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Plástico, bactérias e querosene são encontrados em ostras de Mianmar

Compartilhe:     |  3 de agosto de 2020

Uma colaboração internacional de cientistas liderada pela Universidade da Califórnia em Irvine, nos Estados Unidos, revelou a presença de bactérias e lixo humano na estrutura de ostras que vivem no Arquipélago de Mergui, em Mianmar. O estudo, que será publicado na edição de setembro da Science of the Total Environment, indicou a presença de pláticos, querosene, tinta, talco e até fórmula para bebês no organismo dos animais.

Os pesquisadores utilizaram tecnologia de ponta, como sequenciamento de DNA, para analisar os contaminantes presentes na água do mar e no organismo das ostras. Segundo eles, 5.459 possíveis patógenos humanos pertencentes a 87 espécies de bactérias foram encontrados graças à análise.

Os cientistas também usaram um método conhecido como espectroscopia de infravermelho para examinar as partículas de lixo presentes nas ostras. As 1.225 partículas individualmente estudadas foram divididas em grupos e, de acordo com os pesquisadores, são provenientes de 78 tipos diferentes de materiais contaminantes.

“Enquanto 48% das micropartículas eram microplásticos, muitas outras não eram — e se originaram de uma variedade de materiais utilizados pelos seres humanos para constituir combustíveis, tintas e cosméticos”, Joleah Lamb, professora assistente de ecologia e biologia evolutiva da Universidade da Califórnia em Irvine e coautora da pesquisa, em declaração. “Ficamos particularmente surpresos ao encontrar três marcas diferentes de fórmula de leite em pó, que representavam 14% dos contaminantes dos detritos.”

Perigos
A presença destes microrganismos e detritos na estrutura dos animais é preocupante para a saúde dos próprios animais, é claro, mas também para a dos humanos de todas as partes do mundo. “É importante ter em mente que muitos de nossos frutos do mar são importados do exterior, de lugares que podem estar contaminados, enfatizando a importância de testes e melhorias da qualidade da água costeira em todo o mundo”, disse Raechel Littman, coautora do estudo e pós-doutoranda em ecologia e biologia evolutiva.

As pesquisadoras também destacaram que mesmo o consumo indireto do lixo (principalmente de microplásticos) pode ser perigoso. Ou seja, mesmo que as pessoas não comam as ostras contaminadas, ingerir outros animais que, por sua vez, se alimentaram do molusco, também pode representar perigo.

“Este estudo tem importantes implicações globais”, ponderou o coautor Douglas Rader. De acordo com ele, há fortes evidências de que ostras em outras partes do mundo também estejam contaminadas. “Essas descobertas destacam os riscos da urbanização costeira e a importância do gerenciamento adequado de águas residuais e pluviais.”



Fonte: Revista Galileu



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