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Por que precisamos tomar banho — e com que frequência devemos fazê-lo

Compartilhe:     |  17 de agosto de 2019

As longas chuveiradas são os momentos dedicados para relaxar durante a rotina? O verão brasileiro é a desculpa perfeita para tomar mais de um banho por dia? Se esse é o seu caso, você pode estar mais suscetível a problemas de saúde. Ao contrário do que se costuma acreditar, tomar muitos banhos não necessariamente limpa o corpo, mas o deixa vulnerável a infecções e doenças bacterianas. Então por que, afinal, tomamos banho e com que frequência devemos fazê-lo?

Em países quentes, como é o caso do Brasil, há uma cultura de que um ou mais banhos por dia são necessários para garantir a limpeza corporal. O problema desse hábito é que isso prejudica o manto hidrolipídico, uma proteção natural produzida pelo organismo e que fica acima da camada mais externa da pele. Essa região está repleta de lipídios, moléculas orgânicas responsáveis por uma série de funções benéficas, entre elas a hidratação da pele, que nada mais é que a manutenção da água no corpo.

Com banhos frequentes, a barreira de lipídios é afetada e a pele acaba ressecada e irritada, facilitando a entrada de microrganismos nocivos, como vírus. Além disso, ao ser lavada uma ou mais vezes por dia, a pele não tem tempo suficiente para produzir óleo natural, importante para a proteção do corpo.

A situação fica pior para aqueles que não abrem mão da água quente ou de esponjas de banho. Enquanto a água quente resseca a pele, podendo causar coceira e inflamações, e danifica o cabelo, deixando-o seco e opaco, a esponja pode ser uma verdadeira festa para as bactérias. Isso porque ela costuma ser guardada no banheiro, um ambiente úmido e sem ventilação, propício para o desenvolvimento desses tipos de micro-organismos. Imagine que, no fim, você está se limpando com as bactérias que tirou nos banhos anteriores.

Mas nem toda bactéria é vilã, como ressalta uma pesquisa realizada pelo Centro de Ciências Genéticas da Universidade de Utah, nos Estados Unidos. Os pesquisadores estudaram os indígenas yanomamis, na Amazônia, e descobriram que limpeza demais danifica o microbioma humano, onde há bactérias, vírus e outros micróbios que vivem no corpo.

Os yanomamis, segundo o estudo, tinham uma comunidade mais rica de micróbios na pele e uma maior diversidade de bactérias e funções genéticas que povos ocidentais. Ao contrário da bactéria cultivada na esponja de banho, as bactérias presentes no corpo reforçam a imunidade, fazem os sistemas corporais funcionarem corretamente e protegem a pele de outras bactérias.

A ciência explica a importância do banho (Foto: Pixabay)

Depois de tantos problemas relacionados aos banhos, talvez você ainda se pergunte qual o propósito deles. Embora a suposta necessidade de chuveiradas frequentes seja mesmo cultural, o corpo humano precisa de banhos para equilibrar as bactérias presentes no organismo e se livrar das impurezas (inclusive as causadas pela poluição), abrindo os poros e possibilitando que a pele respire. Sem falar que o banho também é importante para remover resíduos como o suor. A sensação de bem-estar que o banho provoca também é um bônus, já que ele ajuda a relaxar os músculos.

Não há um número certo para quantos banhos você deve tomar por semana, isso varia de acordo com o tipo de pele e clima da região. Alguns dermatologistas sugerem um banho a cada dois dias. Mas como tomar banhos diários provavelmente continuará sendo parte da sua rotina, o ideal é que eles sejam mais curtos e nunca com água muito quente. Ela deve ser preferencialmente fria ou, no máximo, morna.

Para não irritar a pele, invista em um sabonete neutro e procure, em alguns banhos, limpar somente axilas, pés, mãos, rostos e região íntima. Para as outras partes do corpo, só a água já será suficiente. E da próxima vez que pensar em pular o banho, esqueça as imposições sociais e não se sinta culpado. Além de poupar o meio-ambiente e a conta de água, você estará poupando a sua pele e saúde também.



Fonte: Revista Galileu



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