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Programa ajuda a planejar ações de recuperação florestal no Brasil

Compartilhe:     |  29 de setembro de 2019

A organização não-governamental The Nature Conservancy (TNC) anunciou o GoFor, programa para auxiliar técnicos e gestores no planejamento de iniciativas de recuperação florestal. O software foi lançado nesta sexta-feira (27/9), na 8ª Conferência Mundial Sobre Restauração Ecológica, realizada nesta semana, na África do Sul. Foi desenvolvido no Brasil e pode ser aplicado para florestas tropicais e temperadas em todo o mundo.

O especialista em restauração da TNC, Julio Tymus, destaca que há uma grande demanda por projetos de restauração florestal, condicionada a acordos que envolvem milhões de hectares e à mitigação de riscos ligados às mudanças climáticas. Através do sistema, quem pretende investir consegue ter uma ideia de onde a iniciativa tem mais chances de sucesso.

“Investidores que estão dispostos a financiar a recuperação trabalham no mesmo cenário econômico, em que cada dólar aplicado deve ser investido em um projeto de sucesso. O sistema visa trazer mais segurança para quem quer investir em restauração florestal entender por onde começar e alcançar resultados”, explica.

Usando dados e inteligência artificial, o GoFor permite a avaliação de projetos de restauração em escala nacional, regional, de uma microbacia, bioma ou até um determinado lugar, como uma propriedade rural. As informações são fornecidas pelo usuário e processadas por um algoritmo, indicando os locais onde a iniciativa pode ser mais eficiente na recuperação da biodiversidade.

A partir de mapas e relatórios, podem ser estimados também os custos do projeto. E o gestor pode estudar a técnica a ser aplicada, explica Tymus. Em um local com maior potencial, é possível adotar a chamada restauração passiva, contando com a própria natureza para recompor a vegetação. Onde houver maior necessidade, diz ele, pode ser feita alguma intervenção, como plantio de espécies apropriadas ao ecossistema.

Na visão da The Nature Conservancy, desta forma é possível otimizar a aplicação dos recursos, possibilitando a ação em uma área maior e, consequentemente, ganhos ecológicos e socioambientais. “É uma ferramenta que ajuda a tomada de decisão. Traz um conjunto de informações para o proprietário, o técnico, o investidor fazer a interpretação, usar esses insumos e tomar uma decisão mais qualificada”, pontua o especialista.

Planejamento local

Ainda de acordo com o especialista da TNC, um proprietário rural que necessite ou queira restaurar vegetação em sua fazenda pode usar o software para fazer um planejamento em nível local. Através das informações viabilizadas pelo sistema, é possível entender onde o trabalho na propriedade pode ser mais bem sucedido.

“Ele produtor vai usar o mapa de florestas da sua região e olhar a propriedade. O GoFor vai mostrar dentro da propriedade essa diferenciação, os locais de maior ou menor possibilidade de sucesso e o produtor vai interpretar como fazer”, resume.

Aqui no Brasil, a situação ambiental das propriedades vem sendo mapeada com o Cadastro Ambiental Rural (CAR), pelo qual será estimado o passivo de cada imóvel, possibilitando a adesão ao Programa de Recuperação Ambiental (PRA). A legislação brasileira prevê a regeneração vegetal na propriedade ou a compensação em outra área.

Julio Tymus explica que o GoFor também pode ser utilizado também para avaliar iniciativas de compensação ambiental. De forma semelhante à das demais alternativas de reflorestamento, é possível avaliar o potencial e a viabilidade de uma determinada região.

“Como tem a indicação da área, quem precisa fazer uma compensação e opta por uma determinada região, a ferramenta identifica se ela tem possibilidade de sucesso”, explica ele. “Se a região tem baixa probabilidade e os benefícios à biodiversidade associados a ela são menores, seria preciso de uma área maior de compensação. O sistema pode ser usado dessa forma também”, acrescenta.

O GoFor é gratuito e pode ser baixado via internet. Foi desenvolvido pela TNC em parceria com o projeto Natural Capital, da Universidade de Stanford (EUA), Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) e o Laboratório de Silvicultura Tropical (Lastrop) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) e Aliança de Fundos de Água da América Latina.

“Vamos tornar esse material cada vez mais didático e intuitivo. É uma ferramenta em construção. Queremos coletar informações e ter o feedback dos usuários para ir aperfeiçoando ao longo do tempo”, diz Tymus.



Fonte: Revista Globo Rural



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