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Pesquisadores da UFPB discutem toxidade da Cloroquina e Hidroxicloroquina em boletim informativo

Compartilhe:     |  13 de abril de 2020

O Programa de Educação Tutorial de Farmácia (PET-Farmácia) do Departamento de Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) elaborou um Boletim Informativo sobre a Covid-19, destinado à comunidade acadêmica, aos profissionais da área de saúde e ao público em geral. Ante a pandemia do novo coronavírus, o objetivo principal do trabalho foi decodificar e disponibilizar informação científica de uma forma mais clara para a população.

O trabalho foi coordenado pela professora Leônia Maria Batista, professora titular do Departamento de Ciências Farmacêuticas, do Centro de Ciências da Saúde (CCS), mais o professor Climério Avelino Figueiredo, do Departamento de Fisiologia e Patologia, e uma equipe de alunos bolsistas e voluntários. “Esse boletim tem o objetivo de tornar mais claro e de trazer as informações mais concisas que estão só nos artigos científicos”, explica.

Segundo a pesquisadora, o boletim faz parte das atividades do PET-Farmácia e já é lançado periodicamente, a cada quatro meses, sempre com assuntos que estão em evidência na saúde pública. Em função da pandemia, a Covid-19 foi o assunto escolhido para ser abordado na edição deste mês de abril.

“A gente fez uma coletânea de informações desde o processo histórico, os dados epidemiológicos, tudo baseado em artigos científicos, muito completo, você pode ver que as referências são 2019 e 2020, é o que tem de mais novo, inclusive a discussão dos medicamentos que estão sendo propostos, que a gente sabe que tem muita toxicidade”, afirma a professora.

A edição elaborada pelo PET-Farmácia apresenta processo histórico, epidemiologia, mecanismo de infecção, manifestações clínicas, transmissão, diagnóstico, prevenção e medicamentos que vêm sendo estudados para tratamento da Covid-19 na forma grave da doença, como Cloroquina e Hidroxicloroquina, fármacos utilizados para o tratamento da Malária, Artrite Reumatoide, Lúpus Eritematoso Sistêmico dentre outras afecções.

A professora lembra que oficialmente ainda não existem vacina nem medicamentos para o Covid-19, apenas supostas formas de tratamento. “O que tem são esses supostos estudos e a gente traz a toxicidade dessas substâncias que estão sendo propostas. Todo mundo correu para as farmácias para comprar esse derivado da quina, mas tem uma toxicidade muito grande e está faltando no mercado para quem de fato precisa, para as pessoas que têm Lúpus, Malária e precisam dessa medicação”, alerta a professora.

Ela lembra que o tratamento está em nível experimental e não pode ser usado como prevenção. No boletim, a equipe informa que, devido ao elevado número de efeitos adversos provocados por esses medicamentos, o uso é respaldado desde que seja monitorada a ocorrência de eventos arrítmicos por meio da realização de eletrocardiogramas frequentes.

Manifestações clínicas e prevenção

O material elaborado pelo grupo detalha, entre outros aspectos, as manifestações clínicas da infecção pelo vírus da Covid-19. Ela é marcada por um amplo espectro de indicativos clínicos, que variam de sintomas simples, ou ausência de sintomas a graves acometimentos, diz o boletim.

Ainda conforme o levantamento, nas fases iniciais da infecção ocorrem febre (83% a 98%), tosse (76% a 82%) e mialgia ou fadiga (11% a 44%), bem como dificuldade ao respirar. E os sinais menos frequentes são diarreia, hemoptise (tosse com secreção de sangue), falta de ar, confusão, dor de cabeça, dor de garganta, rinorreia (corrimento nasal), dor no peito, náusea e vômito.

Já entre as informações de prevenção, como isolamento social, higienização das mãos e do ambiente, o material traz informações importantes sobre a efetividade dos produtos sanitizantes indicados para prevenir contágio pelo vírus.

Um exemplo é o efeito do sabão, que consegue destruir o vírus por apresentar característica anfifílica, ou seja, possui uma porção hidrofílica (possui afinidade com a molécula de água e é solúvel nela) e outra hidrofóbica (não absorve ou não se mistura com a água).

Conforme o boletim do PET-Farmácia, a parte lipofílica do sabão, que é solúvel em lipídios, forma um complexo no qual promove o encapsulamento do vírus, devido ao fato de que o microrganismo apresenta uma camada lipídica em seu revestimento, proporcionando assim a atração entre esses componentes e originando estruturas chamadas micelas. Com isso, o revestimento formado desestabiliza a estrutura externa do vírus, resultando na sua destruição.



Fonte: Ascom/UFPB



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