Notícias

Planta tóxica pode ter matado 10 toneladas de peixes em rio no AC

Compartilhe:     |  27 de julho de 2014

Uma planta tóxica, conhecida por ‘timbó’, pode ter causado a morte de ao menos dez toneladas de peixes, no Rio Campinas, em Cruzeiro do Sul (AC). O caso está sendo investigado pelo Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), após denúncia feita pela comunidade ribeirinha, na quinta-feira (24). Entre as espécies estão mandi, surubim, piau e bodó. A área contaminada chega a uma extensão de  aproximadamente 7 quilômetros.

Mais de 150 famílias de cinco comunidades diferentes residem ao longo do Rio Campinas, e dependem da pesca para sobrevivência, além de utilizarem também a água do rio para beber, tomar banho e nos afazeres domésticos. A situação preocupa os moradores.

“Esse rio é como se fosse nosso açougue, é daqui que tiramos a nossa comida. Nem as escolas não podem mais fazer merenda para as crianças porque toda água está contaminada dos peixes que estão podres no rio. O cheiro é muito forte”, lamentou o morador da localidade Raimundo Nonato Rodrigues da Silva, de 59 anos.

Água contaminada pode ter matado peixes (Foto: Vanísia Nery/G1)Planta tóxica pode ter matado espécies
(Foto: Vanísia Nery/G1)

O sentimento é compartilhado pelo morador Luciano Silva Cunha, de 25 anos. “Uma situação como essa a gente só pensa na saúde dos nossos filhos e da nossa família. Aqui quando falta uma comida é só ir até o rio e pescar. Agora não sei como vai ser com o peixe todo morrendo”, diz.

De acordo com os moradores, a prática de esmagar e mergulhar a planta na água para matar os peixes é normalmente utilizada pelos índios da região, para facilitar a pesca. No entanto, a comunidade suspeita que, desta vez, exista o envolvimento de pessoas de outras comunidades no crime. Uma equipe do Imac foi na quinta-feira (24) até a comunidade, onde constatou a veracidade da denúncia. O gerente do órgão, em Cruzeiro do Sul, Isaac Ibernon, estima que o rio possa levar mais de 10 anos para se recuperar do dano.

“Esse veneno mata todos os peixes, do grande ao pequeno, são poucos que sobrevivem, normalmente os que estão acima do lugar do envenenamento. São mais de 10 anos para o rio se recuperar e voltar a ser uma fonte de alimentação. Só o tempo e a natureza para recuperar esse dano”, afirma.

O órgão ambiental diz já ter indícios das possíveis pessoas que causaram o dano e afirma que a Fundação Nacional do Índio (Funai) foi comunicada a respeito. Os responsáveis devem ser denunciados ao Ministério Público do Estado, por crime ambiental.

“Comunicamos à Funai porque a parte indígena também é prejudicada, e nós precisamos muito da ajuda da comunidade, pois como não houve flagrante, precisamos identificar para que isso não aconteça novamente”, relatou.

O que é o timbó?
O engenheiro de pesca Wallace Santos Batista explica que o timbó é um cipó trepador encontrado nas mais diversas regiões brasileiras, em especial na região Amazônica e é considerada uma planta ictiotóxica, agindo principalmente através de uma toxina chamada “rotenona” que possui a capacidade de asfixiar e matar peixes em poucos minutos. A planta também é  conhecida como tingui, guaratimbó, timbosipo, timbó iurari, cururu-apé, mata-fome, entre outros.

Porém, ele ressalta que ainda não há estudos conclusivos sobre a sua ação tóxica em humanos. O contato com o cipó pode causar irritação na pele, coceiras e diarréias decorrente no contato com o veneno que se encontra.

“Com aspecto leitoso na raiz do vegetal, afirmam que o timbó pode até causar a morte se ingerida alguma de suas partes vegetativas, ele é um  ictiotóxco pois, na sua constituição química, contém o glucosídeo ‘timboína’. Deste cipó, extrai-se um poderoso químico natural, chamado rotenona, que é empregado no combate de  insetos e pragas na agricultura”, explica.

Ele ainda destaca que o principal problema ocasionado pela utilização do timbó é que, além dos efeitos nocivos ainda desconhecidos, muitos peixes intoxicados afundam, não podendo ser  capturados em águas profundas. Desta maneira, milhares de peixes morrem e aparecem boiando já em estado de decomposição.



Fonte: G1 AC



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

Quetzal: uma ave bela e misteriosa

Leia Mais