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Pirâmide, guerreiros e mandalas mudam a paisagem e o ensino em Santo Ângelo

Compartilhe:     |  25 de setembro de 2020

A surpresa começa na entrada. Chumbado aos tijolos retorcidos de colunas salomônicas, o portão de ferro se desmancha no ar, tragado por um inventivo sistema de dobradiças. Abertas as portas da percepção, surge imponente uma pirâmide de 6m20cm de altura, ornada com elementos da cultura asteca. Logo adiante, há 76 canteiros multiformes, desenhando na terra mandalas, serpentinas tribais e círculos concêntricos, todos cultivados com mudas orgânicas. No centro do terreno, dois totens de guerreiros toltecas erguem-se em direção ao céu, abençoando a semeadura espalhada pelos 3,4 mil metros quadrados de exuberância estética e ambiental.  O que à primeira vista parece ser o jardim esotérico de uma civilização perdida é na verdade uma sala de aula ao ar livre: o laboratório de agroecologia da Faculdade Santo Ângelo (Fasa). E tudo começou porque um filósofo estava com vontade de comer alface.

Discípulo de Nietzsche, para quem a “arte existe para que a realidade não nos destrua”, Neimar Marcos da Silva estava no Rio de Janeiro quando a pandemia impôs uma quarentena ao planeta. Havia alugado um apartamento em Copacabana e trabalhava na construção de salas de aula numa escola infantil do Cosme Velho, um dos mais charmosos bairros da cidade. Impedido de continuar a obra, decidiu retornar ao Rio Grande do Sul e permanecer recluso no campus da Fasa em Santo Ângelo.

No município de 80 mil habitantes, situado a 443 quilômetros de Porto Alegre, ele e o irmão, Clairton, conduziam um projeto de expansão da faculdade. A convite do diretor-presidente da instituição, Rafael Rossetto, eles estavam construindo laboratórios ecologicamente sustentáveis baseados em conceitos de permacultura.

Desenvolvida no final do anos 1970, a permacultura é uma técnica de criação de ambientes humanos em sintonia com a natureza. A ideia foi concebida pelos cientistas australiano Bill Mollison e David Holmgren, unindo, no mesmo caldeirão, fundamentos essenciais de ecologia, design, história e arquitetura. Inspirados no cotidiano de comunidades aborígenes, eles estabeleceram parâmetros para o desenvolvimento de sistemas que harmonizem habitação, convivência, economia e produção de alimentos sem agressão ao meio ambiente. É a utopia hippie transformada em ciência. Para Neimar, é a chave para se evitar o colapso ambiental do planeta.

— Dizem que o homem é o câncer da Terra. Penso o contrário: somos a solução para uma vida integrada à natureza. A permacultura é uma ferramenta importantíssima de transição para uma relação mais saudável, harmônica e mais artística com as plantas, com os animais e com os outros seres humanos. Ela traz beleza e produtividade para nós e para as futuras gerações — afirma.

Filho do meio de um casal de pequenos agricultores de Alpestre, quase na divisa com Santa Catarina, Neimar foi o primeiro integrante da família a cursar um curso superior. Formado em filosofia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), tirou diversas fotos com o diploma na mão e distribuiu pelo correio para gáudio dos parentes. Ativista desde a adolescência, já tinha militado no movimento estudantil, fundado companhia de teatro, frequentado aulas de circo, criado uma ONG para trabalhar com crianças surdas, produzido espetáculos e vernissages. Sem disposição para seguir a carreira acadêmica, decidiu ganhar o mundo. E se Sócrates perambulava por Atenas para disseminar seu ímpeto questionador, Neimar decidiu percorrer o extremo setentrional do país em busca de respostas ao espírito indômito.

