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Pets e plantas: cuidados necessários para uma convivência harmônica

Compartilhe:     |  1 de fevereiro de 2021

Especialistas ensinam como conciliar um lar com plantas e animais. Aprenda como evitar acidentes que podem ser fatais para alguns bichos

Casas com pets e plantas podem ser um pouco conturbadas. Isso acontece porque os animais são curiosos e vão mexer diretamente naquilo que não conhecem ainda. Mas, todo cuidado é pouco. Afinal, os pets são sensíveis e algumas plantas podem machucar, causar alergias ou serem tóxicas para o animal e levar à intoxicação ou até mesmo ao óbito do pet.

De acordo com o médico veterinário e supervisor de capacitação técnico-científica da Premier Pet, Flávio Silva, é comum que alguns animais tenham alergias à vegetação, inclusive à grama. Pode acontecer por conta de produtos despejados na grama para controle de pragas e insetos. “O animal pode apresentar sintomas como vermelhidão na barriga e membros, coceiras e lambeduras nessas regiões também podem ser comuns”, explica Flávio.

Além da grama, as flores e plantas também podem provocar algumas reações. Segundo o médico veterinário, o pet pode apresentar espirros devido à grande presença de pólen.

É importante lembrar que cães e gatos são espécies diferentes e costumam reagir de formas diferentes a certas substâncias. Por isso, leve seu pet ao médico veterinário, para que ele possa dizer se determinadas plantas são ou não tóxicas para o animal.

Quais plantas evitar?

Valéria Cristina Cunha, médica veterinária formada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), conta que casas com pets não devem ter algumas plantas por precaução e por cuidado com a saúde do animal. “Evite as plantas como antúrios, comigo ninguém pode e copo de leite. Causam desde prurido ao toque (coceira) e a ingestão pode levar a edemas, asfixia e morte”, alerta a veterinária.

Segundo a especialista, devem ser evitadas também as plantas costela de Adão, espada de São Jorge, jiboia, bico de papagaio, azaleia, filodendro, folha da fortuna, coroa de cristo e hortênsia. Todas essas plantas podem causar alguma reação ao pet, o que vai fazer muito mal à saúde deles.

Valéria ressalta os principais sintomas que o animal pode ter quando entrar em contato com excesso de agrotóxicos: salivação intensa, vômito, diarreia, vermelhidão e inquietação. “Esses sintomas podem evoluir para convulsões, falta de ar, arritmia, coagulopatias (diminuição nos fatores de coagulação), icterícia (coloração amarelada nos olhos do animal) e óbito”, adverte a médica veterinária.

Dê preferência a plantas resistentes e não tóxicas, como violeta africana, lágrimas de bebê, clorofito, dioneia, areca-bambu ou palmeira de jardim, samambaia-americana, calathea ornata, pata-de-elefante, orquídea e bromélia.

Convivendo com as novidades

A adaptação do pet com as plantas vai contar com a ajuda da educação que o tutor dá. Para esse processo ser mais fácil e mais rápido, Valéria diz que não se deve deixar o animal ver você plantando, pois isso vai gerar curiosidade e, em qualquer oportunidade, o pet vai machucar as plantas. “Gaste a energia dele com passeios, brincadeiras e brinquedos exclusivos para eles. Dê broncas, caso os pegue mexendo para que entendam que ali não pode brincar”, recomenda a veterinária.

Claudia Canales, paisagista e pesquisadora da energia das plantas, diz que é muito importante que, na hora de criar um jardim, seja adaptado tanto para os humanos, quanto para os animais. “A primeira coisa a se pensar é que o jardim é um espaço para a família e isto inclui os pets. Todos têm que ficar felizes no jardim, principalmente eles, porque será um espaço para correr, brincar e tomar um solzinho”, explica a paisagista.

Além disso, ela recomenda não por muitos obstáculos no espaço, como vasos soltos, estátuas e enfeites no caminho. “Não coloque pisos escorregadios, não use plantas tóxicas ou pontudas e tome muito cuidado com a iluminação externa protegendo os fios enterrados e use led, que tenha uma carga baixa, para que eles não sofram choques elétricos”, afirma a paisagista. “Deixe os espaços livres para que eles corram e gastem energia.”

Ao montar o jardim e fazer a adaptação dos pets, ela recomenda que o dono sempre esteja presente. Sem a presença do tutor, há grandes chances dos pets cavarem ou arrancarem algumas plantas. “Cães e gatos têm olfato muito apurado, quando se faz um jardim, tudo é novo, principalmente o cheiro das plantas e da terra”, conta Claudia.

Cautela na hora de escolher

Existem pets mais sensíveis que outros. Por isso, a paisagista recomenda não deixar que seu animal se acostume a brincar com as plantas do jardim, porque pode causar reações aos bichos mesmo que sejam plantas seguras. “E, principalmente, evitar plantas pontudas, isso vai evitar acidentes com os olhos dos animais”, conta.

Carolina da Cruz Forte, 43 anos, engenheira de telecomunicações, tem dois pets: Kafei, um gato, e a Lorena, uma cadela. Ela diz que os dois animais de estimação adoram as plantas, mas de formas diferentes. O gato gosta de cavar para mexer nas pedras, ficar jogando no chão e brincando, e a cadela já prefere comer as plantinhas.

“Então, fiz uma coisa para que nenhum dos dois pudessem comer as plantas, que é colocar tudo para cima. Não tenho nenhuma planta ao alcance da Lorena, mas como o Kafei escala em qualquer lugar, fica um pouco mais difícil esconder as plantas dele”, conta a engenheira.

O Kafei estragou muitas plantas na casa e derrubou vários vasos. Carolina, então, teve de reconstruir o jardim em seu apartamento pensando em maneiras de deixar seu pet longe da vegetação. Por indicação da sua médica veterinária, ela começou a colocar frutas cítricas nas plantas. “Animais não gostam de frutas cítricas, então comecei a cortar rodelas de limão para colocar nos vasos. E percebi que, realmente, onde tinha limão, ele não mexia mais”, conta Carolina.

Ela não tem plantas tóxicas dentro de casa por conta dos seus pets e tenta ao máximo harmonizar a convivência de todos da casa com as plantas. “Seguir alguns passos para que primeiro seu animal não sofra com a planta e nunca deixe de fazer nada que você gosta por causa de outrem, dá para conciliar tudo”, finaliza Carolina.

*Estagiária sob a supervisão de José Carlos Vieira



Fonte: Correio Braziliense - Amanda Silva*



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