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Pesquisadores descobrem 49 remédios para outras doenças que podem ajudar a combater o câncer

Compartilhe:     |  4 de fevereiro de 2020

Pesquisadores norte-americanos testaram as propriedades de combate ao câncer de mais de 4,5 mil remédios não-oncológicos e encontraram 49 medicamentos destinados a outros tratamentos que mostraram ter alguma capacidade de matar tumores. A descoberta pode ampliar as possibilidades de tratamento da doença.

— Descobrimos que um número surpreendente de medicamentos não-oncológicos são capazes de matar células cancerígenas em laboratório — disse Steven Corsello, do Instituto de Câncer Dana-Farber e do Broad Institute do MIT e da Universidade de Harvard, instituições que lideraram a pesquisa.

Bruce Bloom, da Healx, empresa inglesa que usa inteligência artificial para descobrir medicamentos para doenças raras, disse à agência Reuters que os novos alvos e mecanismos de ação identificados pelos pesquisadores podem ser valiosos não só para criar novas abordagens de tratamento como também para redirecionar medicamentos antigos.

Publicado semana passada na revista “Nature Cancer”, o trabalho é o maior a usar o Centro de Reaproveitamento de Drogas (CRD) do Broad Institute, uma coleção de amostras de mais de 6 mil medicamentos e compostos aprovados pelo FDA (órgão americano equivalente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, no Brasil) ou que passaram por ensaios clínicos em estágio inicial, provando que são seguros nas pessoas. Os pesquisadores testaram os remédios em mais de 550 linhas celulares de câncer.

— Testamos 4.518 compostos neste experimento no total — disse Corsello, fundador do CRD. — Encontramos 49 medicamentos não-oncológicos que foram capazes de matar seletivamente alguns tipos de câncer e outros não.

Ele vê a abordagem sendo útil de duas maneiras. Em casos limitados em que a droga é promissora o suficiente, o tratamento pode ser rapidamente levado a ensaios clínicos em pacientes com câncer. Mas Corsello acredita que o uso mais provável será identificar alvos moleculares novos e inesperados que possam levar a tratamentos contra o câncer.

Os pesquisadores selecionaram quatro desses 49 medicamentos para submetê-los a mais testes para entender melhor como eles atacaram e mataram células cancerígenas. Os remédios eram para um tratamento para diabetes, um para inflamação, outro para tratamento de pessoas que abusam de álcool e o último para o tratamento da dor causada por artrite em cães.

A maioria dos medicamentos testados atacou o câncer de maneiras novas. A equipe de Steven Corsello planeja fazer estudos com animais em alguns dos remédios para ver quais têm as melhores chances de sucesso em um ensaio clínico, além de testar ainda mais medicamentos contra o câncer em busca de propriedades anticâncer.

Bruce Bloom, que não participou do estudo americano, disse que o artigo publicado na revista “destaca a luta para equilibrar transparência e compartilhamento de descobertas, com requisitos de comercialização fortemente dependentes de patentes para que as terapias cheguem ao mercado”. Para o especialista, o redirecionamento de medicamentos não-oncológicos para esta área pode levar a descobertas ainda maiores.

Para o oncologista Gilberto Amorim, da Oncologia D’Or, não há dúvida de que esta descoberta abre novas possibilidades para o tratamento contra o câncer.

— Mas essa análise é muito preliminar e identifica novos caminhos a serem percorridos por pesquisadores independentes, mas que precisam das agências de fomento à pesquisa para desenvolver esses projetos. Há uma longa jornada a ser percorrida — afirma.

Para o especialista, em tese, o uso destes medicamentos no tratamento contra o câncer pode deixá-lo mais barato pelo fato de a maioria dos remédios já estar sem patente:

— O custo de pesquisa e desenvolvimento é potencialmente menor do que o de uma droga inovadora.

Amorim acredita que muitos novos tratamentos possam ser desenvolvidos com remédios já existentes.

— Há muita coisa a ser descoberta em remédios “velhos”, mas universidades e institutos de pesquisa governamentais têm que fomentar essas pesquisas, que não terão apoio da indústria farmacêutica.



Fonte: Extra



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