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Polinésios tiveram contato com povos sul-americanos antes dos europeus

Compartilhe:     |  9 de julho de 2020

Um estudo liderado pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, encontrou evidências científicas do contato entre os antigos polinésios e os nativos latino-americanos da região em que hoje é a Colômbia, por volta de 1200. A pesquisa, que corrobora uma teoria há muito especulada pelos historiadores, foi publicada nesta quarta-feira (8) na Nature.

A análise genética de mais de 800 habitantes ao longo da costa do México ao Chile, e de 17 ilhas da Polinésia Francesa revelou a ancestralidade comum entre os dois povos. Tendo como base alguns segmentos hereditários ​​de DNA, os cientistas conseguiram rastrear assinaturas genéticas comuns às pessoas que datam de centenas de anos.

“A [ciência] genômica está em um estágio em que pode realmente dar contribuições úteis para responder algumas dessas questões [históricas] em aberto”, disse Alexander Ioannidis, pós-doutorando de Stanford e coautor do artigo, em comunicado. “Acho realmente empolgante que nós, como cientistas de dados e geneticistas, possamos contribuir de maneira significativa para a nossa compreensão da história humana.”

Uma pista inusitada

Originalmente domesticada nas Américas do Sul e Central, a batata-doce era cultivada em algumas partes da Oceania, incluindo a Polinésia, muito antes da colonização europeia. Quando os historiadores descobriram isso anos atrás, surgiu a hipótese de que os nativos dessas duas regiões do mundo teriam entrado em contato há muitos séculos.

Os pesquisadores acreditam que foram os polinésios que chegaram ao que hoje é a Colômbia. Entretanto, como explicou Ioannidis, também é possível que um ou dois navios latino-americanos tenham saído de seu curso esperado e chegado à Polinésia.

Fato é que, até então, as evidências culturais e a presença de batata-doce na Oceania não foram suficientes para convencer os cientistas de que a hipótese estava correta. A nova análise, contudo, corrobora a ideia e lança luz à questão. “Com essa pesquisa, queríamos reconstruir as raízes ancestrais que moldaram a diversidade dessas populações e responder a perguntas profundas e antigas sobre o potencial contato entre os nativos americanos e as ilhas do Pacífico”, disse Andrés Moreno-Estrada, coautor do estudo e chefe do serviço genômico do Laboratório Nacional de Genómica para Biodiversidade, no México.

Em contrapartida, outros pesquisadores acreditam que a evidência genética não deve ser tida como certeza do contato entre as duas populações — e é por isso que a história pré-colonial destas áreas precisa continuar sendo estudada. “Se você pensa em como a história deste período é contada, quase sempre é uma história da conquista europeia e você nunca sabe sobre mais ninguém”, observou Ioannidis. “Acho que este trabalho ajuda a reunir as histórias não contadas — e o fato de poderem ser reveladas através da genética é muito emocionante.”



Fonte: Revista Galileu



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