Espécies em Extinção

Pesquisa pode salvar o futuro de araucárias ameaçadas de extinção

Compartilhe:     |  25 de abril de 2015
Araucária 11 (Foto: Arquivo TG)Árvore de araucária é típica do Sul do Brasil e está ameaçada de extinção (Foto: Arquivo TG)

Uma pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) pode salvar o futuro da araucária, espécie conhecida como pinheiro-do-Paraná, e que está na lista das árvores brasileiras ameaçadas de extinção. O estudo levou onze anos para ser colocado em prática, aponta o engenheiro florestal e pesquisador Ivar Wendling.

O projeto consiste em, basicamente, obter um plantio maior da espécie e ter uma reprodução antecipada, o que também garante retorno econômico aos produtores de pinhão – semente da araucária que é encontrado dentro da pinha, que é fruto da espécie.

Imagem mostra pinhas em Araucárias plantadas através do novo processo  (Foto: Divulgação / Embrapa)Imagem mostra pinhas em araucárias
plantadas através do novo processo
(Foto: Divulgação / Embrapa)

A técnica é feita com uso de brotos extraídos da copa de árvores de araucárias adultas. Desde estão, a espécie era plantada somente através da semente – pinhão. As mudas são enxertadas e permitem que produtores obtenham árvores mais baixas, entre dois e cinco metros de altura, segundo o pesquisador.

Em uma situação normal, as árvores de araucária levam, em média, de 10 a 12 metros de altura para começar a produzir. Com o novo processo, os produtores terão a possibilidade de formar “pomares” da espécie, garante Wendling. Por enquanto, o processo foi implantado somente na sede da Embrapa, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba.

O pesquisador destaca que os brotos que são enxertados têm a idade ontogenética’ da árvore de onde foram coletados, então vão se comportar como árvores adultas. As Araucárias demoram normalmente de 12 a 15 anos para começar a produzir. Com a nova tecnolologia, o processo passará a ocorrer em cerca de seis a nove anos, dependendo da árvore.

Mudas são estraídas do broto das árvores (Foto: Divulgação / Embrapa)Mudas são estraídas do broto das árvores
(Foto: Divulgação / Embrapa)

“A ideia é sempre trabalhar com a conservação da espécie mediante o uso. Então, se nós dermos a alternativa para o produtor de usá-la e tirar recurso, renda, ele vai, automaticamente, ele vai plantar mais e preservar a espécie”, ressalta o pesquisador.

Por conta do novo porte das árvores, a novidade também deve reduzir o número de acidentes no momento da coleta, já que alguns produtores acabam escalando as araucárias para colher a pinha, ressalta Wendling. “Como as árvores serão bem mais baixas, os riscos de queda dos produtores, consequentemente, irão diminuir”.

Ainda conform o pesquisador, além do risco de queda, os produtores que colhem a pinha diretamente nas árvores assumem outro risco.

“Pode ser que as pinhas ainda não estejam maduras e que o pinhão ainda não esteja formado. Isso pode prejudicar, acima de tudo, o nascimento de novas árvores”, aponta. O ideal, segundo ele, é colher o pinhão somente quando a pinha cai no chão. Isso acontece naturalmente, indicando que a semente já está “formada” ou “amadurecida”.

Foto mostra Araucárias menores plantadas através do enxerto de mudas e comparadas com as maiores ao fundo  (Foto: Divulgação / Embrapa )Foto mostra araucárias menores plantadas através do enxerto de mudas e comparadas com as maiores ao fundo (Foto: Divulgação / Embrapa )

Outra vantagem desse processo é a possibilidade de saber com antecedência qual o sexo da planta que está sendo gerada, o que na produção de mudas via semente só é possível quando as plantas iniciam o florescimento, com cerca de dez anos.

“Para programas de resgate e conservação da araucária, isso é fantástico, pois, por se tratar de uma espécie dioica, que tem sexos diferentes, é preciso plantas dos dois sexos para proporcionar sua reprodução”, destaca.

De acordo com a Embrapa, a exploração da espécie aconteceu por causa do avanço da fronteira agrícola, do crescimento das cidades, por possuir madeira de qualidade para fabricação de móveis e ser boa matéria-prima para papel e celulose. Por tudo isso, a espécie foi tão explorada que passou a figurar na lista das espécies brasileiras ameaçadas de extinção.

Pinhão em Painel (Foto: Reprodução/RBS TV)Pinhão só pode ser comercializado no Paraná a
partir de 1º de abril (Foto: Reprodução/RBS TV)

Pinhão
Atualmente, a colheita da semente é artesanal e extrativista e ocorre normalmente no final de março a julho. Contudo, uma determinação do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) permite a colheita e comercialização apenas após o dia 1º de abril.

A determinação, conforme o IAP, também é para garantir a preservação da espécie e evitar a comercialização de pinhões que ainda não estejam completamente “maduros”.

Além da questão da data, também foram estipuladas novas regras para a colheita a partir deste ano como: a proibição da comercialização das pinhas imaturas, aquelas com coloração verde e que têm o pinhão com casca esbranquiçada e úmida e o abate dos pinheiros nativos adultos portadores de pinhas nos meses de abril, maio e junho. Quem for flagrado cometendo alguma irregularidade está sujeito a multa.

A iguaria, que é típica do Sul do país, é conhecida pelo aporte de energia e calorias que pode fornecer para trabalhadores, atletas, crianças e adolescentes em fase de crescimento. Mas é seu potencial como alimento funcional que tem atraído o interesse dos pesquisadores. “É um alimento sem glúten, com altos teores de proteínas, fibras alimentares e amido”, explica Cristiane Helm, que também é pesquisadora da Embrapa.

Casca x artesanato
A casca do pinhão, que normalmente é jogada fora após o consumo do pinhão, também pode ser reaproveitada. Uma pesquisa está testando a junção da casca com polipropileno, que dá origem a uma placa com boa resistência química e moldável – que pode ser utilizada em artesanato. Neste caso, a casca do pinhão passa por um processo de secagem e trituração para, então, ser misturada ao polipropileno e ser prensada, formando as placas.

De acordo com Washington Magalhães, que também é pequisador da Embrapa, o polipropileno mais comum é derivado de petróleo, o que tornaria o produto parcialmente ecológico. “Já temos no mercado polietileno à base de cana-de-açúcar, que gera um produto similar, mas com um apelo maior de sustentabilidade”, afirma.

Tecnologia oferecida pela pesquisa permite que as araucárias tenham porte menor  (Foto: Ana Flávia da Silva / RPC )Tecnologia oferecida pela pesquisa permite que as araucárias tenham porte menor (Foto: Ana Flávia da Silva / RPC )
Fonte: G1 PRAdriana Justi


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