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Por que quanto mais envelhecemos mais paciência perdemos?

Compartilhe:     |  7 de agosto de 2020

Após passar por experiências que nos levam a amadurecer e a despertar para a realidade, percebemos quanto tempo perdemos com futilidades e ilusões. Nessas horas, já não temos mais paciência para viver em função dos outros, somente para ter a aprovação alheia.

A gente vai perdendo a paciência de falar sim, quando queremos dizer não, só para não corrermos o risco da rejeição. A gente vai perdendo a paciência de fazer o que não gostamos, de estar com quem não temos afinidade, de suportar coisas que nos ferem e nos desequilibram. Vamos perdendo a paciência de viver uma vida que não condiz com a nossa alma, e assim, paramos de nos deixar moldar por um modelo social que nos deforma, e nos torna pessoas amarguradas e infelizes.

Chega uma hora que é necessário dar um basta!

Cada pessoa tem o seu momento de libertação, no qual acaba a paciência para tolerar o que lhe faz  mal!

Uns mais cedo, outros mais tarde! O que importa é acordar para a nossa verdade. Isso é muito necessário,  principalmente porque vivemos em meio a uma sociedade de máscaras e aparências, onde há manipulações, competição, egocentrismo, vaidade e jogos de interesses.

De repente, percebe-se que o distanciamento é a mais sábia alternativa quando não nos enquadramos em realidades diversas daquelas que acreditamos justas dentro da nossa moral. Aos poucos, vamos encontrando as pessoas certas, que contribuem para nosso mundo se ampliar e se transformar a nossa volta.

Ter paciência com o que não faz mais sentido só gera frustração, insatisfação, dor, arrependimento e revolta. Dessa forma, somos mais uma pessoa a alimentar a egrégora de sofrimento na face da Terra.

Viver e amadurecer traz aprendizado e consciência. E nesse pacote, vem o bônus do amor próprio e da confiança em sua verdade.  Com isso, vamos adquirindo mais equilíbrio e lucidez.

Não tenho mais paciência

Falando sobre maturidade e falta de paciência, vejam o que a talentosa atriz Meryl Streep diz sobre isso:

“Não tenho mais paciência para certas coisas, e não porque me tornei arrogante; mas simplesmente porque cheguei a um ponto da minha vida em que não quero perder mais tempo com o que me causa arrependimento ou mágoa.

Eu não tenho mais paciência para cinismo, críticas ou exigências excessivas de qualquer natureza que elas sejam. Perdi o desejo de agradar as pessoas de quem não gosto, de amar aqueles que não me amam, de sorrir para aqueles que nunca sorriem para mim. Eu não passo mais um minuto com aqueles que mentem ou manipulam.

Decidi não mais conviver com fingimento, hipocrisia, desonestidade e elogios gratuitos. Não tolero mais a erudição de setor ou a arrogância acadêmica. Eu decidi rejeitar as fofocas. Eu odeio conflitos e comparações.

Eu acredito em um mundo onde os opostos coexistem, é por isso que evito pessoas com um pensamento muito rígido e inflexível. Na amizade eu odeio a falta de lealdade e a traição. Eu não me dou mais bem com aqueles que não sabem elogiar ou dizer uma palavra de encorajamento.

Os exageros me aborrecem e também tenho dificuldade em aceitar aqueles que não amam animais. Mas acima de tudo, não sou mais paciente com quem não merece a minha paciência.”

Minha Alma tem pressa

E como inspiração para refletir sobre a maturidade, e a sua peculiar impaciência que nos faz ter pressa de viver o essencial, fiquem com o poema de Mário de Andrade

O valioso tempo dos maduros

“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.

Tenho muito mais passado do que futuro.

Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, quero caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.

O essencial faz a vida valer a pena.

E para mim, basta o essencial!

Perde-se a paciência e ganha-se a lucidez

Com a idade, podemos ir “perdendo a paciência” com o que não está alinhado com nosso ser. Em compensação é possível desenvolver a resiliência para levantar, após termos caído, o amor próprio e o respeito por nossa verdade, a honestidade de assumirmos quem somos. E  assim vamos recuperando nossa integridade, nossa força e adquirindo mais lucidez e clareza de visão.

E você? Como se sente sobre tudo isso?



Fonte: GreenMe - Deise Aur



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