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Preguiça pode ser uma vantagem evolutiva, sugere estudo

Compartilhe:     |  25 de agosto de 2018

Esquece aquele papo de lei do mais forte. Pesquisadores analisaram cerca de 300 formas de moluscos que viveram e morreram no Atlântico nos últimos 5 milhões de anos e descobriram que a força não é fundamental para superar as barreiras evolutivas e perpetuar a espécie, mas sim a preguiça.

Os caracóis-do-mar, lesmas-do-mar, mexilhões e vieiras que queimavam mais energia em suas vidas diárias tinham mais chances de serem extintos do que seus primos menos energéticos, especialmente quando viviam em pequenos habitats oceânicos, descobriram os cientistas.

“Quanto menor a taxa metabólica, maior a chance de sobrevivência das espécies a que você pertence”, disse Bruce Lieberman, professor de ecologia e biologia evolutiva que liderou a pesquisa na Universidade de Kansas, ao The Guardian. “Em vez de ‘sobrevivência do mais apto’, talvez uma metáfora melhor para a história da vida seja ‘sobrevivência dos mais preguiçosos’, ou pelo menos ‘sobrevivência dos lentos’.”

Para chegar à conclusão, examinaram 299 espécies de gastrópodes, como caramujos e lesmas, e bivalves, incluindo mexilhões e vieiras, que viveram no Oceano Atlântico Ocidental a qualquer momento do Plioceno, há mais de cinco milhões de anos, até os dias atuais.

Quando os pesquisadores calcularam as taxas metabólicas de cada espécie, descobriram que o uso de energia diferiu significativamente para as 178 espécies que foram extintas em comparação com as que vivem hoje. O trabalho foi publicado no periódico Proceedings of the Royal Society B.

“A explicação provável é que as coisas mais lentas ou preguiçosas tinham menor necessidade de energia ou alimentos e, portanto, poderiam se contentar com pouco quando os tempos estavam ruins”, disse Lieberman.

Agora, os pesquisadores querem descobrir se a regra é a mesma com outras famílias de animais, incluindo os que vivem em terra. “Este resultado não significa necessariamente que as pessoas preguiçosas são as mais aptas, porque às vezes essas pessoas preguiçosas são as que consomem mais recursos”, acrescentou Lieberman ao The Guardian.

“A preguiça da humanidade, quando se trata de tentar deter as mudanças no planeta que estamos causando, pode ser o maior perigo que nossa própria espécie enfrenta”.



Fonte: Galileu



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