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Pesquisadores recriam rosto da múmia egípcia de mais de 2,5 mil anos encontrada em Cerro Largo

Compartilhe:     |  14 de agosto de 2019

Com técnicas empregadas em reconstituições forenses, o designer Cícero Moraes reconstruiu, com bases nas pesquisas do grupo que estuda o crânio, a face da primeira múmia egípcia descoberta no Brasil no século 21. Iret-Neferet, como foi batizada, estava no Centro Cultural 25 de Julho, em Cerro Largo, Noroeste do Rio Grande do Sul, e teve a identidade confirmada neste ano pelos estudiosos.

Para fazer a reconstituição em três dimensões, Moraes seguiu os seguintes passos:

  • Marcar as espessuras da pele, em diversos pontos do crânio, com base nas medidas médias de seres humanos;
  • Fazer projeções em linhas, que apontaram o tamanho e posicionamento dos lábios, nariz, olhos, orelhas;
  • Pigmentar a projeção, a partir de uma paleta de cores baseada na população em questão;
  • Incluir a peruca, uma vez que os estudos antropológicos demonstram que o hábito da época era raspar o cabelo, para evitar pragas;
  • E, por fim, elaborar a roupa, também com bases nos estudos.

O resultado foi a projeção em tamanho natural, que pode ser impressa em 3D. “Quando a gente faz reconstrução facial é uma forma de humanizar o trabalho e permitir que as pessoas se identifiquem”, acredita Cícero, autor de projetos como a reconstrução do rosto da múmia Tothmea, de Curitiba, de Dom Pedro I e de Santo Antônio com técnicas de 3D.

Imagem elaborada em software de 3D mostra como seria o rosto de Iret-Neferet, múmia egípcia descoberta em Cerro Largo — Foto: Reprodução/Cícero Moraes

Imagem elaborada em software de 3D mostra como seria o rosto de Iret-Neferet, múmia egípcia descoberta em Cerro Largo — Foto: Reprodução/Cícero Moraes

Sem medo da morte

O professor Édison Hüttner acredita que a reconstrução do rosto de Iret-Neferet ajuda a cumprir um dos objetivos do povo egípcio antigo. “Eles queriam preservar as múmias, para que a alma voltasse. A reconstrução da face dela é significativo quanto a isso, pois, na prática, a gente está preservando [a múmia].

Mostrar à população como era o rosto de uma pessoa que viveu há 2,5 mil anos tem também um significado antropológico para o professor.

“Todos temos medo da morte, que associamos com a imagem do crânio, da caveira. Mas na prática, é a nossa face. Somos nós. Ela [a múmia] nos traz uma mensagem de não ter medo da morte.”

Foi Édison quem descobriu a múmia, durante uma visita ao museu em Cerro Largo. O crânio estava no local há mais de 30 anos, sem que sua origem fosse pesquisada. Na ocasião, obteve a permissão para trazer a múmia para Porto Alegre, onde começou a pesquisar, com um grupo da PUCRS e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).

Múmia poderá ser visitada, a partir do mês que vem, na PUCRS — Foto: Divulgação/PUCRS

Múmia poderá ser visitada, a partir do mês que vem, na PUCRS — Foto: Divulgação/PUCRS

O objeto e seus materiais foram analisados para que se chegasse à conclusão de que se trata de uma múmia egípcia. Uma tomografia chegou a ser feita, para mostrar as características internas da peça.

O crânio pode ser visitado até esta sexta-feira (16), na biblioteca da PUCRS. Depois, voltará para Cerro Largo, onde ficará em exposição, dentro de uma caixa preparada especialmente para ela, relata Hüttner.

As pesquisas de Iret-Neferet, no entanto, não terminam. O professor afirma que tem a intenção de imprimir o modelo elaborado por Cícero, para exposição tanto em Cerro Largo quanto em Porto Alegre.

Além disso, os estudiosos do grupo atualmente pesquisam as origens de fungos e bactérias localizados na múmia. “Podemos descobrir o tipo de doença que ela pode ter tido. Quanto mais resultados tivermos, vamos ter outras características sobre elas”, afirma.



Fonte: G1 - RS



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