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Pneus: recapagem, recauchutagem, remoldagem e reciclagem

Compartilhe:     |  20 de novembro de 2014

Chegar ao máximo permitido para recauchutagem não significa que seu pneu tornou-se inutilizável

De acordo com dados da indústria pneumática, o Brasil produziu 68,8 milhões de pneus em 2013, aumento de 9,8% com relação a 2012. Esse número foi impulsionado, principalmente, pelo segmento de pneus para veículos de uso industrial, como guindastes e empilhadeiras.

O problema está no caminho que estes produtos tomam depois do uso. Um fator relevante é a questão da saúde pública: o acúmulo de água nos pneus favorece a proliferação de insetos vetores de doenças infecciosas como dengue, febre amarela, elefantíase e malária. O armazenamento inadequado dos pneus torna-se um ambiente favorável a roedores, que transmitem doenças ao homem através da mordedura, fezes e urina.

Após a aprovação da Resolução CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) nº 258/99, ocorreu um avanço significativo na reciclagem de pneus no Brasil, com o desenvolvimento de tecnologias para reutilização, reciclagem e valorização energética.

Esta resolução e a subsequente (CONAMA 301, de março de 2002) instituem a responsabilidade ao produtor e importador, pelo ciclo total da mercadoria, proibindo a destinação inadequada de pneus. Isso obriga os fabricantes e importadores a coletar e dar destino final de forma ambientalmente correta aos produtos que colocam no mercado, na proporção de um pneu adequadamente destinado para cada quatro pneus produzidos.

Existem três formas de “tratar” os pneus para a reutilização: a recapagem, pneu que tem sua banda de rodagem (parte do pneu que entra em contato com o solo) substituída; a recauchutagem, que além da banda de rodagem, substitui os ombros (parte externa entre a banda de rodagem e seu flanco, parte lateral do pneu); e o remoldado que além de substituir a banda de rodagem e seus ombros substitui também toda a superfície de seus flancos.

Além disso, o pneu sem uso pode ser utilizado de várias outras maneiras. Confira abaixo.
Asfalto
Entre os meios de transporte utilizados, o asfalto é o que representa maior impacto ambiental. A incorporação da borracha de pneu à construção do asfalto implica uma redução da demanda do petróleo para esse fim – o petróleo é uma fonte não-renovável de energia.

A adição de polímeros provenientes da borracha de pneus reciclados ao asfalto diminui a suscetibilidade térmica, aumentando a estabilidade do pavimento em altas temperaturas e diminuindo o risco de fraturas e trincamentos em baixas temperaturas. Além disso, confere maior resistência às ações da chuva e proporciona melhor adesão ao agregado asfáltico.

Segundo Jorge A.P. Ceratti, coordenador do Laboratório de Pavimentação da escola de Engenharia Civil da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o asfalto borracha torna-se viável economicamente, se levarmos em conta que, com melhor durabilidade, a estrada que possuir asfalto borracha precisará de reparos em um intervalo de tempo maior do que a que não possui.

Na Região Sul, concessionárias de serviços rodoviários como a Concepa e a Univias já utilizam misturas asfálticas modificadas com os polímeros. Apesar de ser novidade no Brasil, o asfalto com borracha reciclada já é usado em 70% das rodovias do estado do Arizona, nos Estados Unidos. Em todo o território nacional, redes de concessionárias de serviços rodoviários optam pela utilização desse produto na construção e na manutenção de pavimentos asfálticos.

Engenharia civil
O uso de pneus neste segmento pode ser aplicado como barreira em acostamentos de estradas, elemento de construção em parques e playgrounds, quebra-mar, obstáculos para trânsito e, até mesmo, recifes artificiais para criação de peixes.

Uma economia de R$ 54 mil foi possível com a utilização de pneus reciclados de caminhão na construção de uma galeria para escoamento de águas de chuva na Avenida Juscelino Kubitschek e residencial Alvorada, em Araçoiaba da Serra, interior de São Paulo. A prefeitura empregou na obra o novo sistema, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Obras, Agricultura e Meio Ambiente.

As cintas metálicas dos pneus substituiriam tubos de concreto normalmente usados para a construção de galerias deste tipo, que estavam orçados em R$ 72 mil. Com o material reciclado, o custo caiu para R$ 18 mil. As galerias têm uma extensão de oitocentos metros e foram concluídas em agosto.

Regeneração
É o processo de separação da borracha vulcanizada dos demais componentes e sua digestão com vapor e produtos químicos como, álcalis, mercaptanas e óleos minerais. O produto desta digestão é refinado em moinhos até a obtenção de uma manta uniforme, ou extrudado para obtenção de material granulado.

A moagem do pneu em partículas finas permite o uso direto do resíduo de borracha em aplicações similares às da borracha regenerada.

Geração de energia
O poder calorífico de raspas de pneu equivale ao do óleo combustível, ficando em torno de 40 Mej/kg. O poder calorífico da madeira é por volta de 14 Mej/kg. Os pneus podem ser queimados em fornos já projetados para otimizar a queima. Em fábricas de cimento, sua queima já é realidade em outros países.

A Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) informa que cerca de 100 milhões de carcaças de pneus são queimadas anualmente nos Estados Unidos com esta finalidade, e que o Brasil já está experimentando a mesma solução.

A unidade de processamento de xisto (SIX) da Petrobras, localizada em São Mateus do Sul, Paraná, processa 7.800 toneladas de xisto betuminoso por dia, produzindo óleo combustível, gás, nafta e outros através de pirólise a 500ºC. Assim como o pneu inservível o xisto tem alto poder calorífico, mas se for incinerado na forma bruta dificilmente permite a reação completa de queima.

É importante salientar que a emissão de hidrocarbonetos não queimados seja mínima devido às substâncias voláteis que podem ser emitidas. Entre elas estão furanos, antrácenos, dioxinas, bifenois policlorinados e metais pesados, todas altamente carcinogênicas. Dados apresentados pelo relatório da EPA (1997), indicam que a queima a céu aberto de um quilograma de pneu libera 13,1 gramas de voláteis não queimados, 31,7 gramas de semi-voláteis e 14,9 gramas de sólidos orgânicos totalizando 59,7 gramas.

Para contornar o problema de emissões, há projetos que consideram processos de composição térmica que consistem em elevar a temperatura do material até o ponto em que haja volatilização e ocorra fragmentação das cadeias orgânicas maiores. Como resultado obtém-se produtos gasosos, líquidos e particulados, mais adequados à combustão controlada que se dá em outra etapa.

Artesanato
Existem trabalhos artesanais realizados com pneus não utilizados. Eles vão desde os conhecidos chinelos da marca Goóc até puffs e mesas de centro. Há uma página disponível no Facebook de artesanatos produzidos com pneus.

Confira algumas imagens abaixo.

 

Com informações dos portais UFRGS, Setor Reciclagem, Só Biologia, USP.



Fonte: Consumidor Consciente



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