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Pessoas expostas a trânsito barulhento têm mais risco de morrer de enfarte

Compartilhe:     |  12 de julho de 2015

Pessoas que vivem expostas ao trânsito barulhento têm mais risco de morrer por causa de problemas cardiovasculares, inclusive enfarte, concluiu estudo publicado recentemente no periódico científico “European Heart Journal”. Em longo prazo, o excesso de ruído pode agravar o estresse, distúrbios do sono e a hipertensão, o que aumenta a chance de doenças surgirem, sobretudo em idosos. Apesar de ter sido realizada em Londres, com 8,6 milhões de pessoas, a pesquisa pode ter seus resultados extrapolados para o Brasil:

— O Rio de Janeiro também é considerado uma megalópole, com todas as complicações em relação ao trânsito. Acredito que a situação aqui não ficaria aquém — opina o cardiologista Stephan Lachtermacher, do Instituto Nacional de Cardiologia (INC).

Segundo o médico, a exposição ao barulho intenso leva à liberação de adrenalina e de cortisol, dois hormônios associados ao estresse.

— Isso sinaliza para o organismo que ele deve ficar alerta, o que tem um preço para o corpo e culmina com a elevação da pressão arterial — diz.

A hipertensão provoca lesão do endotélio, tecido que reveste os vasos sanguíneos. O dano aumenta o risco de formação de placas de gordura nas artérias, problema que pode causar um senfarte agudo do miocárdio (ataque cardíaco) ou acidente vascular cerebral (isquêmico, quando ocorre obstrução de algum vaso, ou hemorrágico, quando ele se rompe).

— Os hormônios do estresse também pioram o controle da glicemia, e quem tem propensão a ter diabetes pode acabar desenvolvendo a doença — acrescenta Stephan Lachtermacher.

Impossibilidade de significação causa estresse

Para o psicólogo Sergio Medeiros, coordenador do curso de psicologia do Centro Universitário IBMR, é necessário que as autoridades desenvolvam políticas de controle da poluição sonora.

— O ruído provoca tensão porque não tem harmonia ou possibilidade de significação. É diferente de uma música, que gera excitação, mas a letra ou a melodia permitem a pessoa se lembrar de algo, por exemplo — afirma Medeiros.

Melhorar o tráfego, estimular o uso do transporte coletivo e conscientizar os motoristas são outras medidas que podem reduzir o excesso de barulho no trânsito.

— Vale ressaltar que o estudo publicado é observacional, ou seja, não estabelece relação de causa e efeito, mas mostra uma associação entre pessoas que vivem em áreas barulhentas e o risco de doenças cardiovasculares — diz Lachtermacher.

O que fazer

Tente se proteger do ruído fechando as janelas do carro ou do ônibus quando estiver no trânsito. Admire a paisagem para ajudar a relaxar a mente.

Inspirar e expirar de forma pausada repercute no sistema nervoso autônomo simpático, diminuindo as respostas de fuga, como a taquicardia, e trazendo calma.

Nos momentos de lazer, evite locais barulhentos. Aproveite para passear em parques protegidos de ruídos, como o Jardim Botânico.



Fonte: Extra - Camilla Muniz



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