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Por que uma vez que aprendemos a andar de bicicleta, nunca mais esquecemos?

Compartilhe:     |  6 de junho de 2020

Você já deve ter ouvido a frase “é como andar de bicicleta”, certo? A menos que você realmente nunca tenha aprendido, se você sabe andar de bicicleta pode confirmar essa teoria. Mas, por que será que nunca esquecemos como faz isso? Existe uma explicação científica para isso, saiba qual é.

Segundo um artigo publicado na revista Scientific American, o neuropsicólogo Boris Suchan explica que existem diferentes tipos de memória e cada uma delas é armazenada em diferentes regiões do cérebro.

A memória de longo prazo fica armazenada no hipocampo e é dividida em declarativa e processual. A memória declarativa, por sua vez, é dividida em dois tipos: episódica e semântica.

A memória episódica está relacionada às lembranças de experiências como o primeiro beijo ou o primeiro dia na escola, por exemplo. Já a memória semântica está ligada a algum fato, como por exemplo a memorização da capital da França.

De acordo com o neuropsicólogo, essas duas memórias declarativas indicam que estamos cientes de tais conhecimentos e podemos repassá-los a outras pessoas.

O outro tipo de memória é o processual ou procedural. É nesses sistema que ficam registradas as memórias de desempenho, ou seja, as habilidades de tocar instrumentos, andar de bicicleta, dentre outras.

O procedural é um sistema separado no cérebro, onde as memórias de desempenho ficam ancoradas. É por isso que elas não são perdidas no decorrer da vida, mesmo que ocorra algum trauma, dano cerebral ou que novas memórias sejam formadas.

Para entender isso, Boris se baseia em um estudo da década de 1950 com uma pessoa chamada Henry Gustav Molaison. Ele tinha epilepsia e os médicos realizaram uma cirurgia para remover partes do cérebro, com o intuito de diminuir as crises.

O hipocampo de Henry, que é onde ficam armazenadas as memórias de longo prazo, também foi removido. Com isso, eles perceberam que as crises epiléticas diminuíram, mas o paciente não conseguia mais formar novas memórias.

Contudo, apesar da amnésia, Henry ainda possuía algumas habilidades, como por exemplo desenhar. Em um dos testes feitos pelos médicos, solicitaram que ele desenhasse uma estrela de 5 pontas, apenas olhando para o desenho de uma.

O resultado foi o desenho de uma estrela invertida (como em um espelho), o que levou os médicos a crerem que Henry não tinha perdido as habilidades de desempenho (processuais), apesar de não se lembrar de ter desenhado uma estrela.

Com isso, os médicos chegaram à conclusão que, mesmo com um trauma, o sistema da memória processual nunca será comprometido, pois a região em que fica armazenado é protegida pelo córtex cerebral.

Mesmo quando não há trauma ou danos cerebrais, as memórias processuais não são esquecidas, pois elas não sofrem influencia das novas memórias construídas depois de adultos.

E é por isso que andar de bicicleta se torna uma aprendizagem inesquecível: os movimentos sequenciais que aprendemos no passado, são internalizados e preservados por toda a vida.



Fonte: GreenMe



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