André Ávila / Agencia RBS
A porta que se desmancha no ar: Rafael Rossetto, diretor-presidente da Fasa, e Neimar Marcos da Silva, idealizador do projetoAndré Ávila / Agencia RBS

“Era como uma missão de vida”

O primeiro passo foi se incorporar à ONG nômade Caravana Arco-Íris pela Paz. Fundada pelo ícone do movimento hippie Alberto Ruz Buenfil, o coletivo mexicano viajava pelas américas com uma trupe de artistas e ativistas sociais ministrando aulas de artes cênicas, sustentabilidade, agroecologia e permacultura. A convite do então ministro da Cultura, Gilberto Gil, Buenfil passou três anos guiando uma ecovila itinerante pelo Nordeste e pela Amazônia, visitando comunidades ribeirinhas, quilombolas, populações isoladas do semiárido e do sertão. O projeto valeu ao grupo o prêmio Escola Viva como uma das iniciativas educacionais mais avançadas do país.

— Era como uma missão de vida. Onde a gente chegava, tinha de adaptar a realidade local para práticas mais sustentáveis — relembra.

André Ávila / Agencia RBS
Neimar com os dois totens de guerreiros toltecas que abençoam a semeaduraAndré Ávila / Agencia RBS

Algumas das técnicas propagadas não eram novidade para Neimar. Em 2004, ele se interessou por um cartaz estampado na Casa do Estudante da UFPel que divulgava aulas de permacultura. Não fez o curso, mas procurou livros e orientações na internet, arriscando algumas experimentações no pátio da casa de um colega. Com a peregrinação, aprendeu teoria e prática, ora montando e desmontando os acampamentos da caravana, ora conduzindo oficinas. Em 2009, quando Buenfil retornou ao México com a caravana, Neimar já dominava praticamente todas as modalidades de bioconstrução.

Dez anos depois, o destino dele se cruzaria com o de Rafael Rossetto. Disposto a aproveitar a Semana do Meio Ambiente para construir uma parada de ônibus sustentável para os alunos da Fasa, Rossetto lembrou de um pessoal que havia erguido uma ecovila em Alpestre, cidade a 250 quilômetros dali. Eram Neimar e Clairton. Em 15 dias, os irmãos entregaram não uma parada de ônibus, mas um lounge de espera.

O nome pomposo faz sentido. Com os mesmos R$ 25 mil que as prefeituras da região pagavam por um terminal comum de quatro metros quadrados e estrutura limitada a um banco com cobertura, eles montaram um espaço 2,5 vezes maior, mais bonito e aconchegante, com lâmpadas e tomadas alimentadas por energia solar. Feita com taipa de pilão, a parada foi erguida em formas de madeirite preenchidas com terra, areia e 10% de cimento. Os bancos são de madeira de reflorestamento. As telhas, manufaturadas com resto de embalagem de creme dental, caixas de leite e resíduos de biomassa de celulose, dão ao telhado um formato paraboloide hiperbólico, semelhante a uma sela. A parada fez tanto sucesso que fotógrafos levam noivas da região até o local para compor books de casamento.

“Rolou uma sinergia”

André Ávila / Agencia RBS
Laboratório de química foi todo feito com pedaços de postes usados de energia elétricaAndré Ávila / Agencia RBS

Há dois anos à frente da Fasa, Rossetto quer fazer da faculdade um modelo de inovação. Com 850 alunos e 10 cursos de graduação, ele está transformando os 94 hectares da antiga sede do seminário Sagrada Família num território de constante experimentação. A sala de leitura terá como entrada um guarda-roupa que pertencera aos padres que ali moravam. Ao abrir a porta do móvel, os estudantes irão descer por um escorregador, tal qual nos livros de fantasia As Crônicas de Nárnia, do escritor irlandês C.S. Lewis. No prédio principal, um colosso de 12 mil metros quadrados em estilo neoclássico, dotado de vertiginosa escadaria vermelha na entrada, Rossetto aboliu as salas de aula. A ideia é transferir todas as atividades pedagógicas para espaços mais amplos, onde alunos e professores sejam desafiados com problemas da rotina profissional. Foi a partir dessas premissas, e encantado com a parada de ônibus que virou lounge de espera, que o diretor encomendou aos irmãos um projeto de ampliação do campus, com a construção de quatro novos laboratórios.

