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Pesquisa avalia impacto ambiental dos dejetos do gado confinado

Compartilhe:     |  27 de junho de 2014

Anualmente, o Brasil abate em torno de quatro milhões de bovinos em confinamentos, atividade que praticamente dobrou a quantidade do gado existente para se utilizar nesse sistema nos últimos 20 anos. A informação está na pesquisa de Ciniro Costa Junior, Emissões de metano e óxido nitroso pelo manejo dos dejetos de bovinos de corte confinados no Brasil: caracterização, medidas experimentais e modelagem matemática, defendida no dia 4 de junho, no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, em Piracicaba. A pesquisa foi toda desenvolvida no Laboratório de Biogeoquímica Ambiental do Cena e avaliou a quantidade de gases de efeito estufa proveniente dos dejetos gerados em diversas fazendas de corte existentes no Brasil, onde os animais vivem apenas seus últimos 90 dias confinados.

Detentor do maior rebanho do planeta, o Brasil também é um dos principais produtores de carne bovina do mundo, sendo que aproximadamente 10% dos animais abatidos provêm de confinamentos. Como esse sistema de produção tem aumentado significativamente nas últimas duas décadas, as preocupações ambientais relacionadas às emissões de gases de efeito estufa provenientes do manejo dos dejetos desse rebanho cresceram concomitantemente nas mesmas proporções.

“O projeto de doutorado procurou analisar e entender qual o impacto proporcionado pela atual forma de manejo dos dejetos em confinamentos de gado de corte no País, desde a excreção nos currais até sua aplicação no campo. Baseado nisso, busquei avaliar qual o efeito que mudanças no sistema de manejo teriam em relação a essas emissões”, explica o pesquisador, que teve a orientação do professor Carlos Cerri.

O estudo, que durou quatro anos e produziu um conjunto de dados estatísticos sobre a pecuária de corte confinada brasileira, teve início ao investigar 73 confinamentos, que juntos mantinham cerca de 830 mil animais convivendo nesse sistema, em 2010. As análises realizadas nessas fazendas de corte constataram que a forma de manejo mais comum realizada no Brasil é a limpeza do curral ao final do ciclo de engorda, que dura cerca de 90 dias, com a estocagem dos dejetos em montes, entre dois a seis meses, e sua posterior aplicação no campo.

Compostagem

“Verificamos que apenas 20% dos animais avaliados tiveram seus dejetos compostados e em apenas uma fazenda o esterco era tratado em biodigestores anaeróbios, gerando energia e biofertilizante”, conta. Com auxílio de um modelo matemático, desenvolvido na Universidade de New Hampshire (Estados Unidos), associado a experimentações promovidas em dois confinamentos no Brasil, para estudar potenciais alternativas de como mitigar esses gases, concluiu-se que o aumento na frequência da limpeza dos dejetos nos currais e sua aplicação parcelada no campo contribuem para a diminuição em cerca de 75% das emissões totais de gases de efeito estufa provenientes dos dejetos.

“Esse número é muito significativo se lembrarmos de que essas mudanças na forma de manejo de dejetos podem ser facilmente implantadas na maioria dos confinamentos no Brasil. Porém, as emissões de gases do efeito pelos dejetos podem ser totalmente neutralizadas, ou até mesmo gerarem crédito, pela adoção de um biodigestor”, completa.

Para Costa Júnior, apesar de sua tese apresentar uma das primeiras avaliações dessa natureza sobre a pecuária de corte confinada no Brasil, um número maior de estudos é recomendado para diminuir as incertezas e aprimorar os resultados. “Acredito que este estudo possa gerar novas pesquisas nessa área e contribuir com informações para fortalecimento do Plano ABC, programa de Agricultura de Baixo Carbono, criado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que visa reduzir as emissões de carbono através do incentivo a processos tecnológicos que neutralizam ou minimizam o impacto dos gases de efeito estufa no campo”, conclui.

Mais informações: (19) 3302-0100

(Agência USP)



Fonte: Mercado Ético



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