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Pesquisadores brasileiros usam vespas para combater lagartas

Compartilhe:     |  9 de novembro de 2014

Você sabe o que é bioeconomia? O repórter Tiago Eltz explica o que é e mostra por que o Brasil poderia ser líder mundial neste setor, mas não é.

Pequenininha e destruidora. “Isso está no Brasil inteiro, já é distribuída em todo o nosso território, e é a principal praga há 30 anos na cana-de-açúcar”, diz o diretor comercial Vinícius Lourenço Lopes.

A estimativa é que a lagarta cause um prejuízo de 5% aos produtores de cana no Brasil. Para combater a praga, uma empresa usa um bichinho ainda menor. Dentro de cada envelope tem duas mil vespas. Elas são as inimigas naturais das lagartas.

A lavoura é o campo de batalha dos insetos. Nela, as vespinhas são soltas aos milhares e procuram um por um dos ovos da lagarta. E acabam com eles. O controle da praga é feito de forma natural, sem usar nem uma gota de agrotóxico.

No microscópio, é possível ver o trabalho da vespa. Ela se alimenta do ovo da lagarta e coloca os seus ovos ali. Ela acaba com a praga e não causa dano nenhum à lavoura ou ao homem.

A empresa de biotecnologia que produz as vespas também pesquisa dezenas de outros insetos para fazer o controle natural de pragas, mas reclama da falta de apoio para o setor.

“Pesquisadores, a gente tem. Tecnologia, a gente tem. Porém, a gente não tem incentivo nenhum. Há muito mais incentivo para produzir agrotóxico do que para produzir um conceito biológico”, diz Vinícius Lourenço Lopes.

Vespas são usadas no combate a lagartas (Reprodução TV Globo)De acordo com uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria, esse é o sentimento do setor de bioeconomia, que, além da biotecnologia, engloba ainda o agronegócio e a saúde. Ela foi feita com empresários, políticos e acadêmicos e mostra que, para eles, o Brasil tem vantagens naturais sobre outros países e potencial para se tornar uma referência mundial em bioeconomia. Mas 77% dos entrevistados acham que o país está desperdiçando esse potencial, e 92% reclamam de problemas nas leis brasileiras e da burocracia. Hoje, o prazo médio para se conseguir uma patente no Brasil, por exemplo, é de quase 11 anos.

“Se a gente consegue melhorar esse ambiente regulatório no Brasil, consequentemente, o que a pesquisa nos indica, vamos desenvolver de forma bastante satisfatória o segmento da bioeconomia do Brasil”, comenta Diana Jungmann, coordenadora do Programa de Propriedade Intelectual da CNI.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que o novo marco legal vai desburocratizar o setor. O projeto de lei está para ser votado no Congresso Nacional.

“É uma legislação extremamente moderna, que favorece os dois lados: a pesquisa e o desenvolvimento da indústria. Acho que, com isso, o Brasil dará um passo expressivo para assumir, com regras claras e segurança jurídica, um novo caminho em relação à bioindústria e à conservação da biodiversidade”, conclui a ministra.

O Instituto Nacional de Propriedade Industrial disse que está aumentando o quadro de servidores para diminuir o tempo de análise de patentes.



Fonte: Jornal Nacional



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