— Rolou uma sinergia. Eles estavam fazendo uma obra aqui, outra em Goiás, outra no Rio. Eu pensei em concentrar todos os modelos de construção sustentáveis num único lugar para que a gente possa ter um campus referência, onde todas as novas construções sejam de bioconstrução — explica Rossetto.

Neimar nunca cursou Engenharia, e Clairton interrompeu os estudos de Arquitetura nos últimos semestres. O aprimoramento profissional veio no dia a dia, colocando as mãos e os pés no barro, inclusive ao lado de celebridades como Sônia Braga, Criolo, Alinne Moraes e Paula Lavigne durante mutirões para construção de casas de pau a pique em assentamentos. Neimar já atuou no setor público, como coordenador do um centro de estudos ambientais da prefeitura de João Pessoa, trabalhou para diversas entidades ecológicas e fundou a própria empresa, a Teokalli Bioarquitetura. Para disseminar os conhecimentos, também criou a Unipermacultura, instituto que já formou mais de 4 mil alunos em aulas a distância ou presenciais, do interior do Rio Grande do Sul aos confins da Amazônia.

Juntos, os irmãos estiveram à frente de projetos por vezes simples, como a construção de fossas sépticas em comunidades rurais sem água tratada, por vezes ambiciosos, como uma igreja de 800 metros quadrados que está sendo erguida com taipa de pilão em Abadiânia, no interior de Goiás. Na mesma cidade, eles construíram o Platô de Urântia. Batizada com o nome de um livro que mistura história, ciência, filosofia e religião para contar a vida de Jesus Cristo, a obra permitiu a transição de uma fazenda tradicional para a produção orgânica emulando o processo inca de cultivo em terrenos íngremes. Para tanto, eles fizeram terraceamento em oito hectares, transformando um morro em uma enorme horta em degraus, sem risco de erosão nem perda de água.

Na hora de conceber os laboratórios da Fasa, Neimar decidiu resgatar um estudo que havia feito para a ampliação da Universidade Federal do Cariri, no Ceará. O projeto acabou interrompido por falta de verbas, mas, na época, a ideia era construir ao menos três prédios, todos com mais de mil metros quadrados e envolvendo as diversas técnicas de permacultura. Replicado em Santo Ângelo, o modelo resultou em laboratórios de física, química e microbiologia avaliados com nota 5 pelo Ministério da Educação, a mais alta outorgada pelo governo.

Primeiro a ser concluído, o laboratório de química tem 112 metros quadrados e foi todo feito com pedaços de postes usados de energia elétrica. A técnica, denominada cordwood, consiste no uso de tocos de madeira rejuntados com barro, areia, palha e um pouco de cimento. A fachada é quase toda envidraçada e o telhado, verde, é coberto por gramado hidropônico para reduzir a temperatura e o ruído interno.

“O lixo é um erro de design, de planejamento”

André Ávila / Agencia RBS
Laboratório de física tem formato geodésicoAndré Ávila / Agencia RBS

O segundo laboratório é o mais intrigante. Em formato geodésico, é composto por mais de 70 triângulos interligados. Trata-se de uma malha de ferro que conecta os polígonos, preenchidos pelo chamado concreto leve, uma mistura de cimento com resíduos de borracha de sandálias Havaianas. O modelo, segundo Neimar, a forma mais fácil de se vencer um vão livre sem exigir esteio central, dispensa tijolos e usa metade do material de construção que seria necessário numa obra convencional.

