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Pinguins na Antártida estão sendo contaminados por bactérias humanas

Compartilhe:     |  20 de dezembro de 2018

As populações de pássaros na Antártida podem ser extintas por turistas que estão transmitindo bactérias para pinguins e outros animais.

Os cientistas analisaram os excrementos de mais de seiscentos e sessenta e seis pássaros adultos entre 2008 e 2011 em quatro locais diferentes em todo o oceano Antártico. O estudo encontrou cepas de bactérias ligadas a humanos, incluindo micróbios resistentes a antibióticos e DNA de uma bactéria que causa intoxicação alimentar.

A “zoonose reversa“, que significa transmissão de doenças entre humanos e animais, tem sido vista em todos os continentes, exceto na isolada Antártida – até agora.

Os especialistas temem que esses patógenos causadores de doenças tenham consequências devastadoras para todas as espécies antárticas, algumas das quais estão ameaçadas de extinção.

Os excrementos foram coletados em locais como Livingston, Marion e Gough Island, e as Ilhas Falkland, que estão nas rotas de migração das aves e tem tido um aumento no número de turistas.

Pesquisadores da Universidade de Barcelona detectaram uma cepa de salmonela tipicamente encontrada em aves de limpeza associadas a áreas urbanas.

Campylobacter jejuni, uma bactéria encontrada nos alimentos e uma das causas mais comuns de intoxicação alimentar na Europa e nos Estados Unidos, foi detectada nos excrementos.

Eles também encontraram uma forma de bactéria gastrintestinal chamada Campylobacter lari, que era resistente a antibióticos como ciprofloxacina e enrofloxacina.

Esses antibióticos são comumente usados em medicina humana e veterinária, o que sugere que os pingüins foram contaminados por pessoas e não pelo ambiente natural.

Os pinguins infectados com patógenos humanos incluíam pinguins-macarrões, pingüins-rei e pingüins-gentoo quase ameaçados.

Outras aves marinhas afetadas incluem petréis gigantes do sul, gaivotas algas e skuas marrons.

Possíveis fontes de transferência de bactérias para os pinguins na Antártida incluem cruzeiros turísticos e postos avançados de pesquisa científica. Até agora a Antártida era o único continente onde essa transmissão não havia sido documentada.

Os autores do estudo observam que pássaros e humanos nas ilhas mais isoladas estão entrando em contato crescente, graças aos centros de pesquisa e ao crescente número de turistas.

“É razoável pensar que o rápido aumento do turismo aumentou o risco de invasão de patógenos”, disse o professor Jacob González-Solís, da Universidade de Barcelona.

“Mais cedo ou mais tarde, a transmissão de um desses patógenos destruirá uma população local de pássaros.”

Os pesquisadores descobriram que as salmonelas normalmente são encontradas em aves de limpeza associadas a áreas urbanas e cepas resistentes a antibióticos nos excrementos, deixando-as vulneráveis a doenças. Outras aves marinhas afetadas incluem petréis gigantes do sul, gaivotas de alga marinha, retratadas aqui, e skuas marrons.

Até agora a Antártica tinha sido o único continente onde essa transmissão não havia sido documentada.

“Medidas estritas de biossegurança são necessárias para limitar os impactos humanos na Antártida”, disse o estudo.

O professor González-Solís observou que é possível que essas aves coletem bactérias de aves domésticas em assentamentos como as Malvinas.

Outras possíveis fontes incluem cruzeiros turísticos e postos avançados de pesquisa científica.

Os turistas são aconselhados a higienizar seus calçados quando visitam a Antártica para ajudar a combater a possibilidade de espalhar doenças.

As conclusões completas do estudo foram publicadas na revista Science of the Total Environment.



Fonte: ANDA - Mariana Duque



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