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Pescadores usam smartphones para monitorar cardumes em lagos do Acre

Compartilhe:     |  29 de junho de 2015

No município de Feijó, no Acre, quando os pescadores saem dos lagos com o barco repleto de peixes, param por alguns instantes e conversam com voluntários com celulares nas mãos. Eles passam informações sobre o tamanho, peso e quais espécies de peixes conseguiram. Há também homens percorrendo os lagos em busca de informações sobre os barcos e tipo de redes usadas. Os dados são inseridos em três aplicativos especiais, instalados nos celulares dos voluntários. Desde fevereiro, o município faz parte do Projeto Pesca Sustentável, do WWF junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que está monitorando a atividade pesqueira e a situação dos lagos e espécies.

Feijó é considerado um dos municípios pioneiros no desenvolvimento de um plano municipal de pesca e que, por isso, tem autorização para pescar o pirarucu. Essa espécie é ameaçada de extinção e só pode ser comercializada se o peixe for pescado em área de manejo autorizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). E por ser uma espécie no topo da cadeia alimentar, que se alimenta de outros animais, entender como está a diversidade de um rio, é entender todo o ecossistema que envolve o pirarucu e sua vulnerabilidade.

Segundo Antonio Oviedo, especialista em pesca do WWF e idealizador do projeto, os smartphones estão facilitando o entendimento de como é a pesca em Feijó, tanto do pirarucu como de outras espécies. Monitorar a atividade é importante para a preservação ambiental e para os pescadores, mas desde 2009, o governo federal está sem estatísticas pesqueiras na região Norte. “Não temos informação sobre as populações de peixes, a diversidade dos lagos e sobre como atuam os pescadores. E isso é vital quando se quer uma atividade controlada”, diz.

Por enquanto, seis voluntários ficam navegando pelos lagos e três estão nos portos, onde chegam as embarcações cheias de peixes. O WWF ofereceu os celulares com um acordo de uso e um treinamento sobre os aparelhos e os aplicativos, já que alguns dos pescadores nunca tinham usado um. Os aplicativos não precisam estar conectados com a internet, mas uma vez por mês, Antonio se reúne com o grupo de voluntários e eles fazem um levantamento e análise de dados que, aí sim, são inseridas em um sistema online.

Um dos dados importantes que o levantamento mostra é a quantidade de peixe obtido no período do defeso. Durante a época de reprodução desses animais, cada pescador tem o direito de trazer dos lagos no máximo 10 quilos por dia – considerado o suficiente para uma pesca de subsistência. Se o pescador está dentro da norma, tem o direito de ganhar o seguro-defeso do governo federal, que equivale a um salário mínimo. E os aplicativos agora os ajudam a provar isso. Ou, no caso de pesca além do limite, de adverti-los.

Todos esses dados conseguidos pelos aplicativos têm ainda um objetivo maior: com a cadeia da pesca monitorada, em breve o município de Feijó poderá obter uma certificação que prova a sustentabilidade e a conformidade da cadeia pesqueira. “O rio é a grande fonte de sobrevivência das comunidades ribeirinhas. O pescador é o guardião desses rios e agora são também guardiões do conhecimento e das informações”, diz Oviedo.



Fonte: Época - Blog do Planeta - THAÍS HERRERO



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