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Pesquisador alerta para riscos ambientais da colheita indiscriminada de sempre-vivas

Compartilhe:     |  11 de outubro de 2016

Novos traços sobre a discussão sobre possíveis direitos de comunidades quilombolas em áreas do Parque Nacional das Sempre-Vivas e do Parque Estadual do Rio Preto, localizados na região de Diamantina (MG), foram acrescentados pelo biólogo e pesquisador Lúcio Bedê, em palestra realizada por solicitação da Associação de Defesa do Ambiente ( Amda). O assunto gira em torno de coleta de sempre-vivas nas duas unidades de conservação. O promotor federal, Helder Magno da Silva, e o professor da Universidade Federal de Diamantina, Claudenir Fávero, conhecido como Paraná, alegam que a coleta é atividade de subsistência e pleiteiam retirada de 4.400 hectares do parque estadual e grande parte do nacional para serem entregues a estas comunidades.

Na palestra, Lúcio Bedê, cuja tese de doutorado foi sobre efeitos do manejo extrativista sobre uma das espécies de sempre-vivas ocorrentes no Parque do Rio Preto e que recentemente desenvolveu pesquisas no Parque Nacional das Sempre-Vivas, esclareceu que a viabilidade econômica do extrativismo de sempre-vivas não quer dizer necessariamente sustentabilidade econômica e ambiental, e muito frequentemente, ocorre o oposto.

“Viabilidade econômica do extrativismo de sempre-vivas  (e.g., Comanthera spp) em ambientes silvestres depende fortemente da relação entre o tamanho das populações das plantas – o que é, primariamente, uma função da extensão territorial disponível – e do número de extrativistas. Aliás, isso não é exclusivo das sempre-vivas. Há inúmeros exemplos na literatura científica sobre o extrativismo de plantas e animais que apontam para o mesmo fato”, explica.

Para ele, é justo reconhecer que a maioria dos coletores conhece profundamente o comportamento das plantas e entende os limites necessários do manejo para um extrativismo mais sustentável, nas que na prática esses cuidados não ocorrem, ou ocorrem muito aquém da medida necessária. Ele explica que as razões para isso são várias, mas é fácil entender a dificuldade de manejo ambientalmente sustentável quando se considera que se trata de um recurso disperso sobre amplas áreas; que os coletores frequentemente não tem domínio formal ou governança sobre o recurso, que é temporalmente limitado, e na forma mais difundida do seu uso não tem qualquer valor agregado (vende-se a flor ‘in natura’), o que induz à coleta de grandes volumes para valer a pena o esforço. Lembra ainda que os coletores são eficientes e naturalmente buscam maximizar seus ganhos, colhendo o máximo volume no menor tempo possível. Estes fatores acirram a competição pelo recurso, dificultando a adoção, individual ou coletivamente, de medidas destinadas à sustentabilidade do extrativismo.

O biólogo lembra ainda que o cultivo dessas plantas é viável e simples, e rende mais, por metro quadrado, que o extrativismo em áreas silvestres. “O plantio de sempre-vivas merece ser incentivado como alternativa à exploração de populações silvestres, adotando-se, é claro, as devidas precauções de ordem ambiental”, afirma.

Para Dalce Ricas, as informações do biólogo reforçam a postura da Amda no sentido de que o assunto seja rigorosamente estudado. “Neste contexto há duas coisas certas: diminuir a área dos parques não necessariamente resolverá problemas sociais das comunidades e estes não podem ser ignorados pelo poder público e pela sociedade. Mas certamente há alternativas que podem solucioná-los”, diz.

Acesse aqui o documento na íntegra.



Fonte: Revista Ecológico



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