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Pesquisadores encontram nova espécie de sagui brasileiro, endêmica do sul da Amazônia

Compartilhe:     |  3 de agosto de 2019

Chamada de sagui-dos-Munduruku, uma nova espécie de sagui foi descoberta no Brasil. O nome é uma homenagem aos indígenas Munduruku e faz referência à distribuição geográfica da espécie, endêmica do sul da Amazônia. Além disso, serve como um aviso de que as florestas das quais ambos bichos dependem estão sofrendo ameaças.

“Aproximadamente metade da área de distribuição dos saguis cai dentro das terras dos Munduruku”, disse Rodrigo Araújo, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e Universidade Federal do Amazonas e responsável pela descoberta. Em entrevista ao G1, Araújo contou como encontrou o animal, pertencente ao gênero Mico. “Logo que observei com binóculos percebi que eles eram diferentes e que poderiam ser uma espécie nova. Os rabos deles eram totalmente brancos, e esta é uma condição muito incomum em primatas na América do Sul.”

O pesquisador teve o seu primeiro encontro com um grupo de três macacos em 2015 e começou a investigar para ver se era realmente uma nova espécie. Para isso, ele realizou expedições em áreas desmatadas, exames com sequenciamento do DNA dos primatas, estudos sobre a distribuição geográfica e ainda visitou museus do Brasil e do exterior.

As informações o ajudaram a comprovar que este sagui é a mais nova espécie da Amazônia brasileira, mas ainda é necessário fazer mais estudos. “Os próximos passos são descobrir quantos saguis-do-Munduruku existem, avaliar o status de conservação deles, e coletar dados sobre comportamentos e dieta da espécie”, declarou. “É preocupante que, assim que descobrimos uma espécie nova, já precisamos nos preocupar com sua sobrevivência.”

Segundo Fabiano Rodrigues de Melo, professor do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Viçosa (MG) e coautor da descrição do sagui-dos-Munduruku, a descoberta mostra o pouco que conhecemos da biodiversidade. “Por se tratar de um primata é algo inovador e mais inesperado ainda. A gente pode usar a descrição de novas espécies para melhorar o delineamento de proteção de áreas dentro da própria Amazônia”, ressaltou.



Fonte: Revista Galileu



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