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Perigos da nanotecnologia devem ser avaliados desde o princípio

Compartilhe:     |  17 de novembro de 2018

Os nanomateriais, ou materiais em nanoescala, – nanopartículas, nanotubos, grafeno etc – são uma grande promessa para a medicina, a eletrônica, o tratamento de água e uma variedade de outros campos.

Contudo, quando materiais sintéticos são projetados sem informações críticas sobre seus impactos ambientais desde o início do processo, seus efeitos a longo prazo podem prejudicar esses avanços ou fazer com que o que se acreditava serem avanços se tornem problemas.

Uma equipe de pesquisadores das universidades de Pittsburgh e Yale, nos EUA, espera conseguir mudar isso a tempo.

Mark Falinski e seus colegas traçaram uma estratégia para fornecer aos cientistas de materiais as ferramentas necessárias para realizar as avaliações necessárias de maneira eficiente e no início do processo de design.

Com isso, dentre os milhares de materiais bidimensionais já conhecidos ou que aguardam para ser descobertos, poderão ser selecionados aqueles com menor risco de impacto à saúde e ao ambiente.

Toxicidade

Os engenheiros tradicionalmente se concentram na função e no custo dos produtos que projetam e constroem.

Sem informações para considerar os impactos ambientais de longo prazo, é difícil prever efeitos adversos. Essa falta de informação significa que as consequências não intencionais muitas vezes passam despercebidas até muito depois de o produto ter sido comercializado.

Isso pode levar a ações de remediação nas quais o material é apressadamente substituído por outro que, no final, acaba por apresentar efeitos igualmente ruins ou piores. Ter informações sobre as propriedades de materiais desde o início do processo de design pode alterar esse padrão, defende a equipe.

“Como pesquisador, se eu tiver recursos limitados para pesquisa e desenvolvimento, não quero gastá-los em algo que não será viável devido a seus efeitos sobre a saúde humana. Eu quero saber agora, antes de desenvolver esse produto,” exemplificou a professora Julie Zimmerman.

Banco de dados de seleção

Para isso, a equipe desenvolveu um banco de dados que serve como uma ferramenta de triagem para seleção de nanomateriais ambientalmente sustentáveis. É um gráfico que lista os nanomateriais e avalia cada um por propriedades como tamanho e forma, e por características de desempenho, como toxicidade e atividade antimicrobiana. Essa informação permitirá aos pesquisadores pesar os diferentes efeitos do material antes de realmente desenvolvê-lo em produtos práticos.

“Embora a seleção de materiais seja um processo bem estabelecido, essa estrutura oferece duas importantes contribuições relevantes para projetar os produtos de amanhã: Ela inclui nanomateriais artificiais juntamente com as alternativas convencionais, e fornece métricas ambientais e de saúde humana para todos os materiais,” disse Leanne Gilbertson, membro da equipe.

“Por exemplo, se eu quiser fazer uma boa nanopartícula de prata antimicrobiana e quiser que ela exija a menor quantidade de energia possível para fabricar, eu posso usar essa estratégia de seleção de materiais,” disse Falinski.



Fonte: Inovação Tecnológica



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