Geografia Ambiental

“Planeta dos Macacos”

Compartilhe:     |  20 de dezembro de 2014

Conheça a ilha na Libéria habitada apenas por chimpanzés usados em experiências científicas

Acredite ou não, um versão real do Planeta dos Macacos existe em uma área isolada, localizada nas profundezas das selvas da África Ocidental.

É o lar de dezenas de chimpanzés de laboratório aposentados que, anteriormente, era usado para pesquisas médicas. Estes chimpanzés são praticamente heróis, já que eles conseguiram sobreviver a doenças, duas guerras civis e numerosos exames médicos e experiências.

Os macacos são ex-moradores do Instituto de Pesquisas Biomédicas da Libéria (Vilab II), que desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento de tratamentos para doenças como hepatite, durante a década de 1970. O local foi fechado em meados da década de 2000, devido à crescente pressão de ativistas dos direitos dos animais, e os macacos foram transferidos para uma ilha remota da Libéria no meio do rio Farmington, para viverem, enfim, uma vida tranquila.

A ilha – conhecida popularmente como ‘Monkey Island’ (Ilha dos Macacos) – é o lar de mais de 60 chimpanzés que só permitem que os cuidadores familiares se aproximem. Sua história foi registrada em um pequeno documentário chamado Ilha dos Macacos, feito para promover o filme Planeta dos Macacos: O Confronto, de 2014.

O documentário mostra a jornada do jornalista americano Kaj Larsen à Monkey Island, e suas experiências por lá. Para chegar à ilha, Larsen teve que dirigir 64 quilômetros a partir de Monrovia para a aldeia de Marshall, e depois negociar com os moradores para levá-lo até a ilha em uma de suas canoas.

Depois de negociar tudo por, aproximadamente, R$ 210, ele também teve que oferecer frutas para os chimpanzés. Larsen também foi alertado de que, se ele prezava por sua vida, era melhor não pisar na ilha. “Eles vão te comer cru!”, disseram os moradores. “Quando você é uma pessoa estranha, eles se tornam agressivos”, disse Jerry, um guarda de segurança na ilha. “Mas a única coisa interessante sobre os chimpanzés, é que eles têm medo de água. Eles não nadam, apenas caminham na beira da água”.

Kaj Larsen viajou para o campus Vilab, onde descobriu que mais de 100 chimpanzés foram infectados com doenças infecciosas, de propósito, na esperança de encontrar a cura para elas. Ele entrevistou Betsy Brotman, ex-diretora do Vilab, a fim de aprender mais sobre a instalação. Ela explicou que a Libéria foi escolhida como abrigo por conta de sua grande população de chimpanzés. “Muitas pessoas tinham chimpanzés como animal de estimação”, revelou ela. “E quando eles ultrapassavam uma certa idade, de cerca de cinco anos, eles não eram mais bons animais de estimação. E é assim que nós adquiríamos os nossos animais, até conseguirmos os nossos com idade fértil o suficiente”, disse.

“Eles são a única espécie sensível para a hepatite”, explicou Preston Marx, virologista que trabalhou no instituto. “Uma vez que um chimpanzé contrai hepatite, você começa a precisar de animais normais (que não tenham sido utilizados em experiências). Então eles começaram a ser soltos nestas ilhas. A razão pela qual eles poderiam fazer isso é porque os chimpanzés não sabem nadar. Haviam seis ilhas onde todos os chimpanzés foram liberados”, disse.

Um problema começou a acontecer em 1989, quando cerveja começou a ser fabricada na Libéria, o que resultaria em duas guerras civis sangrentas. O programa Vilab estava em ameaça. No meio de toda a violência, eles lutavam para continuar a investigação e também proteger os chimpanzés que foram lançados nas ilhas. Betsy decidiu ficar, mesmo que isso significasse colocar sua vida em risco, simplesmente porque as centenas de animais precisavam ser alimentados. Eventualmente, ela se viu obrigada a ajudar as vítimas humanas da guerra, também.

Tanto o laboratório e seus funcionários conseguiram se manter ilesos até 1993, quando a guerra civil finalmente chegou à sua porta. Forças terroristas invadiram a casa de Betsy e foram atrás de seu marido Brian, dizendo que ele havia trabalhado para o ex-presidente da Libéria, Charles Taylor. Infelizmente, Brian foi baleado e morto.

Mesmo após o incidente horrível, Betsy se recusou a deixar os chimpanzés e as pessoas que precisavam de sua ajuda. Ela continuou a trabalhar no laboratório e fez isso durante ambas as guerras civis. No fim das contas, não era a guerra, mas a mudança da opinião pública no sentido de experimentação animal que provocou o fechamento do laboratório. Vídeos antitestes foram divulgados, e descreviam os métodos cruéis utilizados em outras instalações.

No final de 1990, os cientistas concluíram que a maioria dos testes em chimpanzés eram mais cruéis do que eficazes. Mas o documentário afirma que a pesquisa que Betsy e sua equipe realizavam na Vilab, levaram a vacinas que salvam vidas até hoje contra a Hepatite B, bem como um método de triagem para hepatite C – duas doenças que, combinadas, afetam milhões de pessoas em todo o mundo e podem matar.

Em 2005, Vilab cedeu, incapaz de suportar a pressão de ativistas dos direitos dos animais. “Eu acho que eles estavam certos”, Betsy admitiu. “Os chimpanzés realmente não devem ser usados em experiências. Eu realmente acredito nisso. Se você estiver indo para fazer um trabalho em chimpanzés, você deve criar um sistema para que, ao final da pesquisa, eles tenham um lugar onde eles possam passar a “aposentadoria”, de modo que possam viver uma vida agradável com o melhor de tudo que estiver disponível”, disse.

E Monkey Island tem tudo a ver com essa ideia. Betsy, junto com um núcleo de apoio, continuam a alimentar e cuidar de todos os chimpanzés aposentados. Um grupo de cuidadores liberianos treinados visitam a ilha todos os dias para levar comida aos chimpanzés, observá-los e garantir que todos os animais estejam bem.

Para a surpresa de Larsen, quando ele fez uma segunda visita à ilha, juntamente com os cuidadores, os chimpanzés foram muito bem receptivos e comportados. “Desta vez, ficou claro que os chimpanzés eram muito familiarizados com os cuidadores e confiaram neles completamente”, disse ele.

“Apesar dos chimpanzés terem sido infectados com doenças como hepatite quando foram originalmente colocados aqui, muitos, se não todos, estão totalmente recuperados”, acrescentou. Os chimpanzés realmente parecem felizes e bem ajustados ao local, que abriga uma história muito interessante.

Fonte: Jornal Ciência – VICE Motherboard Foto: Divulgação



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