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Pesquisa mostra que homens se importam menos com o câncer de pele

Compartilhe:     |  21 de dezembro de 2018

Embora o Ministério da Saúde recomende o uso do protetor solar diariamente para prevenção do câncer de pele, uma grande parcela dos brasileiros, em especial o público masculino, parece não estar tão preocupada assim. De acordo com  a pesquisa ‘Sua pele fala – sinais suspeitos e o carcinoma de células de Merkel’, apenas 36% dos homens fazem uso do protetor. Realizada pelo Ibope Conecta, o levantamento ouviu 2 mil internautas de todas as regiões do País, a pedido da aliança Pfizer-Merck.

A doença é um tipo raro e agressivo de câncer no qual as células tumorais se formam na camada superior da pele, perto de terminações nervosas. E um dos principais fatores de risco para o carcinoma de células de Merkel (CCM) é a exposição solar excessiva e inadequada.

Homens caucasianos, com mais de 50 anos, compõem o grupo de maior risco1,7 para o CCM. Apesar disso, apenas 20% dos homens (deste público) utilizam o produto todos os dias. Ainda segundo a pesquisa, 38% deles desconhece que verrugas e nódulos de cor vermelha ou arroxeada podem sugerir um quadro de câncer de pele. Entre os que tiveram algum tipo de sinal na pele, 48% disseram ter buscado outro caminho que não fosse a avaliação de um dermatologista.

Manchas na pele podem representar risco de câncer – Reprodução de internet

Detecção precoce

Reconhecer possíveis manifestações do CCM é importante para a detecção precoce da doença, o que contribui para um melhor prognóstico. Já a negligência aos sinais pode dificultar o tratamento, pois esse tipo de câncer tende a crescer rapidamente e a se disseminar para outros órgãos, em função da proximidade com as terminações nervosas da pele.

“A doença é muito agressiva e uma das únicas maneiras de ter um tratamento positivo, com boas chances de sobrevivência, é por meio da identificação da doença ainda nos primeiros estádios. Para isso, é preciso estar atento à própria pele e consultar um dermatologista regularmente”, afirma o médico Elimar Gomes, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Apenas na praia

Grande parte dos homens ouvidos (73%) afirma que aplica o protetor solar apenas de vez em quando ou somente ao frequentar a praia ou a piscina. Entre as mulheres, esse porcentual cai para 46%. Além disso, metade das entrevistadas diz cumprir a recomendação de usar filtro solar diariamente, porcentagem que é de 36% para o total de respondentes da pesquisa.

“Com a proximidade do verão, é importante o cuidado redobrado com a pele. Evitar exposição excessiva ao sol entre 10h e 16h, proteger o rosto com chapéu ou boné e usar protetor solar de largo espectro (UVA/UVB), com um elevado fator de proteção solar, todos os dias, são dicas fundamentais”, complementa o dermatologista.

Mulheres mais informadas

As mulheres também são as mais informadas em relação aos sinais do câncer de pele e 66% delas estão cientes de que verrugas e nódulos de cor vermelha ou arroxeada podem ser manifestações da doença. A maioria delas diz ter buscado um dermatologista quando identificou um desses sinais na pele. “Sabemos que a mulher vai mais ao médico, especialmente ao dermatologista. Além disso, é mais sensível às medidas de prevenção do que os homens. Esses resultados nos mostram que ainda temos um desafio bastante grande na mudança de hábitos da população masculina”, destaca o médico.

Desconhecimento entre os jovens

A falta de informação se acentua entre as faixas mais jovens ouvidas pela pesquisa. Quase metade dos entrevistados de 16 a 24 anos de idade, ou 49% desse grupo, não sabe que verrugas ou nódulos de cores vermelha ou arroxeada podem ser sinais de câncer de pele. Por outro lado, esse porcentual cai para 23% entre aqueles com 55 anos ou mais de idade. Essa também é a faixa etária em que a ida ao dermatologista diante de sinais suspeitos é mais frequente: 65% desse grupo diz adotar esse cuidado.

Manchas na pele podem representar risco de câncer – Reprodução de internet

Quando se analisa o uso de protetor solar, há poucas diferenças entre as faixas etárias. Entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, apenas 33% aplicam o produto diariamente e a porcentagem é a mesma na faixa etária daqueles com 55 anos ou mais.

Vale lembrar que o CCM costuma surgir nas áreas de pele mais expostas ao sol, incluindo cabeça, pescoço e braços. Mas as lesões também podem aparecer em locais de difícil detecção, como boca, nas cavidades nasais e na garganta. Além disso, os sinais podem ser confundidos com lesões simples, atrasando o diagnóstico.

Novo medicamento

Uma vez identificado, o médico irá indicar o melhor tratamento. Recentemente, o imunoterápico Bavencio (avelumabe) foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil como monoterapia para o tratamento de pacientes adultos com carcinoma de células de Merkel metastático (CCMm).

Sobre o CCM

O carcinoma de células de Merkel também é conhecido como carcinoma neuroendócrino da pele ou câncer trabecular. Outro fator de risco para a doença, além da exposição ao sol, é a infecção pelo poliomavírus de células de Merkel. Na Europa, um total de 2.500 pessoas são diagnosticadas com a doença a cada ano e entre 5% e 12% desses tumores são identificados já em fase metastática. Cerca de 1 em cada 3 europeus com a doença morre anualmente. No Brasil, não há dados epidemiológicos específicos disponíveis para o CCM.



Fonte: O Dia - RENAN SCHUINDT



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