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Pesquisadores obtêm resultado promissor no combate à Aids em universidade de São Paulo

Compartilhe:     |  8 de julho de 2020

Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo obtiveram um resultado promissor no combate à Aids e conseguiram com que um brasileiro esteja há mais de um ano sem sinais do HIV.

O paciente de 36 anos, diagnosticado em 2012, falou com o Jornal Nacional por telefone e não quis se identificar. Ele está desde 30 de março de 2019 sem tomar os remédios contra o HIV e sem sintomas.

“Nesse um ano que eu estou sem a medicação, eu engordei 13 quilos, minha saúde melhorou, meu visual ficou diferente, meu corpo está diferente, as minhas roupas ficaram melhores então toda vez que eu falou que eu engordei, é minha saúde. Para mim é muito emocionante falar porque sou eu em milhões de pessoas nesse mundo.”

Ele faz exames a cada três semanas e mesmo os mais sofisticados que não estão detectando a presença do HIV.

O resultado é inédito, mas os pesquisadores estão cautelosos. Em vez de cura, a palavra que está sendo usada é remissão. O coordenador do estudo diz que ainda é preciso testar mais e acompanhar.

“Por enquanto, a gente não pode afirmar que não exista nenhum vírus no corpo dele, que ainda esteja dormente, e que pode acordar em um determinando momento. O que a gente sabe é que ele diminuiu muito os vírus que a gente poderia enxergar e a gente não enxerga mais nada”, destaca Ricardo Sobhie Diaz, coordenador da pesquisa.

O rapaz é um dos 30 voluntários do estudo da Universidade Federal de São Paulo, que começou em 2015. O grupo de que ele faz parte tomou, além do coquetel convencional, mais três medicamentos que estão sendo analisados. Essa superterapia buscava acelerar a eliminação do vírus no corpo, atacando inclusive células em que o HIV está adormecido ou escondido, coisa que os tratamentos atuais ainda não conseguem, e também fortalecer a imunidade.

Até hoje, no mundo todo, só duas pessoas foram consideradas curadas do HIV e, nos dois casos, foi depois de transplantes. A pesquisa brasileira é a primeira a conseguir um resultado promissor só com o uso de medicamentos. O infectologista Eduardo Sprinz diz que o estudo pode iniciar uma nova era no combate ao HIV.

“É um resultado original, é um resultado não antes alcançado. Isso é muito importante. Se esse resultado permanecer satisfatório mais tempo ainda sem que o vírus volte, vai ser uma grande vitoria.”

Mesmo que os pesquisadores não falem ainda em cura, eles já consideram haver evidências científicas suficientes para afirmar que ela é possível, e que esse estudo pode abrir um caminho para isso. O próximo passo é descobrir como fazer com que esse resultado, obtido até agora com um paciente, chegue também a outros.

Quatro pacientes que passaram pelo mesmo tratamento não obtiveram resultado tão favorável. O vírus continua detectável em exames. Nos próximos meses, a pesquisa será retomada com 60 voluntários, que vão receber a superterapia e mais uma vacina para estimular as defesas do corpo. A ideia é descobrir o que fez a receita dar certo uma vez e repetir.

“Esse paciente está ensinando para a gente que esse caminho pode ser seguido e pode ser aprimorado e talvez a gente esteja perto de fazer com que as pessoas controlem o vírus sem precisar do medicamento”, destaca Ricardo Sobhie Diaz.

“Eu nunca vou deixar de ser um ex-positivo, nunca vou deixar de ser o ex-soropositivo HIV, ou ser o ex- doente mas eu sou o recomeço e a esperança pra muitos”, diz o paciente.



Fonte: Jornal Nacional



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