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Produtos químicos encontrados em cosméticos podem prejudicar o pulmão das crianças

Compartilhe:     |  11 de março de 2019

Bebês ainda na barriga ou recém-nascidos expostos a produtos químicos presentes em cosméticos têm mais chances de apresentar problemas pulmonares entre os 6 e 12 anos de idade. Foi o que concluiu uma pesquisa europeia que analisou dados de mais de mil famílias da França, Grécia, Espanha, Lituânia, Noruega e Reino Unido. Publicada no The Lancet Planetary Health, este é o primeiro estudo a observar os efeitos da exposição a produtos químicos na função pulmonar de crianças antes e depois de seu nascimento.

Para chegar aos resultados, os cientistas analisaram a presença de três classes de produtos químicos que são muito frequentes em cosméticos e produtos de higiene pessoal: os ftalatos, os parabenos e os compostos fluorados, conhecidos como PFAS.

Parabenos são conservantes químicos amplamente utilizados em cosméticos e têm sido associados a vários problemas de saúde, incluindo o câncer de mama. Já os ftalatos são compostos industriais utilizados em misturas de fragrâncias e em produtos para cuidados com o corpo. Em estudos anteriores, eles já foram associados a danos nos espermatozóides em homens adultos.

Os PFAS, por fim, têm sido associados a sérios efeitos à saúde, incluindo câncer, doenças da tireóide e problemas no fígado.

Polêmica

Os resultados das pesquisas não passaram despercebidos e por ativistas da saúde e do meio ambiente ao redor do mundo. “Este estudo fornece ainda mais evidências de que é hora de finalmente regulamentar os produtos químicos em cosméticos”, afirma Scott Faber, vice-presidente sênior da Environmental Working Group, uma ONG norte-americana que luta pelo bem-estar humano e do meio ambiente.

O ativista chama a atenção para o fato de que a última vez que o Congresso dos Estados Unidos votou alguma pauta referente aos cosméticos foi há mais de oito décadas. “Como se aumentar o risco de câncer e infertilidade não fosse suficiente para o Congresso agir, agora podemos adicionar danos aos pulmões em crianças à lista de danos causados por esses produtos cotidianos”, diz.

Segundo a ONG, a defasagem da lei norte-americana permite que empresas do ramo usem produtos assosicados a doenças como o câncer em produtos de beleza e higiene. Há tempos, organizações de saúde pública e algumas companhias têm demandado que a lei seja atualizada e que o poder de monitorar os ingreditentes dos produtos seja passado para a Food and Drug Administration, uma agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos.



Fonte: Revista Crescer



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