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Pesquisadores estudam fatores que levam abelhas à morte prematura

Compartilhe:     |  30 de outubro de 2014

Pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale de Belém (ITV) e da CSIRO, agência nacional de pesquisa da Austrália, desenvolveram uma metodologia que permite medir a influência dos fatores que impactam na saúde das abelhas, levando-as à morte prematuramente. Conhecido como Distúrbio de Colapso de Colônias (CCD, na sigla em inglês), o fenômeno tem intrigado cientistas do mundo inteiro. Este é um dos primeiros resultados do trabalho, que vem sendo desenvolvido com colmeias na Amazônia e na Tasmânia.

“Descobrimos uma ‘função de longevidade’, uma espécie de índice de saúde das abelhas. Com essa função, conseguimos medir o impacto de qualquer fator debilitante sobre os insetos e, possivelmente, o ponto crítico de ruptura da estrutura social da colmeia, ou seja, o CCD”, explicou o físico Paulo de Souza, coordenador do experimento. Desde junho, a equipe do físico, que é professor-visitante do Instituto Tecnológico Vale e pesquisador do CSIRO, vem monitorando o comportamento de um grupo de 400 abelhas africanizadas por meio de um microssensor instalado no tórax dos insetos. O experimento está sendo desenvolvido em um apiário de Santa Bárbara do Pará, na região metropolitana de Belém.

Alguns fatores podem explicar a causa do distúrbio, como o uso abusivo de pesticidas nas lavouras; ondas eletromagnéticas emitidas por redes de telefonia celular; mudanças climáticas, particularmente com maior ocorrência de eventos extremos; infestação por praga (a varroa, um ácaro que se alimenta do sangue das abelhas); disseminação da monocultura; poluição do ar; e até o uso de técnicas para aumentar a produção de mel, que estressam e desorientam os insetos.

A metodologia envolve dois componentes principais: os microssensores, que, uma vez instalados nas abelhas, revelam minucias do seu comportamento; e os modelos analíticos que medem a resposta a fatores que as impactam. “Estes modelos são inspirados nas leis da física que explicam o decaimento radioativo. O decaimento ocorre pela diminuição da radiação emitida por elementos radioativos por parte das colmeias, o que ajuda a explicar o seu declínio”, disse Paulo de Souza.

A experiência na Amazônia faz parte de um estudo maior, iniciado por Paulo e sua equipe na CSIRO em setembro do ano passado na Tasmânia, que tenta descobrir as causas do CCD. A doença tem provocado a morte de população das abelhas duas vezes mais rápido do que alguns anos atrás. Nos Estados Unidos, o CCD já provocou a morte de 35% desses insetos criados em cativeiro. Na Amazônia, segundo o coordenador da pesquisa, o problema não é tão grave, mas há indícios de redução das colmeias.

“Avançamos significativamente no entendimento do comportamento destes insetos sociais e de como eles respondem a fatores de estresse. Estamos entrando numa nova fase da pesquisa em que iremos expor as abelhas da Tasmânia a pesticidas em doses subletais (insuficientes para matar) e observar o impacto em toda a colônia. Além disso, iniciaremos ainda neste mês o trabalho com abelhas sem ferrão, nativas da Amazônia, na busca do entendimento da influência de alguns fatores de estresse sobre a saúde da colmeia”, afirmou Souza. As abelhas sem ferrão são essenciais na produção do açaí e na polinização de plantas na região. Segundo o coordenador da pesquisa, que é conduzida por 22 pesquisadores e alunos de mestrado do ITV e de doutorado de universidades australianas, também está em fase final de testes um sensor que gera energia a partir do movimento das abelhas. O equipamento será testado ainda em Belém.


Foto: ©iStock/SumikoPhoto

Polinização

As abelhas são responsáveis por levar o pólen de uma planta para outra, colaborando com a fecundação das flores que, por sua vez, geram novos frutos e sementes. É o processo de polinização. Quando essa cadeia é interrompida, como vem acontecendo por meio do CCD, a reprodução fica comprometida. O que os cientistas do mundo todo estão observando é que muitas abelhas deixam as colmeias e não voltam. Desorientadas, acabam morrendo.

Na pesquisa desenvolvida na Tasmânia, que também conta com o apoio do ITV, serão implantados microssensores em dez mil abelhas até abril de 2015. Segundo o coordenador do projeto, inicialmente os pesquisadores estão se concentrando na análise do uso de pesticida. Na Amazônia, a intenção dos pesquisadores é observar em que medida as mudanças do clima, principalmente a alteração do regime de chuvas, está afetando o comportamento dos insetos.

“Para uma empresa como a Vale, a pesquisa pode auxiliá-la no monitoramento ambiental em áreas de operação e definição de ações preventivas diante de um cenário de mudanças climáticas, reduzindo riscos ao negócio e promovendo o desenvolvimento sustentável na Amazônia”, explicou  o diretor do ITV de Belém, José Oswaldo Siqueira. Além disso, os microssensores podem ser úteis à área de Saúde e Segurança. “Este pequeno chip poderá ser usado como dispositivo de segurança. Instalado nas roupas de empregados que trabalham na manutenção de ferrovia ou em áreas de riscos, a empresa poderá monitorá-los e, assim, evitar acidentes”, exemplificou o pesquisador Paulo de Souza. Na saúde, a tecnologia poderá mapear regiões de alto risco de malária ou dengue, por meio da instalação do microssensor em mosquitos, e, assim, evitar a maior exposição de empregados a doenças.



Fonte: CicloVivo



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