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Por que a bioplastia de glúteo é o tipo de cirurgia plástica mais arriscado que existe

Compartilhe:     |  8 de setembro de 2018

A cirurgia de preenchimento do bumbum – chamada de bioplastia de glúteo – está ganhando popularidade no mundo todo, com o número de supostos procedimentos mais que dobrando nos últimos cinco anos.

No entanto, segundo a Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos, este também é o tipo mais letal de cirurgia plástica que existe. A operação tem a maior taxa de morte entre todos os procedimentos estéticos.

Tragédias

No Brasil, uma tragédia recente chocou a população: um médico conhecido como “Dr. Bumbum”, Denis Cesar Barros Furtado, foi preso e indiciado pela morte de Lilian Quezia Calixto, bancária de 46 anos que se submeteu a esse procedimento no dia 14 de julho e teve complicações graves horas depois.

Casos parecidos têm ocorrido em outros lugares do mundo. Por exemplo, um médico em Miami foi proibido de operar após a morte de uma paciente durante a cirurgia.

Nos EUA, a operação é chamada de “bumbum brasileiro” e geralmente envolve tirar gordura das áreas do corpo onde ela não é desejada e transplantá-la nos glúteos para ampliá-los.

No caso dos preenchimentos como o que foi feito em Lilian, uma substância conhecida como PMMA – polimetilmetacrilato, um derivado do acrílico reconhecido pela Anvisa e usado em implantes definitivos – é injetado.

Riscos

Injetar gordura ou silicone nas nádegas pode facilmente levar a sérios problemas se feito incorretamente, incluindo embolia.

Os materiais podem entrar na corrente sanguínea e bloquear os vasos. Nos pulmões, podem dificultar a entrada de oxigênio, enquanto no cérebro podem causar um derrame. Ambos podem ser fatais.

Este foi provavelmente o motivo do falecimento de Lilian. O documento informa que ela chegou lúcida ao hospital e contou que tinha sido submetida a um implante de cerca de 300 mililitros de PMMA em ambos os glúteos. No momento do procedimento estético, ela apresentou sinais de taquicardia, dificuldade para respirar e pele azulada, que é um sintoma de falta de oxigenação do sangue. Provavelmente, teve embolia pulmonar.

A causa oficial da morte ainda não foi divulgada, mas André Maranhão, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, alerta que o PMMA é perigoso se cair em alguma veia – e a região do bumbum é bastante vascularizada. Outros problemas pós-operatórios, como gangrena e sepse, também podem ser fatais.

Taxa de mortalidade alta

Uma pesquisa de 2017 com 692 cirurgiões de todo o mundo investigou a taxa de mortalidade entre pacientes submetidos a esse procedimento. Ao longo de suas carreiras, os cirurgiões relataram 32 casos de morte por embolia e 103 casos não fatais, mas provavelmente há muitos mais que não são relatados.

A taxa estimada de morte por embolia pode ser tão alta quanto uma em 3.000 para esse procedimento. Um estudo de 2015 concluiu que os óbitos provavelmente ocorrem como resultado de vasos sanguíneos glúteos danificados durante o procedimento, permitindo que a gordura entre na corrente sanguínea.

No entanto, deve-se notar que gordura e PMMA também são injetados no músculo em outras cirurgias, como o aumento de mama, sem mortes relatadas. Isto sugere que existem outros fatores envolvidos na alta taxa de mortalidade entre os pacientes que fazem preenchimentos no glúteo.

A maioria dessas mortes parece ter sido causada por profissionais inadequadamente qualificados que trabalham em instalações não aprovadas, incluindo residências e garagens, como o “Dr. Bumbum”.

Pense bem

No geral, o risco potencial de morte por embolia tem que ser pesado contra os benefícios físicos e funcionais da cirurgia. No caso do preenchimento de bumbum, talvez os riscos superem os benefícios. Por isso, é importante que os cirurgiões tornem esses riscos muito claros para qualquer pessoa que esteja considerando a operação.

A segurança do paciente deve ser sempre a principal prioridade. Atualmente, os médicos precisam fazer mais para aumentar a segurança do procedimento e diminuir essa taxa de mortalidade desnecessariamente alta. [IndependentG1]



Fonte: Hypescience



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