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Produtores rurais são guardiões da Área de Proteção Ambiental da Bacia do Descoberto

Compartilhe:     |  14 de setembro de 2019

A agricultura tem sempre que ser algoz das florestas e áreas naturais? Um estudo avançado mostra que, ao contrário, esta atividade humana pode – e deve – ser aliada da preservação ambiental. Lançado no dia 11 de setembro, Dia do Cerrado, o trabalho inédito, realizado pelos especialistas do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS) e do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS), com apoio da ONU Meio Ambiente, propõe um modelo estruturante de desenvolvimento rural sustentável para a bacia do Descoberto (PDRS), considerando ações para a rentabilização sustentável da produção agropecuária, a regularização hídrica e fundiária, iniciativas de proteção ambiental, de infraestrutura e saúde e promoção do ecoturismo.

A presença dos produtores é o que impede a expansão urbana e a grilagem de terras no entorno deste manancial, vital para 65% da população do Distrito Federal abastecidos com suas águas. O engajamento dos agricultores pode evitar o comprometimento da qualidade e do volume das águas locais, através de investimentos em infraestrutura verde e manejo adequado do solo, segundo o levantamento realizado. “Os agricultores são os guardiões da bacia e se eles não tiverem condições de produzir, a área corre sério risco de perder sua característica de ser uma fonte de água”, explica André Lima, Associado do IDS e ex-Secretário de Meio Ambiente do Distrito Federal. As referências exploradas na proposta, como os cases das cidades de Nova Iorque-EUA, Munique-Alemanha, Extrema-MG e a iniciativa Cultivando Água Boa de Itaipu, mostram que é possível avançar para uma produção sustentável, que gere renda para as famílias locais e garanta a sua capacidade natural de fornecer água limpa para usos múltiplos.

“O Programa de Desenvolvimento Rural Sustentável do Descoberto se traduz em uma estratégia central de segurança hídrica e alimentar para todo o Distrito Federal e parte do estado de Goiás. Garantir a característica predominantemente rural da bacia, apoiar e incentivar práticas de manejo do solo e da água mais inovadoras e sustentáveis e contribuir para a geração de renda local merecem estar no topo da lista das preocupações dos governantes e da sociedade que depende da água e alimentos ali produzidos”, salientou Guilherme Checco, pesquisador do IDS e coordenador do estudo. Somente em 2017 foram produzidas na bacia do Descoberto 5,2 mil toneladas de morango, 9,5 mil toneladas de goiaba, além de outros produtos.

As ações que compõem o PDRS para a Bacia do Descoberto podem ser conhecidas na íntegra nos sites das organizações. O trabalho estimou a necessidade de um  investimento da ordem de R$539 milhões, ao longo de um período de 10 anos, para viabilizar as ações na região da bacia. O mapeamento das fontes financeiras disponíveis demonstrou ser possível viabilizar estes recursos, tanto a partir da tarifa de saneamento, de investimentos e compras públicas, quanto de recursos da cobrança pelo uso da água, de fundos nacionais e internacionais e linhas de créditos já existentes.

O relatório completo do Programa de Desenvolvimento Rural Sustentável do Descoberto foi entregue oficialmente ao Secretário de Meio Ambiente do Distrito Federal, Sarney Filho e, nos próximos meses, a proposta será apresentada para as demais autoridades, moradores e produtores locais.

 



Fonte: Envolverde



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