O lixo em questão

Professor do Paraná ensina a transformar lixo orgânico em adubo

Compartilhe:     |  6 de junho de 2021

Doutor em ciência do solo ensina a fazer compostagem; composteira pode ser comprada, feita com baldes ou direto na terra.

Professor do Paraná ensina a transformar lixo orgânico em adubo | Caminhos  do Campo | G1

Um dos maiores problemas ambientais das grandes cidades é a destinação do lixo, mas quem tem um espaço sobrando em casa pode reduzir o impacto e ainda produzir um adubo de qualidade para as plantas da horta ou do jardim.

O professor Raul Matias Cezar, de Curitiba, é doutor em ciência do solo e já ensinou muita gente a fazer compostagem.

“A compostagem é um meio de as pessoas fazerem parte do processo de ciclagem de nutrientes. A cidade é um grande centro de recepção de material que vem do campo. A gente consome e vira uma concentração muito grande de matéria orgânica, lixões e aterros. Isso não é o adequado porque decorre daí a formação de vários problemas ambientais. Se as pessoas têm a consciência de fazer compostagem, minimiza muito os problemas ambientais”, explicou o especialista.

A compostagem é a decomposição da matéria orgânica. Um kit básico pode ser encontrado em lojas de produtos agropecuários e custa cerca de R$ 140.

O sistema tem duas caixas plásticas sobrepostas e com furos, além de uma terceira, com uma pequena torneira.

O kit ainda vai acompanhado das minhocas que vão decompor a matéria orgânica e serragem.

Composteira ajuda na preservação do meio ambiente com redução de lixo — Foto: RPC/Reprodução

Composteira ajuda na preservação do meio ambiente com redução de lixo — Foto: RPC/Reprodução

Segundo o professor, a minhoca ideal é a conhecida como californiana, que se adapta melhor ao ambiente. Uma caixa de 15 litros é suficiente para o lixo produzido por uma família de até quatro pessoas.

“Na caixa de cima coloca-se um pouco de terra misturada com o material orgânico, como folhosas picadas e cascas de banana. Não coloque lixo todo dia para dar tempo das minhocas processarem o material”, disse.

De acordo com o professor, depois de 30 a 45 dias, o húmus deve estar pronto, que é quando a pessoa não consegue mais identificar o que é uma casca de laranja e é possível sentir o cheiro de terra molhada.

“Neste momento, as minhocas vão estar na superfície porque não vai ter mais material pra comer embaixo. A partir daí, é só inverter as caixas furadas e começar a encher a segunda caixa. O húmus que está formado na caixa já pode ser utilizado. Na última caixa, a que tem a torneira, deve ficar depositado o líquido, o chorume, resultante da decomposição”, explicou sobre o processo.

O que pode ser colocado na composteira do tipo minhocário é o lixo orgânico, como borra de café, inclusive com o coador de papel, cascas de ovos, frutas e verduras.

Entretanto, o morador não deve colocar carne, alimentos com muita gordura, sal e temperos porque estes ingredientes não são processados pelas minhocas e podem atrair outros bichos.

Alguns ingredientes não devem ser colocados na composteira — Foto: RPC/Reprodução

Alguns ingredientes não devem ser colocados na composteira — Foto: RPC/Reprodução

Segundo o professor ainda, é preciso ficar atento com a quantidade de restos de frutas cítricas, que podem deixar o meio muito ácido, o que é prejudicial para as minhocas. Além disso, a caixa precisa ficar longe do sol.

“Quem não quiser comprar uma composteira, pode fazer com três baldes plásticos, repetindo o mesmo processo. São dois na parte de cima, um sobre o outro, como furos embaixo, e um terceiro pra coletar os líquidos.”

Cezar explicou que, se no processo começarem a aparecer moscas, insetos ou o material ficar com cheiro ruim, é sinal de que tem alguma coisa errada.

“Se está produzindo mau cheiro ou se tá produzindo muito chorume, é porque pode haver excesso de material orgânico ou produtos que não podem ser utilizados. Por exemplo, alho e cebola são tóxicos para as minhocas e pode atrapalhar a decomposição. Se há muito líquido, também é sinal que não está funcionando direito.”

Lixo é transformado em adubo de qualidade — Foto: RPC/Reprodução

Lixo é transformado em adubo de qualidade — Foto: RPC/Reprodução

Composteira natural

De acordo com o professor, quem tem espaço sobrando no quintal, também pode fazer uma composteira usando folhas e galhos secos, em um lugar protegido do sol, diretamente no chão, por meio de camadas.

“Primeiro, faz-se uma camada só de galhos secos, para permitir a entrada de oxigênio por baixo da pilha. Depois, faça uma camada só de folhas. Coloque o lixo por cima e cubra novamente com folhas. E pode ir repetindo o processo até a pilha chegar a um metro e meio de altura. Se for montado no inverno, vai levar uns cinco meses para o adubo se formar.”

A servidora pública Neusa Yoshida colocou uma composteira plástica na garagem da casa dela.

“Me incomodava muito fazer descarte de restos de alimentos, como frutas e verduras, que poderiam ser reaproveitados. Decidi pela compostagem porque ela traz benefícios tanto para o meio ambiente quanto para quem faz a compostagem. Desde que eu comecei a usar a composteira, eu reduzi o lixo de casa pela metade”, contou.

O chorume produzido pelo decomposição também é aproveitado. Rico em nutrientes, ele é usado nas plantas do jardim, assim como o adubo.

Uma prova de que o adubo é de qualidade, as plantas do jardim da Neusa estão sempre verdinhas e as flores coloridas.



Fonte: G1 PR



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