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Pesticidas que matam insetos também estão diminuindo a população de aves, alerta estudo

Compartilhe:     |  10 de julho de 2014

Um inseticida polêmico que se tornou um dos pesticidas mais utilizados no mundo foi, pela primeira vez, associado diretamente com a diminuição do número de aves das terras agrícolas. Cientistas na Holanda mostraram que a população de 15 espécies de aves que se alimentam de insetos, como as andorinhas e os estorninhos, têm diminuído significativamente ao longo dos últimos 20 anos, com o aumento do uso de pesticidas neonicotinoides, ou neônicos, que começou a ser usados na década de 1990.

Os pesquisadores disseram que os resultados sugerem que os neonicotinoides, que também são associados à diminuição do número de abelhas e outros insectos polinizadores, pode ter impactos ainda mais negativos sobre o meio ambiente, do que já se acreditava anteriormente.

O estudo é o primeiro a encontrar uma correlação direta entre o produto, fabricado pela empresa alemã Bayer Cropscience, e o declínio de aves em terras agrícolas. A expectativa é que os resultados aumentem a pressão sobre o governo do Reino Unido para mudar sua postura tolerante em relação a neonicotinoides, considerados, até então, seguros para o meio ambiente.

Ecologista da Universidade de Radboud, na Holanda, Caspar Hallmann disse que havia uma ligação forte e estatisticamente significativa entre os níveis de concentrações de uma substância química chamada imidacloprida encontradas em águas de superfície e o registro de diminuição de diversas espécies de aves, como a toutinegra, cotovias e tordos, compilado anualmente pelo holandês ornitólogos.

– Em locais onde a concentração de imidacloprida na água passa de 20 nanogramas por litro, as populações de aves tendem a diminuir em 3,5%, em média, a cada ano. Isto significa que, dentro de dez anos, 30% da população dessas aves estaria em declínio – disse ele. – Esta não é, definitivamente, a prova de que o produto causa as mortes. No entanto, há uma linha de evidência sendo construída para explicar o que está acontecendo. Sabemos que o número de insetos também caiu nestas áreas e que os mesmo são um alimento importante para estas aves.

No mês passado, um grupo separado de pesquisadores analisou centenas de estudos publicados sobre neonicotinoides e descobriu que estavam ligados ao declínio de uma grande variedade de vida selvagem – de abelhas a minhocas e borboletas – que não são as pragas-alvo dos inseticidas.

O mais recente estudo, publicado na revista Nature, procurou analisar as variações das populações de uma grande variedade de espécies de aves em diferentes zonas da Holanda, antes e depois da introdução do imidacloprida em 1995.

– Também levamos em consideração outros fatores que possam estar relacionados ao declínio destas aves. Nossa análise mostra que, com base em nossos dados, o imidacloprida foi de longe o melhor fator explicativo para as diferenças nas tendências entre as áreas – disse o professor Hans de Kroon of Sovon, do Centro Holandês para Campo Ornitologia, que supervisionou a pesquisa.

– Os neonicotinóides sempre foram considerados toxinas seletivas. Mas nossos resultados sugerem que eles podem afetar todo o ecossistema. Este estudo mostra o quão importante é ter bons conjuntos de dados de campo, e analisá-los com rigor – disse o professor de Kroon.

Os pesquisadores não conseguiram encontrar um declínio comparável em aves antes da introdução de imidacloprid e não foram capazes de vincular os declínios em aves a mudanças nos métodos de cultivo ou uso da terra. Eles acreditam que a explicação mais provável é que os neonicotinóides estão causando escassez de alimentos para as aves que se alimentam de insetos, especialmente quando eles estão alimentando seus filhotes.

A União Europeia introduziu uma moratória de dois anos sobre determinados usos de neonicotinóides. No entanto,estes pesticidas são amplamente usados no tratamento de sementes para cultivos aráveis. Eles são criados para serem absorvidos pela muda em crescimento e são tóxicos para o sistema nervoso central de pestes que prejudicam o plantio.



Fonte: Extra - THE INDEPENDENT - O Globo



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