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População terá que aprender a conviver com a escassez de água

Compartilhe:     |  12 de dezembro de 2014

A crise da falta d´água vai gerar uma série de transformações daqui pra frente. Além de obrigar a alteração do comportamento dos consumidores, vai exigir uma agilidade muito maior tanto de governos quanto de empresas para conviver com as consequências das mudanças climáticas.

Nesse contexto, o Sudeste tem muito a aprender com o Nordeste, que convive há tempo com a falta de chuva. E uma prova disso foi dada pelo geógrafo Roberto Bruno Moreira Rebouças, da Universidade Estadual do Ceará que explicou para a plateia de mineiros algumas ações adotadas em seu Estado, durante o Fórum das Águas, realizado a semana passada no Instituto Inhotim, em Brumadinho. A terra de Renato Aragão é a que mais acompanha a situação de suas águas do Nordeste: 90% dos 149 açudes são monitorados.

Rebouças revelou que os reservatórios cearenses em 2009 tiveram 81,9% de água disponível o ano inteiro. “Hoje, temos disponível apenas 27,9% do volume d´água”. O técnico da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará ressaltou os esforços onde foi possível tornar perene 2.500 quilômetros de rios.

Pela experiência do Ceará vale mais a pena a construção de lagos com maior volume d´água do que vários menores, pois esses secam bem mais rápido. Ainda ressaltou que a instalação de cisternas de foi fundamental para a população rural poder contar com água para abastecimento e para a lavoura.

O secretário executivo e ministro do Meio Ambiente do último governo de Fernando Henrique Cardoso, José Carlos Carvalho, frisou durante o evento a importância do fortalecimento dos comitês de bacia, principalmente diante da atual conjuntura. Os comitês de bacia, conforme a Lei das Águas tem como atribuição arbitrar, em primeira instância, os conflitos de uso da água. O colegiado, composto por representantes de governos, usuários e sociedade civil, ainda não exerce o poder que a Lei lhe confere.  Como exemplo, ele citou a situação da disputa pela água do rio Paraíba do Sul, que nasce em Minas e passa por Rio de Janeiro e São Paulo, que teve que ser decidida pelo Supremo Tribunal Federal.

Na sua visão, é preciso incentivar o uso de instrumentos econômicos que estimulem o uso sustentável dos recursos hídricos, como o Pagamento de Serviços Ambientais (PSA). Vale lembrar que situação do Sistema Cantareira não foi pior porque municípios do Sul de Minas que protegem as nascentes de rios, cujas águas vão para o abastecimento da Capital paulista. O município de Extrema aposta na conservação das florestas há mais de 17 anos. Lá o proprietário rural recebe pela “produção de água”.

Carvalho também acredita que a crise vai provocar mudanças.  Com um aumento progressivo da tarifa, por exemplo, as pessoas vão realmente perceber que água é um recurso finito. “Deve pagar menos quem consome menos”, defendeu o consultor do Instituto Inhotim, hoje aposentado dos cargos públicos. Ele avalia que será necessário criar uma “tarifa social”, para aqueles que não esbanjam. Segundo Carvalho, o Brasil consome 180 litros per capita/dia, enquanto a média mundial é de 150litros percapita/dia.

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Silvia Marcuzzo é jornalista e trabalha a temática socioambiental desde 1993. A repórter foi à Brumadinho a convite do evento.



Fonte: Envolverde



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