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População rara de gibões apresenta sinais de recuperação gradual, após medidas de conservação

Compartilhe:     |  7 de junho de 2020

O gibão-de-hainan estava balançando e cambaleando no precipício da extinção. Nos anos 50, havia cerca de 2 mil indivíduos vivendo em Hainan, uma ilha tropical mais ao sul da China, mas 20 anos mais tarde, a caça e a destruição do habitat quase extinguiu a espécie, deixando apenas 7 ou 9 indivíduos. Com medidas de conservação, o primata mais raro do mundo está retornando gradualmente. Mais de 30 gibões-de-hainan habitam a ilha. E conservacionistas fizeram uma grande descoberta: um macho e uma fêmea acabaram de formar uma nova família, o que significa que a população deve crescer mais ainda.

Até recentemente, toda a espécie de gibões-de-hainan (Nomascus hainanus) estava isolada em 1.600 hectares de floresta na Reserva Natural Nacional de Hainan Bawangling. Mas em outubro de 2019, aldeões reportaram terem visto um gibão macho e uma fêmea 8 quilômetros fora da área usual deles. Em novembro de 2019, os guardas florestais da comunidade ouviram o som estridente do gibão, que soa como uma flauta, e dois meses depois eles ouviram a fêmea “piando” junto ao macho, o que os pesquisadores chamam de “dueto”.

“Aparenta que o relacionamento está estável”, disse Lo, um oficial sênior de conservação da Kadoorie Farm and Botanic Garden (KFBG), um centro de educação e conservação com base em Hong Kong, de acordo com Mongabay. “Existem cinco famílias dessa espécie no mundo, então toda formação de família é uma notícia incrível.”

Lo fala que ele também está esperançoso sobre a mudança do casal para uma parte diferente da reserva, que está em uma elevação mais baixa e produz mais figos, lichias e outras frutas que os gibões gostam de comer.
“Nós não sabíamos se era possível expandir a área que os primatas habitavam”, disse Lo. “É como colocarmos todos os ovos em um cesta. Nós também não sabíamos se a área que habitavam já estava com a capacidade total, o que teria limitado o crescimento da população. Então quando encontramos essa pequena família, nós sabíamos que eles encontraram uma maneira de explorar novas áreas, partes não habitadas da floresta, o que é muito importante para a sobrevivência da espécie.

Humanos invadirem o território dos gibões é bem raro agora, os aldeões de vez em quando entram na reserva para coletar recursos oriundos da floresta, mas isso pode ser perturbador par os primatas, afirma Lo. Para garantir a preservação da espécie, a equipe da KFBG ajudou a reforçar as medidas de conservação.

“O ponto chave das medidas de conservação inclui fundar e treinar duas equipes de monitoramento dos gibões, patrocinar pesquisadores para estudar a espécie, conduzir censo populacional anual, plantar as mudas de frutas favoritas da espécie, que são produzidas em um berçário, promover a agricultura sustentável e conduzir atividades de conscientização na comunidade local”, de acordo com Lo em um manifesto. “Com nossos esforços concentrados, a população de gibões de Hainan tem gradualmente se recuperado, formando um terceiro ou quarto grupo familiar em 2011 e 2015, respectivamente.”

Já que existem apenas cerca de 30 gibões no mundo, diversidade genética é uma preocupação. Um estudo apresentou que a diversidade genética nos gibões tem gradualmente caindo desde o século 19, mas experimentou uma desaceleração acentuada nos últimos 30 anos, com uma queda de 30% da diversidade. Sem uma variação no núcleo genético, a espécie pode experimentar problemas de fertilidade e baixa imunidade.

Apesar desta situação, Lo e a equipe de pesquisadores dele dizem que estão esperançosos sobre a preservação da espécie, especialmente com o estabilidade da nova família. Uma vez que os gibões formam um casal, eles habitualmente têm um bebê dentro de um ano, de acordo com Lo.
“Nós estamos bem otimistas sobre o futuro da espécie,” diz Lo ao Mongabay. “Nós queremos animar outros colegas de trabalho no campo. Quando eles se sentirem triste sobre a extinção, [eles podem ver] que ainda existe alguma esperança para a espécie.

Referências:

Chan, B. P., Lo, Y. F., & Mo, Y. (2020). New hope for the Hainan gibbon: formation of a new group outside its known range. Oryx, 54(3), 296-298. doi:10.1017/S0030605320000083

Bryant, J. V., Gottelli, D., Zeng, X., Hong, X., Chan, B. P., Fellowes, J. R., … Turvey, S. T. (2016). Assessing current genetic status of the Hainan gibbon using historical and demographic baselines: Implications for conservation management of species of extreme rarity. Molecular Ecology, 25(15), 3540-3556. doi:10.1111/mec.13716



Fonte: Anda



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