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Pressão do bicudo do algodoeiro aumenta no início da safra em Mato Grosso

Compartilhe:     |  20 de janeiro de 2015

Dados coletados por meio de monitoramento em armadilhas em sete Núcleos Regionais de produção em Mato Grosso chamaram a atenção pelo grande número de bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) adultos capturados logo no início da safra 2014/15.

Em virtude disso, o Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt) – braço tecnológico da Associação Mato-grossense dos Produtores de algodão (Ampa) – informa que Mato Grosso está em estado de alerta contra o besouro.  O estado é responsável por produzir cerca de 60% do algodão brasileiro.

As coletas impressionam principalmente nos Núcleos Regionais Sul (região da Serra da Petrovina), Centro Leste (região de Primavera do Leste) e Centro (região de Campo Verde), embora, de acordo com o IMA, o problema se estenda aos Núcleos Regionais Noroeste (região de Sapezal), Médio Norte (região de Campo Novo do Parecis), Norte (região de Sorriso) e Centro Norte (região de Lucas do Rio Verde).

“Devido à grande pressão do bicudo neste início de safra – época considerada de baixa infestação -, alertamos os produtores quanto à importância das ações iniciais de controle da praga. Se o controle e o monitoramento nos talhões não forem rigorosos e efetivos, neste primeiro momento, o produtor tem alto risco de ter o bicudo fora de controle, causando prejuízos severos às lavouras”, afirma o entomologista Eduardo Barros, do IMAmt.

Segundo a associação, a preocupação do pesquisador, compartilhada com o presidente da Ampa e do IMAmt, Gustavo Piccoli, é baseada nos dados do monitoramento feito desde a safra 2012/13, por meio de armadilhas sob a responsabilidade dos assessores técnicos regionais (ATRs) e a equipe de pesquisadores.

“Temos uma média acima de 10 B.A.S (bicudos por armadilha por semana) nos núcleos Sul, Centro e Centro Leste, sendo que o índice acima de 2 indivíduos por armadilha já coloca a lavoura em alerta vermelho”, informa Renato Tachinardi, ATR do Núcleo Regional Centro e responsável pelo projeto de controle de bicudo do IMAmt, que tem apoio financeiro do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA).

Tachinardi afirma que, após uma queda de 58% na quantidade de bicudos capturada no Núcleo Regional Centro na safra 2013/14 em relação à safra anterior (de um índice B.A.S de 2,07 bicudos por armadilha por semana para 1,21), houve um aumento preocupante na captura de bicudo no monitoramento em pré-safra 2014/15.  Foi registrado um índice B.A.S. de 9,59 na segunda semana de janeiro, o que corresponde a um aumento de 790%.

O Bicudo
Responsável por dizimar lavouras de algodão do Paraná, São Paulo e de estados do Nordeste, nos anos 1990, o bicudo vem sendo monitorado pelo IMAmt e Ampa.

De acordo com o entomologista Walter Jorge dos Santos, que se aposentou do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e é considerado um dos maiores especialistas nessa praga, o besouro (o bicudo adulto) se alimenta do interior dos botões florais do algodão, inviabilizando-os; as fêmeas do inseto colocam seus ovos no interior dos botões florais e das maçãs. “As larvas ficam escondidas, por isso o bicudo não é um alvo fácil e é chamado de praga silenciosa”, explica o pesquisador, que fez várias palestras para produtores e técnicos de Mato Grosso em 2014, a convite do IMAmt.



Fonte: Globo Rural



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