Destinado ao estudo de física, o prédio tem 112 metros quadrados e é equipado com instrumentos de alta tecnologia, como impressora 3D e cortadeira a laser. As mesas são coletivas, com seis lugares e também em formato de poliedros. O projeto foi baseado na obra do arquiteto norte-americano Buckminster Fuller, autor da Biosfera de Montreal, um museu em formato de cúpula planetária dedicado ao meio ambiente no Canadá. Chamado de papa dos “designers fora da lei”, grupo que prega uma visão holística na arquitetura com uso do mínimo de recursos possível, Fuller é uma das principais inspirações de Neimar.

— Nas nossas pesquisas, não encontramos nenhuma faculdade no mundo com um campus baseado nos princípios da permacultura. Por isso queremos estabelecer aqui um novo paradigma, aproveitando sobretudo coisas que iriam fora, como chinelos velhos, postes antigos. Os designers fora da lei dizem exatamente isso: o problema da sociedade é a falta de planejamento. O lixo é um erro de design, um erro de planejamento — sentencia Neimar.

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O laboratório de microbiologiaAndré Ávila / Agencia RBS

Os outros laboratórios sustentáveis da Fasa são o de microbiologia e o de desenho técnico. Recém-concluído, o de microbiologia é feito de taipa, técnica que consiste num gradeamento de madeira preenchido com barro e palha. O cimento, na proporção de 30%, vai apenas no reboco, para dar acabamento. As telhas são ecológicas e as paredes, entrecortadas por vitrais sextavados que lembram colmeias. A mesma cobertura está sendo usado no laboratório de desenho técnico, ainda em obras. A sala é toda montado com tijolos prensados, cuja composição leva cimento e dispensa queima.

— Um milheiro de tijolos precisa de três arvores adultas para ser queimado. Uma casa pequena exige 6 mil, 7 mil tijolos, o que significa 21 árvores ardendo em chamas. A construção civil é a segunda maior atividade manopoluidora e o cimento, o segundo produto mais consumido pelo homem, só atrás da água. A gente tenta evitar ao máximo, mas uma boa bioconstrução tem de ter um bom sapato e um bom chapéu, então a fundação é convencional e o telhado também é feito com extremo cuidado — esclarece Neimar.

As obras na Fasa começaram em agosto do ano passado. Com outros serviços espalhados pelo país, Neimar deixou o irmão chefiando os trabalhos e foi atender clientes no Centro-Oeste, no Nordeste e no Sudeste. No início de 2020, recém-chegado de Angola, onde ajudou na montagem de uma agroindústria para garantir sustentabilidade econômica e alimentar a orfanatos, foi surpreendido pela pandemia. O campus da faculdade, uma localidade rural a 10 minutos de carro do centro de Santo Ângelo, lhe pareceu o esconderijo perfeito para fugir do coronavírus e ainda ajudar na conclusão dos laboratórios. Ele estava há 10 dias hospedado no hotel-escola da instituição quando, assustado com as notícias inquietantes sobre a evolução da gripe assassina, abordou Rossetto com um pedido:

— Mano, ninguém sabe o que vai acontecer. Posso fazer uma hortinha para garantir ao menos umas verduras?

— Que hortinha o quê! Se é para fazer uma horta, vamos fazer uma horta massa — respondeu o diretor.

Foi o que bastou para Neimar esboçar um croqui e, com a ajuda dos funcionários que residem no campus, sair revirando a terra. Com um compasso de cordas nas mãos, ele desenhou as mandalas e crop circules, aquelas formações redondas que surgem nas lavouras parecendo intervenção alienígena. Cada geometria começou a ganhar vida com o cultivo de 3 mil mudas orgânicas de alface, repolho, tomate, pepino, chuchu, agrião, coentro e tantas outros legumes e hortaliças. Um espelho d’água surgiu para abrigar um viveiro de peixes, ao lado nasceu um banco circular cavado no chão concebido para abrigar uma fogueira no centro, onde repousa uma estrela de David. Na ponta do terreno, foi construído um lago artificial com 120 mil litros de água. Com o passar dos meses, o que seria uma horta pensada para fornecer comida saudável durante o confinamento começou a ganhar contornos de enorme laboratório de agroecologia.

