Notícias

Presença do sargaço na costa marítima gera controvérsias em Maceió

Compartilhe:     |  24 de março de 2019

Naturais, inofensivas; controversas. Os organismos fotossintéticos, conhecidos popularmente como “algas marinhas”, estão gerando desconforto na população de Maceió. Por cobrirem grandes partes da costa, as plantas, muitas vezes, causam incomodo e mau cheiro, mas seriam ela vilãs incompreendidas?

Inicialmente, buscando a opinião popular, a Gazetaweb fez uma simples enquete pelo Instagram. Na pesquisa, 81 pessoas responderam com “sim” ou “não” a seguinte pergunta: “Você considera alga marinha como lixo de praia?”. Encerrada a apuração, 78 pessoas responderam que não viam o material como lixo e apenas três pessoas responderam “sim”.

Investigando as causas do possível descontentamento com as inofensivas plantas aquáticas, o estudante do curso de Biomedicina da Unit, Gustavo Azevedo, de 22 anos, explicou seus motivos.

“Não que eu veja realmente como lixo, mas me incomoda ter de desviar delas quando ando pela areia. A sensação que elas transmitem, para mim, sempre foi ruim. Nunca me machuquei andando entre elas, mas acho que, em grande quantidade, elas deixam o ambiente estranho”, relatou.

Recentemente, em razão do mau estar causado pelo odor – o mau cheiro se dá pela decomposição do sargaço e por materiais trazidos à orla pelas algas, como lixo ou animais em deposição – e devido à dificuldade de locomoção da população por conta da grande quantidade do material, a Superintendência de Limpeza Urbana (Slum) foi acionada para retirar o sargaço de toda a orla da capital alagoana.

Em nota, a Slum detalhou sobre o processo de recolhimento realizado com frequência nas praias da capital. Leia na íntegra:

Remoção do sargaço realizado pela prefeitura

FOTO: REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

“A Superintendência de Limpeza Urbana de Maceió (Slum) informa que a coleta de sargaço na faixa de areia é contínua, com recolhimento manual por meio da equipe que realiza a limpeza diária na região. Quando há o acúmulo do material orgânico em grande quantidade e em decomposição, o recolhimento é feito com o auxílio de maquinário apropriado para o serviço. Somente neste ano a coleta de sargaço com máquina já foi realizada dez vezes.”

Apesar de a população local apontar as algas marinhas como um fator negativo, a professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e especialista  no assunto, Élica Guedes, rebate as críticas negativas e afirma “alga não é lixo!”.

“As algas são um fenômeno da natureza. Por mais que sejam retiradas diariamente, elas nunca vão deixar de existir. O mau cheiro não vem delas. Ali [no sargaço] pode ter resto de animal morto, lixo… Qualquer coisa que fique acumulada, úmida, no sol quente e, na nossa orla, que tem a incidência das línguas escuras, exala mau cheiro”, explicou.

Analisando o atual cenário, a professora aponta a educação ambiental como uma possível solução para o problema. “O que deveria ser feito é um trabalho de educação ambiental para que não se jogue lixo. Se analisarmos as algas recolhidas, encontraremos bastante lixo entre elas e essa é uma das causas do odor ruim. Os banhistas também deveriam ser educados a se acostumar com a presença delas, por ser algo natural. Alga não é lixo!”

Projeto ‘Alga não é lixo, é luxo’

Equipe do projeto “Alga não é lixo, é luxo”, do Laboratório de Ficologia da Ufal. Biólogo Jhullyrson, à esquerda

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

 

O projeto ‘Alga não é lixo, é luxo’ é uma iniciativa de um ex-aluno do curso de Biologia da Ufal. Conhecedor da problemática, o universitário elaborou seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresentando o projeto, que foi adotado pelo Laboratório de Ficologia do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde da universidade.

Concentrando-se em desconstruir o conceito de que algas são materiais descartáveis e que não contribuem para a comunidade e o meio ambiente, os encarregados desmistificam a visão do “lixo”.

O biólogo Jhullyrson Brito e antigo membro do laboratório explicou algumas utilidades das algas em nosso dia a dia. “Algumas algas são próprias para o consumo. O ágar é um componente extraído da parede celular das Rhodophytas [algas vermelhas] e encontra-se presente no nosso dia a dia, em nossos alimentos, medicamentos, balas, e encontra-se inserido na indústria farmacêutica, na produção de shampoos”.

Fora a relevância para a produção de alimentos e cosméticos, as algas marinhas também se demonstram importantes para a manutenção do meio ambiente. “O pulmão do mundo são os oceanos, pela quantidade de microalgas que fazem a fotossíntese. As macroalgas – como o sargaço – são importantes para manutenção dos ecossistemas recifais”, detalha.

Estes são alguns exemplos de algas marinhas encontradas nos oceanos

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

 

“Muitos animais se reproduzem e se alimentam delas. Além da relevância ambiental elas também são indicadores da qualidade do ambiente. Analisando um estudo da composição das macroalgas é possível apontar algum possível impacto que meio ambiente possa estar sofrendo”, explicou Jhullyrson.

Contudo, mesmo com os aspectos positivos apresentados, a prefeitura ainda deve continuar a remoção diária das algas. Apesar dos esforços para desconstruir a ideia de lixo, não há indicativo de uma tentativa de reeducar a população sobre o assunto.



Fonte: Portal Gazetaweb - Felipe Guimarães



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

Receitas de Biscoitos Saudáveis para Cachorros

Leia Mais