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Polipílula: uma saída barata e eficaz para as doenças do coração

Compartilhe:     |  31 de dezembro de 2020

Felizmente, estamos aumentando e muito e nossa expectativa de vida ao longo dos séculos. O ponto que muitos se esquecem de mencionar é que boa parte dos anos vividos a mais nos dias de hoje são acompanhados de doenças crônicas. Boa parte delas é silenciosa, mas também potencialmente fatal. Me refiro a diabetescolesterol alto e hipertensão.

Essa característica de não dar sintomas por anos a fio é um convite para as pessoas acharem que está tudo bem e simplesmente ignorarem ou abandonarem os remédios de uso regular. A questão é que, em muitos casos, as doenças crônicas só são domadas com o apoio das medicações.

A falta de adesão e do uso adequado desses fármacos é um enorme problema de saúde pública — não só no Brasil, mas no mundo todo. Mortes e mais mortes ocorrem devido ao abandono do tratamento. E sabemos que a principal causa de óbitos no planeta são as doenças cardiovasculares.

Mas uma nova luz surgiu na última edição do congresso da Associação Americana do Coração. Um grupo internacional de pesquisadores publicou ali dados do estudo TIPS-3, focado na avaliação de uma polipílula, uma única pílula contendo quatro medicamentos: três para a pressão alta (atenolol, ramipril e hidroclorotiazida) e outro para o colesterol (sinvastatina).

Os cientistas recrutaram voluntários que nunca tinham tido doenças cardiovasculares prévias e os dividiram em grupos. Metade tomou a polipílula. Houve um grupo que, além dela, recebeu aspirina, remédio que impede a formação de coágulos capazes de entupir as artérias.

Não havia compostos contra o diabetes na polipílula. Caso o paciente tivesse necessidade, poderia usar isoladamente um medicamento para controlar a glicose, separado dos demais.

Foram mais de 5 700 pessoas acompanhadas nesse estudo por cerca de cinco anos. Cerca de 40% tinham diabetes tipo 2 e 88%, hipertensão. No grupo que recebeu a polipílula, houve uma redução de 21% no índice de doenças cardiovasculares. Entre aqueles que, além da polipílula, tomaram a aspirina, a redução foi de 31%.

Vale destacar que os medicamentos usados nessa formulação nem de longe são de última geração. E o engraçado (para não dizer trágico) é que, ao fim dos cinco anos, 33% dos pacientes que utilizaram a polipílula haviam parado de tomar a medicação. Em outras palavras: mesmo facilitando ao máximo o uso do remédio com uma pílula 4 em 1, praticamente um terço dos cidadãos demonstrou baixa adesão à novidade.

Chegamos a algumas conclusões com essa história. Primeiro: quem tem uma doença crônica deve seguir também um tratamento crônico. Quanto mais engajados e sérios formos no uso dos medicamentos, mais ganhos teremos à nossa saúde. É claro que não gostamos de tomar remédios todo dia, mas eles podem ser uma necessidade.

Sob a ótica da saúde pública, a polipílula poderá representar uma solução mais barata e efetiva para o controle das doenças crônicas. Mas, de novo, ainda que a ciência avance para facilitar nossa vida, precisamos fazer nossa parte.

(Em tempo: não importa o motivo, se é pelo preço ou por efeitos colaterais, qualquer mudança em qualquer regime de tratamento deve ser discutida com o médico antes).



Fonte: Saúde - Por Carlos Eduardo Barra Couri



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