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Plásticos e parasitas são encontrados em 60% das sardinhas e anchovas do Mediterrâneo

Compartilhe:     |  16 de julho de 2020

Estudo mostra que 60% das sardinhas e anchovas do Mediterrâneo Ocidental apresentam microplásticos, vermes e parasitas no estômago. Pessoas que se alimentam desses peixes podem estar consumindo essas substâncias e nem imaginam.

estudo em questão foi dirigido pela pesquisadora Marta Coll do Instituto de Ciências Marinhas de Barcelona (ICM-CSIC). De acordo com o El Paíso intuito da pesquisa inicial era descobrir o motivo do declínio populacional de sardinhas e anchovas no Mediterrâneo.

Pesca e mudança climática

Os dois motivos principais desse declínio são a sobrepesca e a mudança climática. Depois foi descoberto que uma das causas desse também está relacionada à presença de microplásticos (plásticos com menos de 5 mm), no sistema digestivo desses peixes.

O resultado dessa pesquisa apontou que 58% das sardinhas e 60% das anchovas carregam elementos poluentes no intestino. Além dos microplásticos, os pesquisadores também encontraram parasitas, larvas e vermes que parecem estar ligados aos microplásticos.

Não é certo ainda, mas os pesquisadores acreditam que uma das possibilidades é a de que os parasitas fixaram-se no plástico e os peixes acabam engolindo tudo. Outra hipótese é a de que os microplásticos concentram-se nas áreas onde há descarga de lixo, onde vivem os parasitas e navegam pelos rios até chegarem aos mares e, consequentemente, nos peixes e outros animais marinhos.

Impacto na saúde

Os pesquisadores estão estudando essas hipóteses e também pretendem descobrir qual o impacto que isso pode ter na saúde humana, uma vez que muitas pessoas consomem as carnes desses peixes. A dúvida agora é se essas substâncias passam ou não para os músculos dos peixes, pois se isso acontecer, influencia toda a cadeia alimentar.

Cristina Romero, especialista nas consequências da degradação do plástico na ICM-CSIC, acredita que é possível sim que parte desses plásticos vá para os tecidos dos peixes, mesmo que o estômago deles seja removido. Ou seja, mesmo que apenas a carne seja consumida, é bem provável que ela também esteja contaminada com o material encontrado no estômago dos peixes.

A matéria do site El País destaca ainda que as sardinhas do Golfo de Alicante e as anchovas do Golfo do Leão estão mais propensas a engolir microplásticos. Contudo, esses não são os únicos animais afetados por microplásticos, pois há registros de camarões com fibras de plástico no estômago e vários outros animais marinhos que sofrem as consequências dessa poluição.

A culpa é nossa

De acordo com um relatório das Nações Unidasjogamos cerca de 13 milhões de toneladas de plástico nos oceanos, matando cerca de 100.000 espécies marinhas. Desde 1950, a produção de plásticos vem aumentando, chegando a 300 milhões de toneladas em 2017.

A solução para esse problema é reduzir a utilização do plástico, mas não apenas os descartáveis, e cuidar para que o descarte desses seja feito de forma correta para não deixar que eles acabem nos rios e mares. Isso porque, uma vez que chegam no oceano, o plástico se transforma em microplástico, é perdido e a situação fica fora do controle.

A especialista Cristina Romero disse que apenas 1% do plástico é contado, os outros 99% são perdidos no fundo do mar, na coluna d’água ou em organismos. Por isso é tão importante implementar medidas de controle para que o plástico não tenha mais o oceano como destino, colocando em risco o ecossistema e a nossa saúde.

Da nossa parte sabemos que devemos diminuir o consumo de plásticos e dar o destino correto aos descartáveis. Porém, não podemos esquecer de cobrar das empresas e autoridades alternativas menos poluentes e estruturas mais eficazes para resolvermos juntos esse problema.



Fonte: GreenMe - Eliane A Oliveira



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