“Tudo aqui tem uma explicação”

André Ávila / Agencia RBS
Detalhes da cultura pré-hispânica sendo ornadas na parede da pirâmideAndré Ávila / Agencia RBS

Trabalhando como voluntário, Neimar viu a flora crescendo quando percebeu que precisaria também de um banco de sementes crioulas, um viveiro de mudas e uma composteira. Versado em rituais xamânicos e na cultura pré-hispânica, decidiu batizar a horta de Jardim de Tenochtitlán, em homenagem à capital asteca que hoje é a Cidade do México, e seguir a arquitetura mesoamericana. Assim, o banco de sementes foi construído em formato de pirâmide e com a técnica de superadobe, em que sacos de polipropileno são preenchidos com solo argiloso e moldados um a um. Com 25 metros quadrados e paredes grossas, enfeitadas com a cabeças do deus Quetzalcóatl, a sementeira é bioclimática: o calor absorvido durante o dia é liberado à noite e o frescor da noite é liberado de dia.

— Tudo aqui tem uma explicação — conta Neimar. — Existe um processo científico, não é mágica. Às vezes, as pessoas olham e falam: “Ah, mas eu não acredito”. Então eu digo para a pessoa ir estudar. Aqui não é magia, é ciência. Existem processos químicos e físicos que justificam cada transformação da natureza.

Ao lado da pirâmide, fileiras de bancos de tijolos imitando o símbolo de internet via wi-fi reproduzem uma ágora grega, para os alunos discutirem in loco as práticas agroecológicas. Diante deles, repousa uma imensa cabeça de olmeca, similar aos 17 monumentos localizados em regiões tropicais do México. Oca, a cabeça tem uma porta atrás e serve como depósito para as ferramentas do jardim.

André Ávila / Agencia RBS
Neimar coma cabeça olmeca similar aos 17 monumentos localizados em regiões tropicais do MéxicoAndré Ávila / Agencia RBS

— Em geral, os espaços de agroecologia nas universidades são pequenos e feios — diz Neimar. — O pessoal junta pneu e garrafa para fazer uma horta, não faz e deixa jogado. Quem olha de longe só vê feiura. Para mim, tem de ser um lugar que o cara olha de longe e diz “eu quero ir lá”. A beleza é uma faculdade inata nossa, por isso eu fiz aqui um trabalho de vanguarda. Quem conhece a história da mesoamérica, a cultura pré-hispânica, a história da arte e entende de design, vai olhar e dizer “uau, isso aqui é muito legal”. Quem não conhece diz “nossa, que bonito”.

Na última terça-feira (22), Neimar deixou Santo Ângelo pela primeira vez desde o início da pandemia. Retomou as viagens pelo país para dar sequência aos projetos. O laboratório está praticamente pronto. Falta erguer o viveiro de mudas, em formato geodésico, abastecer o lago artificial e semear os últimos canteiros. Os pés de alface, agora com quase 40 centímetros de diâmetro, ficam maiores a cada dia que passa. Neimar saboreou vários antes de ir embora. E agora deixa a “hortinha” como legado de um tempo em que a humanidade, confinada, ficou com medo do presente e receosa do futuro.

— Este é um espaço para se resgatar o saber original, para que as pessoas possam se inspirar nas tecnologias sociais e nas culturas tradicionais. É bonito, mas só isso não basta. Tem que permanecer. A pandemia nos mostrou que se quisermos continuar vivendo nesse planeta, é preciso reintegrar o homem com a natureza. A vida depende de arte, sustentabilidade, espiritualidade e ciência — ensina o filósofo do Jardim de Tenochtitlán.



Fonte: GZH - FÁBIO SCHAFFNER Texto - ANDRÉ ÁVILA Imagens



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