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Processo irreversível está transformando a Amazônia em um grande deserto

Compartilhe:     |  24 de dezembro de 2020

Savanização é o processo irreversível de transformação de áreas ocupadas por densa vegetação em desertos parciais

Savanização é o processo irreversível de transformação de áreas ocupadas por densa vegetação em desertos parciais, e tem como principal agente a ação humana, especialmente na Amazônia.

O fenômeno foi descoberto pelo pesquisador brasileiro Carlos Nobre, na década de 90. Mais tarde, a bióloga Lilian Sales, também brasileira, descobriu que a savanização é responsável por significativa alteração na ocorrência de espécies de fauna.

A pesquisadora define a savanização como o processo de conversão de várias florestas tropicais em savanas derivadas.

Como ocorre a savanização

savanização ocorre principalmente por meio de processo de degradação da vegetação, como é o caso de plantio de monoculturas, desmatamento e queimadas.

Mas ela também é influenciada pelas mudanças climáticas, mudanças no regime de chuvas e alteração da paisagem, como ravinamentos (formação de sulcos no solo) no domínio dos mares de morros decorrentes da atividade cafeeira desenvolvida no século passado no Brasil.

Savanização na Amazônia

O processo desavanização da Amazônia é causador de preocupação na comunidade ambientalista e científica. Ele foi observado pela primeira vez pelo pesquisador brasileiro Carlos Nobre, que notou que a floresta amazônica estava sendo substituída por uma vegetação semelhante à do Cerrado brasileiro.

Alguns anos mais tarde, uma pesquisa realizada pela cientista Lílian Sales revelou que savanização pode ter impactos profundos na ocorrência de fauna.

A bióloga chamou atenção para o fato de que as espécies de vertebrados das regiões de transição entre florestas e savanas serão, cada vez mais, substituídas por espécies de savana aberta, em um processo que ela denominou como “savanização faunística“.

Em um modelo de projeção matemática, Lílian mostrou que haverá um aumento em 11% e 30% das espécies de savana nas florestas de mata atlântica, enquanto a ocorrência daquelas espécies que dependem de florestas densas cairá pela metade.

Esse processo já é observado. Um pesquisa registrou 22 ocorrências inesperadas do lobo-guará – animal típico de savana – na Amazônia nos últimos 25 anos.

bioma amazônico era limite para a ocorrência do lobo-guará, mas a ocupação humana nas bordas do Cerrado tem causado sérias modificações na paisagem natural, substituindo a vegetação de floresta úmida nativa por pasto e monocultura de grãos.

Isso tornou o local propício para a propagação de espécies típicas da savana, como a lobeira, ou fruto-do-lobo (Solanum lycocarpum), uma espécie de tomate selvagem fundamental para a dieta do lobo-guará, um dos motivos para sua ocorrência em territórios atípicos.

Como mitigar a savanização

A pesquisadora Lílian Sales defende que, para mitigar a savanização da Amazônia é preciso tomar uma série de ações que, em boa medida, dependem de esforços políticos.

Entre elas, estão o reflorestamento, a criação de corredores ecológicos, recomposição de matas ciliares e o cumprimento da legislação ambiental.



Fonte: Equipe Ecycle



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