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Pesquisa identifica abelha nativa capaz de produzir mel branco

Compartilhe:     |  2 de fevereiro de 2021

A abelha sem ferrão, guaraipo, produz o mel a partir de planta carne-de-vaca, nativa da região, mas que está em extinção

Uma pesquisa desenvolvida pela Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul foi capaz de identificar uma espécie de abelha nativa sem ferrão, a guaraipo (Melipona bicolor), capaz de fabricar mel branco. O estudo é feito em conjunto com a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), PUC e Ulbra.

O mel branco, conhecido como mel monofloral feito a partir do pólen de uma planta predominante, é característico do município de Cambará do Sul e bastante apreciado pelo sabor delicado.

Na pesquisa foi possível identificar a principal planta utilizada na produção do mel branco pelas guaraipos: a árvore carne-de-vaca (Clethra scabra), que, assim como a abelha, é uma espécie nativa da floresta de araucárias da região dos Campos de Cima da Serra.

“Analisamos cinco espécies de abelha sem ferrão e constatamos que a guaraipo tem mais de 90% de pólen da carne-de-vaca. Ou seja, essa abelha é quase uma especialista na produção de mel branco”, destaca a pesquisadora e coordenadora do estudo, Sidia Witter.

“No Rio Grande do Sul, tanto a guaraipo, quanto a carne-de-vaca estão ameaçadas de extinção, o que significa que o mel produzido por esta abelha também corre o risco de desaparecer”, alerta Sidia.

A investigação sobre a espécie foi sugestão de um meliponicultor da região que, a partir das próprias observações, já havia notado que esta espécie de abelha nativa também produzia mel branco.

“Conduzimos uma pesquisa na propriedade do Sélvio Carvalho, que é um apicultor conservacionista que cria abelhas sem ferrão em Cambará do Sul. Foi a partir do conhecimento dele que fomos buscar a identificação dos pólens que davam origem a esse mel branco. Esse trabalho já está sendo realizado há vários anos na propriedade, mostrando uma parceria entre pesquisador e produtor”, diz Sidia.

Com o estudo, foi possível subsidiar a indicação geográfica na forma de Denominação de Origem (DO) para o mel branco de Cambará do Sul. Esta denominação é o nome geográfico de país, cidade, região ou localidade do seu território, que designe produto ou serviço cujas qualidades ou características se devam exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico, incluídos fatores naturais ou humanos.

Além disso, as descobertas feitas pelo estudo possibilitaram novos projetos de pesquisa, que estão atualmente em fase de captação de recursos. O escopo destas pesquisas aborda desde a biologia e ecologia das guaraipos, passando pela análise físico-química dos méis produzidos pelas abelhas sem ferrão, até a produção de mudas de carne-de-vaca.

De acordo com Sidia, a ideia é promover a meliponicultura sustentável utilizando abelhas e plantas nativas para diversificar a produção agrícola e agregar à propriedade rural. “As abelhas sem ferrão são muito presas às condições ecológicas das regiões que elas habitam, então a finalidade é conservar as abelhas nas áreas de ocorrência natural, mas pensando também numa forma de o meliponicultor agregar renda à pequena propriedade”, finaliza.



Fonte: Canal Rural



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