto. “Para mim foi uma maravilha, uma bênção, não precisou nem me deslocar daqui para poder levar”, destaca.

A partir de novembro, os agricultores poderão agendar no site no Inpev a entrega das embalagens na central mais próxima. “E ali ele vai ver todas as possibilidades e datas disponíveis para agendar a melhor data para devolver essas embalagens. Não acarretando nas centrais em filas longas, problemas de agricultor não ter agendado”, destaca o coordenador técnicos do Cearpa/Inpev, Sidnei Schaffer.



Fonte: Globo Rural



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