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Por que a Mata Atlântica é importante e por que precisamos protegê-la?

Compartilhe:     |  3 de abril de 2015

A população de algumas das maiores cidades do Brasil mora no meio de onde deveria estar a Mata Atlântica. Mas cresceu e viveu tanto tempo dentro da selva de concreto e asfalto que perdeu a conexão com a natureza. Conversando com amigos e colegas, já ouvi várias dúvidas básicas sobre a importância da floresta que ainda nos restou. E da importância dela para nossa vida. Reuni as principais perguntas e enviei a Mariana Gomes, engenheira florestal da Iniciativa Verde. Ela responde as dúvidas abaixo:

ÉPOCA:. Desde que nasci ouço essa história de que são os últimos remanescentes de Mata Atlântica. Mas ela ainda está aqui. Ela corre perigo mesmo?
Mariana Gomes: Sim, ela corre perigo mesmo. Você ouve essa história há anos pois, desde o descobrimento do Brasil, os impactos de diferentes ciclos de exploração, a concentração das maiores cidades brasileiras, os núcleos industriais e a alta densidade demográfica fizeram com que a vegetação natural fosse reduzida drasticamente. Hoje, considerando todos os pequenos fragmentos de floresta natural com mais de três hectares cada, restam apenas 12,5% da vegetação original (segundo dados do INPE em parceria com a SOS Mata Atlântica).

ÉPOCA: O que é a Mata Atlântica? Por que ela é diferente do Cerrado ou da Amazônia?
Mariana: A Mata Atlântica é um bioma de floresta tropical que abrange a costa leste, sudeste e sul do Brasil, além do leste do Paraguai e da província de Misiones, na Argentina. A Mata Atlântica brasileira é um dos 34 hotspots mundiais (área prioritária para conservação, com alta biodiversidade e ameaçada no mais alto grau). Aliás, comparada com a Floresta Amazônica, ela apresenta, proporcionalmente, maior diversidade biológica. Tem mais de 20 mil espécies de plantas, sendo oito mil endêmicas (que não ocorrem em nenhum outro lugar do mundo) e estima-se que nela existam 1,6 milhão de espécies de animais, incluindo os insetos. De acordo com uma descrição do IBGE, um bioma é um conjunto de vida (vegetal e animal) composto pelo agrupamento de tipos de vegetação contíguos e identificáveis em escala regional, com condições geoclimáticas similares e história compartilhada de mudanças, o que resulta em uma diversidade biológica própria. Por isso, a Mata Atlântica é diferente do Cerrado e da Amazônia. Estes são outros biomas, com características distintas. Por exemplo, segundo a Embrapa, resumidamente, a Amazônia tem clima equatorial, terras baixas e florestas tropicais e equatoriais úmidas. Já o Cerrado tem clima tropical e vegetação de campos com árvores isoladas, troncos retorcidos, matas ciliares ao longo dos cursos de água. Ou seja, é uma das savanas mais ricas do mundo. A Mata Atlântica, por sua vez, tem um clima tropical com influência do Oceano Atlântico e é formada, predominantemente, por floresta tropical úmida. Mas ela tem muitos ecossistemas com estruturas e composições florísticas diferentes devido às variedades de solo, relevo e características climáticas existentes em sua ampla área de ocorrência. Um dos fatores para ela ser tão biodiversa.

ÉPOCA: Por que a Mata Atlântica é a única floresta que ouço falar em situação tão crítica, de apenas remanescentes?
Mariana: Porque a Mata Atlântica é o bioma brasileiro mais devastado. Enquanto ela possui apenas 12,5% de sua vegetação original, o Cerrado tem 52% (dados do MMA) e a Amazônia 82% (Imazon e ISA). Além disso, foi observado o aumento do desmatamento nos últimos dois períodos de registros (INPE e SOS Mata Atlântica). A taxa de desmatamento, que esteve em 14 mil hectares em 2011, foi para 22 mil hectares em 2012 e 24 mil hectares em 2013. É a maior taxa anual de desmatamento desde 2005.

ÉPOCA: Por que a Mata Atlântica é importante para mim que moro no Sudeste?
Mariana: Primeiro, porque a Mata Atlântica é uma das regiões mais ricas do mundo em biodiversidade. Além disso, ela é o bioma predominante da região Sudeste (a mais polulosa do país). Aproximadamente, 120 milhões de brasileiros vivem em seu domínio onde são gerados cerca de 70% do PIB brasileiro. Ela tem importância vital prestando importantíssimos serviços ambientais. Por exemplo, ela regula o fluxo dos mananciais hídricos, assegura a fertilidade do solo, suas paisagens oferecem belezas cênicas, controla o equilíbrio climático, protege escarpas e encostas das serras, preserva um patrimônio histórico e cultural imenso. As grandes capitais brasileiras como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte são completamente abastecidas pelos rios que afloram desses remanescentes florestais.



Fonte: Revista Época - Blog do Planeta



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